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FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

Há um certo arquétipo que é tão antigo tanto na literatura, quanto na história. Uma das primeiras vezes que o vemos no Ocidente é com Cassandra nas tragédias gregas. Ela tem o poder de ver o futuro (ela profetizou a queda de Tróia e o assassinato de Agamenon), mas ninguém a escuta.  Então temos Demóstenes, cujas advertências contra a ascensão de Phillip (pai de Alexandre, o Grande) são tão incessantes que todo mundo o odeia por isso. Mais tarde, em Roma, Cato, o Velho – o avô de Cato – foi um crítico tão frequente (e ultimamente presciente) quando se tratava de Cartago, que ele desempenharia o mesmo papel. De fato, ele terminaria todo discurso que desse, não importando o assunto, não importa a ocasião, com Carthago delenda est (“Cartago deve ser destruída”).

Seu neto, Cato – o imponente estóico – desenvolveria uma reputação semelhante, a de um obstinado contador da verdade, mesmo quando isso era inconveniente, mesmo quando perturbava a paz, mesmo quando fazia inimigos, mesmo quando estava exausto ou sabia que ele seria ignorado.

Em todos esses casos, as pessoas só queriam que eles parassem. Por que você tem que ser tão chato? Por que você não pode ser mais diplomático? Você não vê que está apenas irritando as pessoas?



Tudo isso era uma crítica legítima. Talvez com um pouco mais de tato e melhor consciência, essas mensagens importantes poderiam ter sido ouvidas mais cedo ou mais receptivamente. Cato, o Velho, Cato e Demóstenes pareciam estar quase tentando afastar as pessoas da maneira como falavam e martelavam sua mensagem.

Mas é importante entender a diferença entre como você diz algo e com que frequência diz isso. O tom é uma coisa (para sempre ser considerada), o tempo é outra coisa. “Esperar o momento certo.” “Tentar descobrir a melhor maneira de dizer isso.” “Não querer afastar as pessoas.” Essas são questões de tempo em que, mais frequentemente do que não, nós nos apoiamos como desculpas para evitar uma das coisas mais difíceis de fazer no mundo: falar uma verdade impopular. Avisar às pessoas sobre uma realidade com a qual elas preferem não lidar.

Cícero, contemporâneo de Cato (e admirador de seu avô), cita esta linha de raciocínio:

“A indulgência nos faz amigos

Mas a verdade nos leva ao ódio”. Cícero

Se nos dissermos que nosso trabalho principal é ser um bom mensageiro, corremos o risco de comprometer nossa mensagem. Acabamos omitindo partes importantes ou desagradáveis ​​da mensagem, arredondando suas bordas afiadas na busca de encaixar, em vez de ficar de fora, para que nossa mensagem seja ouvida. Nós podemos acabar nos dando bem … mesmo que as conclusões que saírem disso estejam erradas.

Mas se o nosso trabalho é dizer a verdade – não importa o que aconteça, não importa quem perturbe ou quão impopular isso nos torna – e estamos comprometidos em fazer isso enquanto tivermos um pingo de sangue em nossos corpos? Então, nenhuma consideração ou comprometimento pode nos parar. E, esperançosamente, podemos acordar as pessoas – como Winston Churchill fez sobre o nazismo – antes que seja tarde demais.



Sejamos os porta-vozes da verdade, sempre, mesmo que todos nos odeiem por isso. Agir com virtude, nesse caso, ser honesto e verdadeiro, é sempre mais importante do que agradar a quem quer que seja.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com