Tag: estoicismo

Quanto custa adiar a vida?

Quanto custa adiar a vida?

Você é daquelas pessoas que ficam adiando a vida infinitamente? Daqueles que dizem: quando me formar, serei feliz. Então, se formam e adiam a sua felicidade para o próximo momento desejado, dizendo: quando me tornar diretor da empresa, serei feliz. Chegam lá e ainda não são felizes. Então, passam a vida adiando mais e mais a própria felicidade, para quando se aposentarem ou quando chegarem à uma determinada idade.

Se este é o seu caso, pare agora! Só existe um momento para se viver e ser feliz, é o presente, porque não existe nenhum outro momento além dele. O passado já se esvaiu, é só uma reminiscência, e o futuro é incerto e não sabido, ninguém pode garantir que ele ocorrerá, muito menos que ocorrerá da maneira como planejamos.

Portanto, seja feliz hoje, agora, neste exato momento! Não adie a sua felicidade, mas viva hoje como se não houvesse amanhã – afinal, quem sabe se haverá ou não um amanhã?

Esteja presente e plenamente atento ao agora. Este é o seu momento, viva-o da melhor forma possível! Esse é o presente que todos recebemos da vida e a única forma de agradecer é dando a ele todo o valor que ele merece!

Você só existe no aqui e agora. Como dizia Heráclito, tudo muda, tudo flui eternamente, por isso não podemos entrar no mesmo rio duas vezes, porque nem o rio nem você será o mesmo, já terão mudado, ainda que em um espaço de milésimos de segundo.

Além da mudança, a única coisa certa na vida é a morte. Lembre-se que você é mortal e vai morrer a qualquer momento e, então, por isso, valorize a sua vida agora, seja feliz agora, ame agora!

Esta é uma das principais lições dos filósofos estóicos. Para ilustrá-la melhor, deixo que o grande Sêneca fale por si mesmo e te leve a refletir sobre como você tem vivido a sua vida e como pode vivê-la melhor:

“Vemos que chegaste ao fim da vida, contas já cem ou mais anos. Vamos! Faz o cômputo de tua existência. Calcula quanto deste tempo credor, amante, superior ou cliente, te subtraiu e quanto ainda as querelas conjugais, as reprimendas aos escravos, as atarefadas perambulações pela cidade; acrescenta as doenças que nós próprios nos causamos e também todo o tempo perdido: verás que tens menos anos de vida do que contas. Faz um esforço de memória: quando tiveste uma resolução seguida? Quão poucas vezes um dia qualquer decorreu como planejaras! Quando empregaste teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste a aparência imperturbável, o ânimo intrépido? Quantas obras fizeste para ti próprio? Quantos não terão esbanjado tua vida, sem que percebesses o que estavas perdendo; o quanto de tua vida não subtraíram sofrimentos desnecessários, tolos contentamentos, ávidas paixões, inúteis conversações, e quão pouco não te restou do que era teu! Compreendes que morres prematuramente. Qual é pois o motivo? Vivestes como se fósseis viver para sempre, nunca vos ocorreu que sois frágeis, não notais quanto tempo já passou; vós o perdeis, como se ele fosse farto e abundante, ao passo que aquele mesmo dia que é dado ao serviço de outro homem ou outra coisa seja o último. Como mortais, vos aterrorizais de tudo, mas desejais tudo como se fôsseis imortais. Ouvirás muitos dizerem: “Aos cinqüenta anos me refugiarei no ócio, aos sessenta estarei livre de meus encargos.” E que fiador tens de uma vida tão longa? E quem garantirá que tudo irá conforme planejas? Não te envergonhas de reservar para ti apenas as sobras da vida e destinar à meditação somente a idade que já não serve mais para nada? Quão tarde começas a viver, quando já é hora de deixar de fazê-lo. Que negligência tão louca a dos mortais de adiar para o qüinquagésimo ou sexagésimo ano os prudentes juízos, e a partir deste ponto, ao qual poucos chegaram, querer começar a viver!”

Memento Mori et Carpe Diem!

(Lembre-se que você é mortal e aproveite o dia!)

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Eis uma questão filosófica tão profunda e importante que, até hoje, não há para ela uma resposta definitiva.

Sobre isso trata um dos mais belos livros do estóico Sêneca, chamado de “Sobre a brevidade da vida”.

Deixo hoje, então, que ele fale por si mesmo, para que possamos refletir se estamos ou não vivendo bem as nossas vidas, vivendo o momento presente, o agora, plenamente atentos, pois nossa vida pode se esvair a qualquer momento. Quando? Não sabemos. Mas, a única certeza que temos é a de que morreremos cedo ou tarde. Portanto, Memento Mori et Carpe Diem! (Lembre-se que você é mortal e vai morrer e aproveite o dia!).

Com a palavra, Sêneca:

“1 – 1: A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: (2) “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito (3) mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou (4) por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor”.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

Não há nada de errado em ter coisas boas

Não há nada de errado em ter coisas boas

Sêneca era um homem muito rico.  Ele tinha coisas legais. Críticos da época, e desde então, disseram que isso é prova indiscutível de sua hipocrisia.  Como pode um estóico ter mesas de marfim caras? Não é anti-filosófico ter várias casas? Ou servos?

Na opinião de Sêneca, a resposta era não.  Ninguém disse que o estoicismo significava um voto de pobreza ou privação desnecessária. Como ele escreveu: “A filosofia exige vida simples, não por penitência … nossas vidas devem observar um meio feliz entre os caminhos do sábio e os caminhos do mundo como um todo”.

A vida pura é, em certa medida, relativa.  Um jantar de filé de R$ 100,00, para uma determinada pessoa, é um luxo insano. Para uma pessoa com um salário muito maior e em um ambiente social diferente, jantar no mesmo restaurante pode ser uma opção despretensiosa e conveniente (especialmente se todos os amigos dela estiverem buscando reservas em algum lugar ainda mais extravagante e mais caro).  O Mercedes que eles compraram com dinheiro, que é realmente seguro e tem ótimo consumo de combustível, pode realmente ser mais simples do que para a pessoa de meios mais modestos do que outra que está dirigindo um novo Ford com um financiamento não pago (quando realmente ela deveria andar de trem).



O Estoicismo não é, como disse Sêneca, uma forma de autoflagelação. É sobre responsabilidade e sobriedade. É possível ser sóbrio e rico, assim como é possível ser de classe média e esbanjador. Você vive só uma vez. O dinheiro é ganho para ser gasto. Apenas certifique-se de gastá-lo de maneira inteligente e filosófica. E vivendo, da melhor maneira que puder, é claro.

Portanto, para ser estóico, pouco importa se você é rico ou pobre, o que importa é que você saiba administrar bem as suas posses e viva de acordo com a virtude e conforme a natureza (a natureza em geral, a natureza humana e, principalmente, a sua natureza individual).

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com

FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

Há um certo arquétipo que é tão antigo tanto na literatura, quanto na história. Uma das primeiras vezes que o vemos no Ocidente é com Cassandra nas tragédias gregas. Ela tem o poder de ver o futuro (ela profetizou a queda de Tróia e o assassinato de Agamenon), mas ninguém a escuta.  Então temos Demóstenes, cujas advertências contra a ascensão de Phillip (pai de Alexandre, o Grande) são tão incessantes que todo mundo o odeia por isso. Mais tarde, em Roma, Cato, o Velho – o avô de Cato – foi um crítico tão frequente (e ultimamente presciente) quando se tratava de Cartago, que ele desempenharia o mesmo papel. De fato, ele terminaria todo discurso que desse, não importando o assunto, não importa a ocasião, com Carthago delenda est (“Cartago deve ser destruída”).

Seu neto, Cato – o imponente estóico – desenvolveria uma reputação semelhante, a de um obstinado contador da verdade, mesmo quando isso era inconveniente, mesmo quando perturbava a paz, mesmo quando fazia inimigos, mesmo quando estava exausto ou sabia que ele seria ignorado.

Em todos esses casos, as pessoas só queriam que eles parassem. Por que você tem que ser tão chato? Por que você não pode ser mais diplomático? Você não vê que está apenas irritando as pessoas?



Tudo isso era uma crítica legítima. Talvez com um pouco mais de tato e melhor consciência, essas mensagens importantes poderiam ter sido ouvidas mais cedo ou mais receptivamente. Cato, o Velho, Cato e Demóstenes pareciam estar quase tentando afastar as pessoas da maneira como falavam e martelavam sua mensagem.

Mas é importante entender a diferença entre como você diz algo e com que frequência diz isso. O tom é uma coisa (para sempre ser considerada), o tempo é outra coisa. “Esperar o momento certo.” “Tentar descobrir a melhor maneira de dizer isso.” “Não querer afastar as pessoas.” Essas são questões de tempo em que, mais frequentemente do que não, nós nos apoiamos como desculpas para evitar uma das coisas mais difíceis de fazer no mundo: falar uma verdade impopular. Avisar às pessoas sobre uma realidade com a qual elas preferem não lidar.

Cícero, contemporâneo de Cato (e admirador de seu avô), cita esta linha de raciocínio:

“A indulgência nos faz amigos

Mas a verdade nos leva ao ódio”. Cícero

Se nos dissermos que nosso trabalho principal é ser um bom mensageiro, corremos o risco de comprometer nossa mensagem. Acabamos omitindo partes importantes ou desagradáveis ​​da mensagem, arredondando suas bordas afiadas na busca de encaixar, em vez de ficar de fora, para que nossa mensagem seja ouvida. Nós podemos acabar nos dando bem … mesmo que as conclusões que saírem disso estejam erradas.

Mas se o nosso trabalho é dizer a verdade – não importa o que aconteça, não importa quem perturbe ou quão impopular isso nos torna – e estamos comprometidos em fazer isso enquanto tivermos um pingo de sangue em nossos corpos? Então, nenhuma consideração ou comprometimento pode nos parar. E, esperançosamente, podemos acordar as pessoas – como Winston Churchill fez sobre o nazismo – antes que seja tarde demais.



Sejamos os porta-vozes da verdade, sempre, mesmo que todos nos odeiem por isso. Agir com virtude, nesse caso, ser honesto e verdadeiro, é sempre mais importante do que agradar a quem quer que seja.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com

A PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE VITÓRIA

A PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE VITÓRIA

É fácil olhar para as pessoas que são calmas e auto disciplinadas e presumir que sua disposição lhes é natural ou que, de algum modo, é divinamente inspirada.  Essas pessoas, elas simplesmente não têm que lutar contra as tentações ou as frustrações com as quais nós, meros mortais, lutamos – é por isso que elas são capazes de se apresentar diante de nós como modelos de equanimidade e equilíbrio.


Talvez em alguns casos isso seja verdade, mas geralmente não é. Tome alguém como George Washington, por exemplo. Para as pessoas que o encontraram, ele era um modelo de racionalidade e autocontrole.  Mas aqueles que realmente o conheciam entenderam que ele, como todas as pessoas ambiciosas, estava sujeito a grandes paixões e um temperamento agitado desde seus primeiros dias. De fato, isso foi exatamente o que tornou Washington tão impressionante para aqueles que realmente trabalharam com ele. Como o governador Robert Morris escreveu sobre Washington, foi com essas paixões que Washington travou “sua primeira disputa e sua primeira vitória foi sobre si mesmo”.
O mesmo aconteceu com Cato e Marco Aurélio. Eles não eram naturalmente estóicos. Se tivessem sido, seu exemplo não seria tão significativo. Porque então eles não teriam sido exemplos: seria apenas biologia, divindade ou sorte aleatória. As “Meditações” de Marco Aurélio não são pregação … é um livro de trabalho destinado quase exclusivamente para o próprio escritor. Cato não era perfeito. Seus colegas viram nele as mesmas falhas que viam em si mesmos – mas foram inspirados pela maneira como ele se aproximava mais da vitória do que eles. Ele os forçou a serem melhores.

Enfrentamos a mesma batalha interna de George Washington. Nós temos ambições.  Nós temos paixões. Nós temos temperamento. Nós temos tentações. Mas o que importa é como nós nos elevamos acima dessas coisas; como as canalizamos para fins positivos. Seja formando uma nova nação ou liderando uma, sendo gentis quando seria mais fácil ser mesquinho, resistindo ao impulso do ego ou do egoísmo, podemos conquistar a nós mesmos e, assim, tornar o mundo um lugar melhor. A vitória começa em casa. Começa por dentro.

E não se engane, é uma batalha tão difícil de vencer quanto de lutar. Mas, a vitória é possível. Só depende do seu trabalho árduo e dedicação contínua na melhoria de si mesmo, no seu progresso moral constante.

Vamos juntos, passo a passo, vencer essa batalha!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com 

PREMEDITATIO MALORUM: O valor do pensamento negativo

PREMEDITATIO MALORUM: O valor do pensamento negativo

A Premeditatio Malorum ou Visualização Negativa é uma chave para o sucesso que poucos descobriram.

Um CEO chama sua equipe para a sala de conferências na véspera do lançamento de uma nova iniciativa importante. Eles entram e tomam seus lugares ao redor da mesa.  Ele chama a atenção para a reunião e começa: “Tenho más notícias. O projeto falhou espetacularmente. O que deu errado?

A equipe está perplexa: “O que ?! Mas nós ainda nem lançamos …!”

Eu sei que parece estranho e, talvez, até contraproducente, exigir que os funcionários pensem de forma negativa em vez de otimista, mas nos círculos de negócios de hoje, desde startups a empresas da Fortune 500 e à Harvard Business Review estão fazendo exatamente esse exercício.  Em uma resposta direta ao pensamento otimista e às palestras motivacionais, esses líderes estão incentivando seus funcionários a pensar negativamente.

A técnica que o CEO acima estava usando foi projetada pelo psicólogo Gary Klein.  Chama-se premortem. Em uma premortem, um gerente de projeto deve imaginar o que pode dar errado – o que vai dar errado – antes de começar. Por quê? Demasiadas empresas ambiciosas falham por razões evitáveis. Muitas pessoas não têm um plano B porque se recusam a considerar que algo pode não ocorrer como desejam.

Ninguém nunca entendeu isso melhor do que o ex-campeão de peso pesado, Mike Tyson, que, refletindo sobre o colapso de sua fortuna e fama, disse a um repórter: “Se você não é humilde, a vida atirará a humildade sobre você.”

A prática remonta muito mais do que apenas à psicologia.  Ela remonta a mais de dois milênios, na verdade, aos grandes filósofos estóicos como Marco Aurélio, Epicteto e Sêneca.  E eles tinham um nome ainda melhor para isso: Premeditatio Malorum (premeditação dos males).

Um escritor como Sêneca começaria revisando ou ensaiando seus planos, digamos, para fazer uma viagem.  E então, em sua cabeça (ou por escrito), ele repassaria as coisas que poderiam dar errado e como impediria que isso acontecesse – uma tempestade poderia surgir, o capitão poderia ficar doente, o navio poderia ser atacado por piratas.

“Nada acontece ao sábio contra a sua expectativa”, escreveu ele a um amigo.  “Nem todas as coisas acontecem para ele como ele desejava, mas como ele previa”, e, acima de tudo, ele acreditava que algo poderia bloquear seus planos.

Ao fazer esse exercício, Sêneca estava sempre preparado para as interrupções e sempre trabalhava com a possibilidade de ter que interromper seus planos. Ele estava preparado para a derrota ou a vitória. E sejamos honestos, uma surpresa agradável é muito melhor do que uma desagradável.

Em um caso em que nada poderia ser feito, os estóicos o usariam como uma prática importante para fazer algo que o restante de nós muitas vezes não consegue fazer, gerenciar expectativas. Porque, às vezes, a única resposta para “E se?” É: “Vai ser uma droga, mas ficaremos bem”.

“O que é bastante inesperado é mais esmagador em seu efeito, e o inesperado aumenta o peso de um desastre.  Esta é uma razão para garantir que nada nos surpreenda. Devemos projetar nossos pensamentos à nossa frente a cada momento e ter em mente todas as eventualidades possíveis, em vez de apenas o curso normal dos acontecimentos.  Ensaie-os em sua mente: exílio, tortura, guerra, naufrágio.  Todos os termos do humano devem estar diante de nossos olhos”.

Sêneca

Muitas vezes aprendemos da maneira mais difícil que nosso mundo é governado por fatores externos. Nem sempre conseguimos o que é nosso por direito, mesmo que o tenhamos conquistado. Nem tudo é tão limpo e direto como os jogos que eles jogam na escola de negócios. Psicologicamente, devemos nos preparar para o pior acontecer.

Se é sempre uma surpresa constante para você toda vez que algo inesperado acontece, você não só vai se sentir infeliz toda vez que tentar algo grande e não conseguir, mas você terá muito mais dificuldade em aceitar isso e passar para os planos B, C ou D. A única garantia, sempre, é que as coisas podem dar errado. A única coisa que podemos usar para mitigar isso é a antecipação, porque a única variável que controlamos completamente é a nós mesmos.

O mundo pode chamá-lo de pessimista.  Quem se importa? É muito melhor parecer deprimente do que ser pego de surpresa. Fazendo a Premeditatio Malorum ou Visualização Negativa antes de começar qualquer um dos seus planos, a única surpresa que você pode ter é uma surpresa positiva, é ver as coisas ocorrendo muito melhor do que você esperava, porque você estava preparado para o pior.

Se nos preparamos para os obstáculos que estão inevitavelmente a caminho, podemos ter certeza de que as outras pessoas não estarão tão preparadas quanto nós estaremos. Em outras palavras, esse azar é, na verdade, uma chance de nos compensarmos algum tempo. Nós nos tornamos como corredores que treinam em colinas ou em altitude para que possam vencer os pilotos que esperavam que o percurso fosse plano.

Antecipação não facilita magicamente as coisas, é claro. Mas, estamos mais preparados para que elas sejam tão difíceis quanto podem ser, por mais difíceis que sejam.

Você sabe o que é melhor do que construir coisas na sua imaginação? Construir as coisas na vida real. Claro, é muito mais divertido construir coisas em sua imaginação do que destruí-las.  Mas a que propósito isso serve? Isso só te deixa desapontado. Quimeras, falsas esperanças, são como ataduras – elas doem quando são arrancadas.

Como Sêneca diria, os golpes inesperados da fortuna caem mais e mais dolorosamente, e é por isso que o sábio pensa sobre eles com antecedência.  Também é impossível se preparar para algo que você não conhece. O estóico não vê esse ato de visualização negativa como pessimista, mas simplesmente uma característica de seu otimismo autoconfiante: estou pronto para enfrentar qualquer coisa que aconteça e também estou pronto para fazer o trabalho necessário agora para garantir que eu não desperdice energia em problemas que poderiam ter sido resolvidos com antecedência.

Então, se você quer ter um ótimo dia hoje, pense em todas as maneiras pelas quais ele pode dar errado. Esteja preparado para isso. Pense em como você lidaria com isso, todas as coisas que você precisaria fazer em resposta. Pratique estar calmo em face de quão esmagador possa parecer.  Lembre-se de que as pessoas dependerão de você e é por isso que você precisa responder corretamente. Considere os passos que você pode dar agora em antecipação.

Espere ter um dia bem sucedido e agradável, claro, apenas esteja pronto caso não seja.

Com a antecipação, temos tempo para aumentar as defesas, ou até evitar um determinado plano completamente.  Estamos prontos para nos afastarmos porque traçamos um caminho de volta. Podemos resistir a nos desmoronar e desesperar se as coisas não saírem como planejamos. Com a antecipação, podemos suportar.

Estamos preparados para o fracasso e prontos para o sucesso!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fontes: https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-obstacle-is-the-way/201405/the-surprising-value-negative-thinking

 

https://dailystoic.com

 

MEMENTO MORI – Lembre-se que você é mortal

MEMENTO MORI – Lembre-se que você é mortal

“Vamos preparar nossas mentes como se tivéssemos chegado ao fim da vida.  Não vamos adiar nada. Vamos equilibrar os livros da vida todos os dias. … Aquele que dá os toques finais em sua vida a cada dia nunca perde tempo. ”Sêneca

Em um triunfo romano, a maioria do público teria seus olhos colados ao general vitorioso na frente – um dos lugares mais cobiçados durante os tempos romanos.  Apenas alguns notaram o ajudante nas costas, logo atrás do comandante, sussurrando em seu ouvido: “Lembre-se, você é mortal”. Que lembrança para ouvir no auge da glória e da vitória!

São lembretes como este que precisamos desesperadamente em nossas próprias vidas – um pensamento ou uma ideia que preferimos ignorar, fazer tudo para evitar e fingir que não é verdade.  Na maioria das vezes, nosso ego foge de qualquer coisa que nos lembre da realidade que está em desacordo com a narrativa confortável que construímos para nós mesmos. Ou, simplesmente, estamos petrificados para ver os fatos da vida como eles são.  E há um simples fato sobre o que a maioria de nós tem medo de meditar, refletir e encarar de frente: vamos morrer. E todos ao nosso redor vão morrer.

Tais lembretes e exercícios fazem parte de Memento Mori – a prática antiga de reflexão sobre a mortalidade que remonta a Sócrates, que disse que a prática adequada da filosofia é “nada mais do que saber morrer”. Nos primeiros textos budistas, há um proeminente  lembrete no mesmo sentido, o termo é maraṇasati, que se traduz como “lembrar a morte”. Alguns sufis têm sido chamados de “povo dos túmulos”, por causa de sua prática de freqüentar cemitérios para refletir sobre a morte e a mortalidade.

Ao longo da história, lembretes de Memento Mori vieram em muitas formas.  Alguns, como o assessor do general, estavam lá para lembrá-lo de ser humilde, ainda que em meio a uma grande vitória.  Outros foram inventados para inspirar o gosto pela vida. O ensaísta Michel de Montaigne, por exemplo, gostava de um antigo costume egípcio onde, em tempos de festividades, um esqueleto era trazido com pessoas aplaudindo “Beba e alegre-se, quando você estiver morto, você ficará assim”.

Para nós, modernos, isso soa como uma idéia terrível.  Quem quer pensar sobre a morte? Mas e se em vez de ficarmos assustados e indispostos a aceitar essa verdade, fizermos o oposto?  E se refletir e meditar sobre esse fato fosse uma chave simples para viver a vida ao máximo? Ou se fosse a chave para nossa liberdade? Como disse Montaigne: “Praticar a morte é praticar a liberdade.  Um homem que aprendeu a morrer desaprendeu a ser escravo”.

Em suas Meditações – essencialmente seu próprio diário particular – Marco Aurélio, o grande Imperador Romano, escreveu que “Você poderia deixar a vida agora mesmo.  Deixe que isso determine o que você faz, diz e pensa.” Esse era um lembrete pessoal para continuar vivendo uma vida de virtude AGORA, nesse exato momento, e não esperar.  O pintor francês Philippe de Champaigne expressou um sentimento semelhante em sua pintura Natureza morta com uma caveira, que mostrava os três aspectos essenciais da existência – a tulipa (vida), o crânio (morte) e a ampulheta (tempo).  A pintura original faz parte de um gênero conhecido como Vanitas, uma forma de arte do século XVII que apresenta símbolos de mortalidade que incentivam a reflexão sobre o significado e a efemeridade da vida.

Meditar sobre a sua mortalidade só é deprimente se você errar o alvo.  É de fato uma ferramenta para criar prioridade e significado. É uma ferramenta que gerações usaram para criar perspectiva e urgência reais.  Tratar nosso tempo como um presente e não desperdiçá-lo no trivial e vão. A morte não torna a vida inútil, mas proposital. E, felizmente, não precisamos quase morrer para explorar isso.  Um simples lembrete pode nos aproximar de viver a vida que queremos. Não importa quem você é ou quantas coisas você ainda tem que fazer, um carro pode bater em você em um cruzamento e levar seus dentes de volta ao seu crânio.  É isso aí. Tudo poderia acabar. Hoje, amanhã, algum dia em breve.

O estóico acha esse pensamento revigorante e um lembrete para agir com humildade.  Não é de surpreender que uma das biografias de Sêneca seja intitulada “Dying Every Day”, ou seja, morrendo todo dia.  Afinal de contas, é Sêneca quem nos incita a dizer a nós mesmos “Você pode não acordar amanhã”, quando vai para a cama e “Você pode não dormir de novo”, ao acordar, como lembrança da nossa mortalidade.  Ou como outro estóico, Epicteto, insistia com seus alunos: “Mantenha a morte e o exílio diante de seus olhos todos os dias, junto com tudo que parecer terrível – ao fazê-lo, você nunca terá um pensamento fútil nem terá desejo excessivo”.  esses lembretes e meditar sobre eles diariamente são essenciais – deixe-os ser os blocos de construção de como viver sua vida ao máximo e não perder um segundo.


Memento mori et carpe diem!

(Lembre-se que você é mortal e aproveite o dia!)

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Fonte: dailystoic.com

AMOR FATI: Aceite e ame tudo o que acontece

AMOR FATI: Aceite e ame tudo o que acontece

Aceitação:

É tão difícil! Muitas das vezes, parece até impossível. Mas, é possível. Acredite, você descobrirá como neste artigo.

Somos ousados ​​e ambiciosos e achamos que podemos endireitar tudo.

Mas nós não podemos.  Nós não podemos mudar a realidade.  No segundo, percebemos algo que já passou.  É como agarrar o vento. Há um segundo e você é rápido para alcançá-lo e baam – ele se foi.

E se pensarmos sobre isso, a aceitação é realmente a única opção.  O oposto é se opor a tudo o que acontece. Combater a realidade Lutar contra os fatos.  Que vida terrível?! Uma vida de oposição, frustração, ódio e infelicidade. Definitivamente, esta não é uma boa opção. Se contrapor à vida, ao destino, aos fatos, só vai te trazer mais e mais sofrimento, perda de tempo e energia. E, aceite isso, se estressar, se irritar, odiar Deus e o mundo pelo que acontece não vai mudar absolutamente nada. Nadar contra a corrente só te trará mal.

Precisamos aprender que as coisas acontecem como acontecem – às vezes, aparentemente boas, às vezes, aparentemente ruins. A vida nem sempre acontece do jeito que esperamos.

A menos que escolhamos aceitá-la de qualquer jeito, esse é o nosso caminho.  Quando escolhemos amor fati – amar tudo o que acontece, amar nosso destino -, então sempre a vida sempre ocorrerá do jeito que esperamos, porque esperamos que ela aconteça como deve acontecer, e não como nós queremos que aconteça. Somente dessa forma, aceitando a vida como ela é, podemos ter uma vida que flui de forma leve e agradável.

Porque a vida é do jeito que é. Imutável. E, portanto, deve ser boa (ainda que pareça uma porcaria).

E se você pensa agora, “Isso é uma droga, porque eu não tenho nenhum controle do que acontece na minha vida …”

Então, você está enganado.  Suas ações de hoje moldam seu amanhã.  E aceitar e amar o que quer que aconteça ajudará você a moldar a sua vida do seu jeito.

 

A PARTIR DE NIETZSCHE, UM RETORNO AO ESTOICISMO

Vocês lembram que eu falei, quando me apresentei, num dos primeiros posts do blog, que eu só encontrei o Estoicismo a partir da leitura da obra de Nietzsche? Pois é, não fui só eu. Em verdade, o Estoicismo estava adormecido há séculos até que Nietzsche, por volta do ano 1900 d.C., criou toda a sua filosofia com base no Estoicismo e em Heráclito, que era um filósofo pré-socrático que influenciou muito o Estoicismo.

Portanto, a partir do final do século XIX e início do século XX da nossa era, com Nietzsche, o Estoicismo experimentou um renascimento que hoje, em pleno século XXI, mais de 2.300 anos depois de sua fundação, na Grécia antiga, está florescendo fortemente ao redor do mundo, contando com inúmeros best sellers e autores e professores mundialmente renomados (Ainda, na sua grande maioria, em inglês. Por algum motivo desconhecido, o Estoicismo Moderno, como tem sido chamado, ainda é muito pouco traduzido para o português e não tem nenhum representante brasileiro a ele dedicado. Por enquanto…Quem sabe um dia a minha voz seja ouvida e o Estoicismo Moderno possa ressoar aqui no Brasil?!).

Pois bem, voltando ao amor fati, com Nietzsche:

“Minha fórmula para o que é grande na humanidade é amor fati: não desejar nada além do que é;  seja atrás, adiante ou por toda a eternidade. Não apenas para suportar o inevitável – muito menos para escondê-lo de si mesmo, pois todo idealismo é mentir para si mesmo em face do necessário – mas para amá-lo.” Nietzsche

O termo amor fati remonta ao filósofo alemão do final do século XIX e início do século XX, Friedrich Nietzsche.  (Fato interessante: foi Nietzsche quem escreveu a famosa máxima: “O que não me mata me fortalece”, bastante estóica, a meu ver.)

O significado de amor fati é o amor ao destino, a aceitação amorosa do seu destino, ou simplesmente, amar tudo o que acontece.

Amar tudo o que acontece inclui não desejar nada além do que é. Basicamente, essa era a fórmula de Nietzsche para uma vida feliz: não desejar que a realidade seja diferente e sim aceitar e, até, amar o que quer que aconteça.

Quase dois milênios antes, Epicteto, um dos líderes estóicos, tinha uma fórmula semelhante para uma vida que flui suavemente:

“Não procure que os eventos aconteçam como você deseja, mas deseje que os eventos aconteçam como acontecem e que sua vida transcorra sem problemas.” Epicteto

Isso é poderoso!

O estoicismo chama isso de “arte da aquiescência” ou “arte da aceitação” – aceitar em vez de lutar contra cada pequena coisa.  Aceitação estóica. E pode muito bem ser comparado ao amor fati de Nietzsche, bem como à pós-moderna linha da psicoterapia conhecida como terapia de aceitação e comprometimento.

Outro filósofo estóico, Marco Aurélio, fala da necessidade de ‘encontrar satisfação’ nos eventos externos que nos acontecem, de que devemos ‘cumprimentá-los com alegria’, ‘aceitá-los com prazer’, ‘amá-los’ e ‘desejar’ que eles aconteçam conforme determinado pelo nosso destino.” Donald Robertson

Os estóicos tentaram cultivar a aceitação do que aconteceu com eles.  “Se esta é a vontade da natureza, então que assim seja.” A maioria dos eventos acontece sem que você tenha uma palavra a dizer.  Você pode curtir e amar o que quer que aconteça, ou você será arrastado pelos fatos de qualquer maneira.

Os estóicos usaram uma metáfora impressionante para explicar isso: A metáfora do cachorro e do carrinho.

“O destino leva o que está à vontade e arrasta ao longo o relutante.” – Sêneca

O homem sábio é como um cão amarrado a um carrinho em movimento, correndo alegremente ao lado dele e acompanhando-o com suavidade, enquanto o homem insensato é como um cão que se esforça contra a coleira, mas se vê arrastado ao lado do carrinho.

O carrinho em movimento representa sua vida e tudo o que acontece.  O cachorro representa a gente. Ou aproveitamos o passeio e fazemos o melhor da jornada da nossa vida, ou lutamos contra tudo o que acontece e somos arrastados de qualquer maneira.  Nós podemos lutar tanto quanto quisermos, o carrinho se move na direção que ele quiser – para cima e para baixo e através da lama e da sujeira.

As coisas acontecem na vida, boas ou ruins, e assim que acontecem, não podemos alterá-las.  Eles estão lá apenas como a estrada lamacenta de subida. Pode ser doloroso, pode ser ruim. Mas você não pode mudar a situação em si, você não pode magicamente achatar e secar a colina lamacenta.  Você só pode mudar o que você faz a partir dela – lamacenta ou não.

Qual cão tem a vida melhor?

Ambos os cães estão na mesma situação, um só aproveita muito mais porque ele não luta contra o que ele não pode vencer – o destino.  Ninguém quer ser arrastado, então há apenas uma opção: aproveitar ao máximo a jornada que o motorista do carrinho escolher para você.

“Mas se eu simplesmente aceitar tudo, então posso renunciar e não fazer nada.”

Não!

ATENÇÃO: Aceitar o que quer que aconteça não significa desistir. Amar tudo o que acontece não significa desistir.

“É muito mais fácil falar da maneira como as coisas deveriam ser.  É preciso força, humildade e vontade de aceitá-los pelo que eles realmente são.  É preciso um homem ou uma mulher de verdade para enfrentar a necessidade. ”- Ryan Holiday

Aceitar o que é preciso muito mais do que lutar contra o que é.

É fácil entender como as coisas são.  É muito mais difícil aceitar e até amar as coisas como elas são.  Isso está longe de ser resignação passiva. A aceitação estóica do que acontece e de enfrentar a necessidade exige firmeza, humildade e vontade.

O argumento de que “não faz sentido fazer qualquer coisa se tudo acontece como acontece” é simplesmente preguiçoso.  E é uma desculpa. Mais uma vez, é preciso muito mais para aceitar, em vez de lutar contra tudo o que acontece.

E mesmo que você não possa decidir quais eventos exatos acontecem em sua vida, os resultados desses eventos ainda dependem de suas ações. São suas ações de hoje que moldam os eventos do seu amanhã.

Olha, só porque você tenta amar o que aconteceu não significa que você o tolera ou aprova.  Significa apenas que você entende que não pode mudá-lo e que é sua melhor opção aceitá-lo e tentar fazer o melhor possível.  E, então, tome as ações mais inteligentes dessa aceitação estóica.

“Ninguém quer que seus filhos fiquem doentes, ninguém quer estar em um acidente de carro;  mas quando essas coisas acontecem, como pode ser útil discutir mentalmente com elas? ” Byron Katie

As coisas são ruins, muitas vezes.  Isso é certo. Mas lutar contra elas não ajuda em nada.

Recapitulação Rápida: Amor fati é um termo em latim cunhado por Nietzsche e significa aceitação amorosa do seu destino.  A ideia é amar tudo o que acontece. Os estóicos já diziam que a chave para uma vida suave era desejar que os eventos acontecessem como acontecem.  Isso não tem nada a ver com a resignação passiva, pois é preciso muito mais para aceitar do que lutar contra tudo o que acontece. Suas ações são importantes.

Por que é tão poderoso amar tudo o que acontece?

Por que devemos tentar amar tudo o que acontece?

 

OCUPE-SE APENAS COM O QUE VOCÊ CONTROLA

 

Concentre-se no que você controla. Fique no seu “quadrado” e não lute contra a realidade.

“Inundações nos roubarão uma coisa, fogo, outra.  Estas são condições de nossa existência que não podemos mudar.  O que podemos fazer é adotar um espírito nobre, tal espírito como convém a uma pessoa boa, para que possamos nos comportar bravamente sob tudo aquilo que a fortuna (o destino) nos envia e colocar nossas vontades em sintonia com a vontade da natureza.” Sêneca

Na maioria das vezes, não temos controle sobre nossas vidas (lembre-se do carrinho de mudança ao qual estamos amarrados?).

Enchentes e incêndios poderiam ter roubado os antigos estóicos de suas casas e de sua colheita.  Hoje, tais catástrofes naturais ainda acontecem, mas na maioria das vezes temos inimigos diferentes em nossas vidas cotidianas.  Motoristas e colegas que nos deixam loucos e coisas sérias como doenças ou perda de emprego.

O ponto é, muitas coisas acontecem para nós sobre as quais não temos controle. Nós não podemos mudar essas coisas. Eles basicamente não cabem a nós. O que cabe a nós é apenas o que fazemos a partir dessas coisas.

Como diz a sábia música: “Cada um no seu quadrado”, rsrsrs 😂. Só pra descontrair. Mas, lembrar dessa frase singela pode nos ajudar bastante a saber diferenciar o que está dentro de nosso controle e o que está fora de nosso controle, para que foquemos somente naquilo que cabe a nós, ou, no que está no nosso “quadrado”. Funk também é sabedoria estóica, hehehe. 😉

 

CONCENTRE-SE NO QUE VOCÊ PODE CONTROLAR, ACEITE O QUE VOCÊ NÃO PODE.

Pense nisso, se você tentar controlar o clima, mais cedo ou mais tarde você vai surtar, porque você não pode controlar o tempo. O tempo apenas é como é.  E assim é tudo o que não está em nosso próprio controle.

Ressentir-se do que acontece é erroneamente supor que você tem uma escolha nesse assunto.  E isso levará ao sofrimento.

“Podemos ver que a nossa dor está entre o que achamos que deveria acontecer e o que realmente acontece.  Então, se removermos a demanda secreta por isso ou aquilo acontecer, a lacuna de dor desaparece. ” Vernon Howard

É exatamente isso! Precisamos perceber que a nossa dor, não importa se é o medo, a frustração ou a raiva, vem de ressentir a realidade.  Sofremos porque discutimos com o que acontece, queremos que a realidade seja diferente do que é. Isso leva à dor.

É o que encontramos no livro de Byron Katie, “Loving What Is”, logo na primeira página:

“A única vez que sofremos é quando acreditamos em um pensamento que argumenta com o que é.  Quando a mente está perfeitamente clara, o que é o que queremos. ” Byron Katie

Ela compara querer que a realidade seja diferente a tentar ensinar um gato a latir.  É impossível. A realidade é o que é. Se nossa mente está clara, o que é o que queremos.

E, no entanto, acabamos querendo que a realidade seja diferente o tempo todo.  “Meu marido deve trazer flores para casa às vezes.” “O vizinho deve cortar a grama.” “Nosso filho deve encontrar um emprego.” “O trem não deve ser atrasado.”

Esses pensamentos são todos modos de querer que a realidade seja diferente do que é.  Isso leva a muito estresse, causado por discutir com o que é (e o que não pode ser mudado).

Se lutar com a realidade nos deixa sofrendo, então só temos uma opção: não lutar contra a realidade.  Aceitação incondicional é a solução, se você gosta da realidade ou não. Amor fati – amar o que acontece.  Porque você não pode mudar isso, de qualquer maneira.

Recapitulação rápida: amar tudo o que acontece é tão poderoso porque é simplesmente a melhor opção, senão a única.  Lutar com o que é, argumentar com a realidade, vai piorar tudo. É a causa raiz do seu sofrimento. Não é o que aconteceu que é doloroso, é sua convicção de que devia ter acontecido de forma diferente que está causando toda a sua dor.  Claro, as coisas são ruins às vezes, mas você não pode mudá-las. Você só pode mudar a sua maneira de lidar com eles. As coisas não devem ser diferentes, elas devem ser exatamente como são, porque é assim que são.

“Sêneca disse que Zeus é como um general e a humanidade seu exército, devemos seguir sua liderança, gostemos ou não, mas ‘é um mau soldado quem segue seu comandante resmungando e gemendo’.” Donald Robertson

Não devemos resistir ao que acontece.  É como diz o ditado, “o que você resiste persiste”.

A ideia é simples: aproveite cada momento como ele é.  Tome a realidade como ela é. Não resista ou ela terá poder sobre você.  Se você não resistir, se você aceitar, ela não terá poder sobre você.

Conforme Marco Aurélio, assim como você toma um medicamento quando um médico lhe prescreve, devemos tomar eventos externos exatamente como eles são, porque eles são, assim como o remédio do médico, feitos para nos ajudar.

O que acontece com a gente é basicamente o tratamento da natureza para conseguirmos ser pessoas melhores.  Essas coisas acontecem para nós, não contra nós, mesmo que às vezes não pareça. Não devemos lutar, mas sim aceitar e amar essas coisas.  E veja o que elas podem fazer por nós.

Olha, eu sei, não é natural acreditar que algo que parece tão amargo é realmente bom para nós.  Mas é o melhor que podemos fazer, aceitar a vida como ela é, e achar que é boa só porque é assim.

 

ACEITE SEM JULGAR

Claro, se sua casa pega fogo e você perde tudo o que tem, parece muito irritante.  E você pode admitir que é uma droga. Mas quem sabe, talvez seja exatamente o que você precisava em sua situação de vida, por mais idiota que isso possa parecer.  Você não pode ter certeza de que isso é ruim. Fique com os fatos: sua casa foi incendiada e você perdeu tudo, menos sua vida e o que está vestindo.

Você não sabe quais oportunidades surgirão das cinzas da casa queimada.

 

PRATIQUE O DESAPEGO

As coisas são impermanentes.  Eles vêm e vão.

Aquele sorriso na pessoa que você ama não estará lá para sempre.  A dor que você sente quando você bate seu dedo do pé vai embora. O estilo de vida extravagante de que você gosta tanto passará também.

Como diz o ditado, em relação a qualquer coisa, é bom que sempre tenhamos em mente que “isso também passará”. Já que tudo realmente passa, a vida e tudo nela é impermanente. A única certeza que podemos ter na vida é da mudança, ela é certa, em todos os aspectos, inclusive a mudança final, a morte, também é certa. Essa sabedoria de que tudo muda constantemente foi utilizada pelos estóicos, mas sua origem está na filosofia do pré-socrático Heráclito. (Para quem se interessar, vale a pena pesquisar e ler sobre a filosofia de Heráclito).

O problema de se apegar a coisas, pessoas, riqueza, status, aparência e empregos é que essas coisas estão fora do seu controle.  Por quanto tempo você poderá mantê-los não está sob seu controle.

 

São esses anexos que dificultam a aceitação das mudanças.  Quando os temos, não queremos deixá-los ir. Nós nos tornamos escravos do status quo, não queremos que nada mude quando estamos num bom momento da vida. Mas, tudo sempre muda, é inevitável. Se para o melhor ou o pior, só o destino poderá responder no tempo certo.

 

“A vida está em constante mudança.  E nós também estamos. Ficar chateado com as coisas é erroneamente supor que elas vão durar.  Culpar a nós mesmos ou culpar os outros é agarrar o vento. Se ressentir com a mudança é erroneamente supor que você tem uma escolha no assunto.” Ryan Holiday

 

As coisas vêm e vão.  A única coisa que permanece é sua capacidade de decidir o que a mudança significará para você.  Você pode ficar adaptável e resiliente. E você pode decidir não se apegar demais ao que quer que seja.

 

As coisas são impermanentes. De acordo com o sábio músico Lulu Santos: “Tudo muda o tempo todo no mundo”.

 

Não se apegue às coisas.  Tudo está em constante mudança.  As coisas vêm e vão.

 

“Isso também passará.”

 

Recapitulação rápida: o que você pode fazer para amar seu destino?  (1) Não-resistência: não resista ao que acontece com você. É bom do jeito que é, mesmo que seja uma droga.  Aceite como está e faça o melhor possível. (2) Não-julgamento: Não julgue o que quer que aconteça como bom ou mau.  Porque você não sabe. Algo pode parecer ruim, mas vai se tornar bom em um instante. Talvez seja bom. Talvez seja ruim.  (3) Desapego: não se apegue às coisas. Porque nada dura. Tudo está em constante mudança. O apego causará dor quando as coisas mudarem.  “Isso também passará.”

 

E agora?

 

“Aceite – então aja.  Seja qual for o momento presente, aceitar é como se você tivesse escolhido.  Sempre trabalhe com isso, não contra isso. Torne-se seu amigo e aliado, não seu inimigo.  Isso milagrosamente transformará sua vida.” Eckhart Tolle

 

Aprenda a aceitar seu destino. E então aprenda a amá-lo.

 

Você primeiro precisa aceitar o que quer que aconteça com você.  Uma vez que você puder aceitá-lo, você poderá tentar amá-lo.

 

O que quer que aconteça acontece especificamente para você, para o seu bem (Mesmo que não pareça assim, de início.)

 

Amor fati et carpe diem!

(Ame tudo o que acontece como acontece e aproveite o dia, o momento presente, o agora!)

 

Saudações, meus amigos estóicos,

 

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

 

Como reconhecer um estóico?

Como reconhecer um estóico?

Até alguns anos atrás, tudo o que ouvi dizer sobre o estoicismo foi o ditado “fazer algo com calma estóica”.

Esse dito soa bem para mim agora, mas na sociedade ainda está negativamente associado a uma atitude sem emoção e indiferente, de extrema frieza emocional.

Veja o Sr. Spock de Star Trek.  Ele é o cara clássico que reprime todas as suas emoções.  E ele foi modelado de acordo com uma compreensão ingênua e errônea do estoicismo.

Trata-se de um grande equívoco acreditar que os estóicos não têm emoções. Em verdade, a atitude estóica ideal é a de ter amizade e afeição para com os outros, ter empatia, e ter beleza de caráter, um caráter firme e virtuoso.

 

O EQUÍVOCO CLÁSSICO – OS ESTÓICOS NÃO TÊM EMOÇÕES

A imagem contemporânea de um estóico é a de uma pessoa sem emoções e que reprime os sentimentos.

Isto definitivamente não tem nada a ver com o Estoicismo! É um simples pré-conceito, um pré-julgamento que se tornou padrão na sociedade, graças à ignorância do que é o verdadeiro Estoicismo.

Este equívoco deriva da ideia estóica de que não devemos nos deixar levar pelas “paixões” doentias (e, portanto, irracionais) do desejo, da dor, do prazer e do medo.  É natural sentir essas emoções, mas não corresponde à nossa natureza humana racional agir ou reagir com base nessas emoções.

Os sentimentos são normais, todos nós sentimos, inclusive os estóicos. É impossível não sentir. Mas o estóico tenta não agir com base nos sentimentos, impulsiva e automaticamente, mas escolhe agir com base na razão. Portanto, ele sente as emoções, mas ele escolhe responder de acordo com o que ele acha que é a melhor maneira de responder, ou seja, racionalmente.

Há sentimentos automáticos que surgem dentro de nós e sobre os quais não temos controle algum, nós os sentiremos sempre, inevitavelmente.  Eles são como um reflexo emocional involuntário e automático, como o coração batendo mais rápido, axilas suadas, olhos corados ou lacrimejantes, desejos ou medo de altura.

Você não controla essas coisas e, portanto, precisa aceitá-las.  No entanto, você não precisa agir com base nelas.

Os estóicos tentaram usar a razão e o treinamento para não agir com os sentimentos, impulsiva e automaticamente.  Para que pudessem responder com razão e virtude ao que quer que sentissem.

É o que os animais não podem fazer.  Se um cachorro sentir o cheiro de carne, ele sente a vontade imediata de comê-la e  vai atrás dela, ele não tem como evitar esse impulso animal de maneira alguma, pois esta é a sua natureza.

Nós, como seres humanos, somos capazes de interferir no espaço de tempo entre nossas emoções e nossas ações.

Se cheirarmos aquele biscoito (ou chocolate, ou a sua comida preferida), podemos decidir se queremos comê-lo ou não.  Se vemos uma mulher ou um homem altamente desejável, que mexe com os nossos hormônios, ainda assim, podemos decidir se queremos ir atrás dela ou dele, ou não.

O estóico, portanto, não é uma pessoa de coração de pedra sem sentimentos.  Ele tem sentimentos, mas não é escravizado por eles. Isso não é o mesmo que ser duro de coração e insensível.  Se você pensar nas virtudes da coragem e da autodisciplina, então pode imaginar que os estóicos experimentam algo como medo e desejo – caso contrário, não haveria sentimentos a serem superados, em primeiro lugar.

Donald Robertson explica melhor:

“Um homem corajoso não é alguém que não sente nenhum traço de medo, mas alguém que age com coragem, apesar de sentir ansiedade e medo.  Um homem que tem grande autodisciplina ou restrição não é alguém que não perceba o desejo, mas alguém que supera seus desejos, abstendo-se de agir de acordo com eles. ”

Isso é brilhante!

O estóico é emotivo, como todos nós, mas simplesmente não é guiado por suas emoções.  Ele se eleva acima de suas reações emocionais iniciais e aplica a razão. Se uma emoção não melhorar sua situação, é provável que ela seja inútil e ele optará por não agir de acordo com ela, mas, sim, de acordo com a razão.

Mas essa emoção é o que eu sinto! – alguém pode estar pensando.  O estóico moderno Ryan Holiday tem a resposta perfeita para isso:

“Certo, ninguém disse nada sobre não sentir isso.  Ninguém disse que você nunca pode chorar. Esqueça a “masculinidade”. Se você precisar de um momento, por todos os meios, vá em frente.  A força real está no controle ou, como Nassim Taleb coloca, a domesticação de suas emoções, não em fingir que elas não existem. ”

 

DOMINE SUAS EMOÇÕES, NÃO FINJA QUE ELAS NÃO EXISTEM

Vamos ver o exemplo do luto.  Todo mundo conhece esse sentimento porque todos nós já perdemos alguém que estava perto de nós (ou a grande maioria de nós):

Sêneca disse: “É melhor conquistar o luto do que enganá-lo”. Portanto, devemos ir em frente e sentir a dor e aceitá-la como parte da vida, em vez de fugir dela.  Devemos enfrentar, processar e lidar com a emoção imediatamente, em vez de seguir o caminho mais agradável e nos escondermos dela.

“Podemos dizer que um paradoxo central do Estoicismo é, portanto, sua suposição de que, longe de ser insensível, o sábio ideal, amará os outros e, ao mesmo tempo, não será perturbado pelas inevitáveis ​​perdas e infortúnios que a vida inflige. Ele tem emoções e desejos naturais, mas não é dominado por eles e permanece guiado pela razão. ”- Donald Robertson

Assim, os estóicos sentem emoções e têm afeição por todas as pessoas.  Isso nos leva ao próximo ponto.

 

O AMOR ESTÓICO PELA HUMANIDADE

“Os estóicos acreditavam que somos essencialmente criaturas sociais, com uma ‘afeição natural’ e ‘afinidade’ para com todas as pessoas.  Isso forma a base da “filantropia” estóica, o amor racional aos nossos irmãos e cidadãos no universo. Uma boa pessoa “demonstra amor por todos os outros seres humanos, bem como bondade, justiça e preocupação com o próximo”, e pelo bem-estar de sua cidade natal (Musonius, Lectures, 14). “- Donald Robertson

Os seres humanos são seres racionais e sociais.

Embora tenhamos aprendido que a amizade e as outras pessoas são indiferentes, elas são muito preferidas. Os estóicos preferem viver com um amigo, um vizinho e um companheiro de casa, mas não dependem deles para a Boa Vida.

Basicamente, os estóicos são capazes de viver a vida eudaimônica sem um amigo, mas preferem não ficar sem um.  Por quê? Por causa de sua afeição natural pela humanidade e porque eles podem praticar as virtudes muito melhor ao redor de outras pessoas (pense na justiça e na coragem).

“Devemos fazer o bem aos outros da maneira mais simples, como um cavalo corre, ou uma abelha faz mel, ou uma videira produz uvas uma estação após outra sem pensar nas uvas que produziu”.

Marco Aurélio

É da nossa natureza humana fazer o bem aos outros e não devemos nos importar se eles se importam ou não.  Marco Aurélio chega a dizer que todas as nossas ações devem ser boas “para o bem comum”. Essa é a nossa natureza, é o nosso trabalho.

E ele podia praticar isso muito bem, já que ele era o Imperador Romano. Não gostaríamos que as pessoas no poder tivessem apenas o bem comum em mente e não o seu próprio? (Os nossos políticos atuais, infelizmente, fazem exatamente o contrário).

A principal razão para agir pelo bem-estar comum é a virtude subjacente da justiça.  Vivemos de acordo com a virtude e, portanto, nos beneficiamos quando agimos pelo bem comum.  Além disso, quanto melhor a pessoa se desenvolver, melhor ele poderá servir à humanidade. Como Rudolf Steiner disse: “Se a rosa se adornar, ela adorna o jardim”.

“O homem nasce por atos de bondade;  e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez algo para devolver a bondade de que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ” Marco Aurélio

Faça o bem por fazer o bem!  Não espere nada em troca. Lembre-se, a virtude é a sua própria recompensa.

E se os outros fizerem errado?

Os estóicos acreditavam que ninguém erra de propósito.  As pessoas agem da maneira que acham que é melhor para elas, pensando estar agindo corretamente.  Elas não conhecem nada melhor, ignoram o que é realmente agir bem. Massimo Pigliucci explica isso bem:

“O malfeitor não entende que está prejudicando a si mesmo em primeiro lugar, porque sofre de amathia, falta de conhecimento do que é verdadeiramente bom para si mesmo.  E o que é bom para ele é o mesmo que é bom para todos os seres humanos, de acordo com os estóicos: aplicar a razão para melhorar a vida social ”.

O malfeitor faz mal a si mesmo.  Não devemos culpá-los, mas sim ter pena deles.  Como Epicteto disse: “Como temos pena dos cegos e dos coxos, também devemos ter pena daqueles que estão cegos e lamentados em suas faculdades mais soberanas.  O homem que se lembra disso, eu digo, não ficará zangado com ninguém, indignado com ninguém, não insultará ninguém, não culpará ninguém, não odiará ninguém, não ofenderá ninguém. ”

Não odeie o malfeitor, ele não conhece nada melhor. Ou, como no dito cristão: “Eles não sabem o que fazem”. É o seu trabalho, porque você sabe, agir como um exemplo e fazer a coisa certa pelo seu próprio bem e pelo bem de todos.  Faça isso por si mesmo (ao mesmo tempo, isso beneficiará todos os demais).

É o que você faz que importa.  É o que você faz que constrói o seu caráter.

 

A VERDADEIRA BELEZA ESTÁ NO CARÁTER

“O monge se veste com suas vestes.  Um padre coloca seu colarinho. Um banqueiro usa um terno caro e carrega uma maleta.  Um estóico não tem uniforme e não se assemelha a estereótipo algum. Eles não são identificáveis ​​pelo olhar, pela visão ou pelo som. Qual é a única maneira de reconhecê-los?  Por seu caráter. ” Ryan Holiday

A única maneira de reconhecer um verdadeiro estóico é por seu caráter.

A porta para desenvolver um bom caráter está aberta para todos.  Não importa se você é rico ou pobre, saudável ou doente, alto ou pequeno, magro ou gordinho, pode sempre tentar viver uma vida moral, virtuosa, e, assim, viver a Boa Vida.

“Para um estóico, em última análise, não importa se pensamos que o Logos é Deus ou Natureza, desde que reconheçamos que uma vida humana decente é sobre o cultivo do caráter e a preocupação com as outras pessoas (e até mesmo com a própria Natureza) e é melhor apreciado por meio de um distanciamento adequado – mas não fanático – de meros bens mundanos. ” Massimo Pigliucci

O cultivo do caráter é o bem maior. Portanto, para os estóicos, a verdadeira beleza está na excelência de nossa mente e caráter e não em nossa aparência física.  Epicteto diz que devemos procurar “embelezar aquilo que é nossa verdadeira natureza – a razão, seus julgamentos, suas atividades”.

O verdadeiro valor de uma pessoa está em sua essência, em seu caráter ou personalidade, e não importa se é um banqueiro ou padeiro.

Seu caráter é a única posse verdadeira que você jamais terá.  Tudo o resto é temporário e pode lhe ser tirado. Um verdadeiro estóico não negociará nada se o prêmio for um comprometimento de seu caráter.

“Seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, e se você interagir com bons juízes de caráter, é tudo o que você precisa.” – Massimo Pigliucci

Eu iria mais longe do que Pigliucci e diria que seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, não importa o que aconteça.  Todos os maus juízes de caráter lá fora podem impedi-lo a curto prazo, mas certamente não a longo prazo.

Isso não é poker, onde você pode perder, apesar de ter as melhores cartas em suas mãos.  Na vida, você ganhará quando desenvolver as melhores virtudes de caráter possíveis. É simples assim.

Então, como é um caráter tão bom?

 

O CARÁTER ESTÓICO IDEAL – O SÁBIO ESTÓICO

A verdadeira beleza está no caráter. Então, como é um Adônis de caráter?

Os estóicos realmente tinham um ideal hipotético, o sábio estóico.  Em suma, ele é uma pessoa perfeitamente sábia e boa. Donald Robertson descreve perfeitamente o Sábio Estóico:

“O Sábio é supremamente virtuoso, um ser humano perfeito e a aproximação mortal mais próxima de Zeus.  Ele é uma pessoa completamente boa, que vive uma vida completamente boa e “suavemente fluente” de total serenidade, ele alcançou a perfeita felicidade e satisfação (eudaimonia).  Ele vive em total harmonia consigo mesmo, com o resto da humanidade e com a natureza como um todo, porque ele segue a razão e aceita seu destino graciosamente, na medida em que está além de seu controle.  Ele subiu acima dos desejos e emoções irracionais, para alcançar a paz de espírito. Embora ele prefira viver o tempo que for apropriado e desfrute do “festival” da vida, ele não tem medo de sua própria morte.  Ele possui suprema sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina. Seu caráter é absolutamente louvável, honrado e belo ”. Donald Robertson

Uau!  Não admira que ele seja hipotético.

(A propósito, esta descrição do Sábio Estóico ideal resume bem os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Se você não leu os posts sobre eles, leia-os. Neles você encontrará a essência do que é o Estoicismo.)

Os estóicos usavam esse ideal fictício para contemplar e comparar-se.  Assim como um modelo, eles podem se comparar a ele enquanto estão tentando progredir em direção à uma vida virtuosa, à Boa Vida.

Para Epicteto, Sócrates era a personificação do mundo real do Sábio e ele aconselhava seus alunos a viverem como Sócrates:

“Sócrates se cumpriu não atendendo a nada além da razão em tudo que encontrou.  E você, embora ainda não seja um Sócrates, deve viver como alguém que pelo menos quer ser um Sócrates”. Epicteto

Todos poderíamos e deveríamos tentar ser um Sócrates.

Sócrates

Essa é uma grande ajuda na vida cotidiana, pergunte a si mesmo: “O que o Sábio faria?” Ou “O que o Sábio me diria para fazer?”

Você pode até modificar a pergunta dependendo da situação em que está. Por exemplo:

“O que o pai perfeito faria?”

“O que o amigo perfeito faria?”

“O que o funcionário perfeito faria?”

Os estóicos tentavam manter tal exemplo constantemente diante de seus olhos, de modo que eles mesmos vivessem como exemplo e se aproximassem cada vez mais da virtude.

Aqui estão as 10 afirmações que, aos meus olhos, descrevem a personalidade estóica:

Ele é sereno e confiante, não importa o desafio que apareça na vida dele.

Ela age de acordo com a razão e não com a emoção.

Ele se concentra no que controla e não se preocupa com o que não pode controlar.

Ela aceita o destino graciosamente e tenta fazer o melhor possível.

Ele aprecia o que ele tem e nunca se queixa.

Ela é gentil, generosa e perdoadora em relação aos outros.

Suas ações são prudentes e ele assume total responsabilidade sobre elas.

Ela é calma e não é apegada às coisas externas.

Ele possui sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina.

Ela vive em harmonia consigo mesmo, com a humanidade e com a natureza.

Enfim, ser estóico é viver de acordo com a natureza em geral, com a natureza humana e com sua própria natureza, sua verdade mais profunda. Ser estóico é praticar os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Ser estóico, em suma, é viver uma vida virtuosa, com prudência, moralidade, coragem e moderação, para consigo e para com todos e, assim, viver a Boa Vida!

Sejamos, dia-a-dia, melhores estóicos, nos tornando progressivamente a melhor versão de nós mesmos!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

As quatro virtudes estóicas essenciais

As quatro virtudes estóicas essenciais

 

Os estóicos freqüentemente se referem às quatro virtudes essenciais da filosofia grega: prudência, justiça, fortaleza e temperança.  (Ou se você preferir: sabedoria, moralidade, coragem e moderação.)

[Este é um artigo mais acadêmico, com termos mais complexos. Todavia, necessário para a nossa compreensão da origem e dos reais significados das virtudes estóicas essenciais. Mas, não se assustem, voltaremos a falar dessas virtudes inúmeras vezes, inclusive com casos práticos, para que possamos saber cada vez mais como agir de maneira mais virtuosa e, com isso, nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos e vivermos a Boa Vida.]

Não se sabe de onde esta classificação se originou.  Parece voltar até Platão ou Sócrates, embora provavelmente ainda mais longe.  Este era um esquema convencional muito antigo para entender a virtude. Os estóicos não parecem ter assumido que era a única ou a melhor maneira de conceituar as virtudes.  Muitas vezes preferem pensar na virtude, de uma perspectiva ligeiramente diferente, como viver em harmonia com a natureza em três níveis diferentes. De certa forma, esses modelos se sobrepõem.

No entanto, as virtudes essenciais mantiveram-se populares como forma de interpretar a ética filosófica antiga através dos tempos.  Uma de minhas hesitações em introduzir os recém-chegados ao estoicismo por meio desse modelo é que as palavras gregas são difíceis de traduzir para o português moderno e os significados provavelmente também foram um pouco esticados pelos estóicos para se adequarem à sua filosofia.  É uma classificação um pouco inadequada, embora seja simples e atraente, por isso não devemos ficar presos em interpretá-la literalmente, como se essas palavras fossem a única maneira de descrever a virtude.

As pessoas muitas vezes discutem as definições dos termos filosóficos gregos, o que pode levar a algumas traduções bastante especulativas.  Acredite ou não, na verdade, temos um dicionário filosófico grego que sobrevive desde o tempo de Platão. É chamado de Definições, e acredita-se que provavelmente tenha sido escrito por um dos seguidores de Platão na Academia.  Portanto, não há definições estóicas das virtudes, mas saber como os platonistas as definiram certamente nos ajuda muito. Por exemplo, foi assim que a Academia definiu a palavra “virtude” em si:

Aretê (virtude / excelência).  A melhor disposição; o estado de uma criatura mortal que é em si louvável;  o estado por conta do qual seu possuidor é considerado bom; a justa observância das leis;  a disposição por conta da qual aquele que é tão disposto é dito ser perfeitamente excelente;  o estado que produz fidelidade à lei.

Também vale a pena mencionar a eudaimonia, notoriamente complicada, que é convencionalmente traduzida como “felicidade”, embora a maioria dos estudiosos concorde que essa é uma tradução equivocada.  Seu significado está mais próximo do sentido arcaico da palavra “felicidade”, que era o oposto de infeliz. Uma tradução melhor seria “cumprimento” ou “florescimento”, como você pode ver na definição acadêmica.

Eudaimonia (felicidade / realização).  O bem composto de todos os bens; uma habilidade que basta para viver bem;  perfeição em respeito à virtude; recursos suficientes para uma criatura viva.

Este será um post um pouco mais acadêmico do que alguns.  Eu listei as quatro virtudes essenciais abaixo com as definições da Academia de Platão e também algumas notas sobre o que os primeiros fragmentos estóicos dizem em Diógenes Laércio, Stobaeus, etc. Eu não fiz referência a tudo extensivamente aqui por uma questão de brevidade. (É apenas uma postagem rápida no blog). No entanto, você encontrará a maioria dessas informações nos fragmentos estóicos de Diógenes Laércio e Stobaeus, no livro “Inner Citadel” de A. Hadot e no de A.A. Long, “Epictetus”.

 

AS QUATRO VIRTUDES ESSENCIAIS

Phronêsis (prudência / sabedoria prática)

A capacidade que por si só é produtora da felicidade humana;  o conhecimento do que é bom e ruim; o conhecimento que produz felicidade;  a disposição pela qual julgamos o que deve ser feito e o que não deve ser feito.

De certo modo, todas as virtudes podem ser entendidas como sabedoria aplicada às nossas ações ou sabedoria moral.  A prudência é a mais importante e mais geral das virtudes estóicas, porque se refere ao conhecimento firmemente apreendido do que é bom, mau e indiferente na vida.  Em outras palavras, entender as coisas mais importantes da vida ou compreender o valor das coisas racionalmente. O oposto é o vício da ignorância. Mais crucialmente para os estóicos, significa firmemente apreender a natureza do bem: entender que a virtude ou sabedoria em si é o único bem verdadeiro e viver de acordo com isso.  A prudência está, portanto, intimamente relacionada com o próprio significado da palavra “filosofia”: amor à sabedoria.

No entanto, também pode se referir à nossa capacidade de discernir racionalmente o valor (axia) de diferentes coisas externas, ou seja, distinguir sabiamente entre os indiferentes, sabendo qualificá-los como preferidos ou não preferidos e, principalmente, sabendo como agir frente a eles.  (Um ponto discutido em detalhes pelo Estóico Catão de Utica no “De Finibus” de Cícero.) Marco Aurélio se refere a isso como agir e responder às coisas “de acordo com o valor”, ou seja, de acordo com a virtude. Stobaeus igualmente diz que os primeiros estóicos definiram como conhecer a natureza do bem e do mal, entendendo as coisas indiferentes, e sabendo o que seria a “ação apropriada” sob diferentes circunstâncias.  Diógenes Laércio diz que Crisipo e outros subdividiram a prudência em bons conselhos (euboulia) e entendimento (sunesis). Isso é intrigante porque vincula a prudência à retórica estóica e a capacidade de comunicar a verdade de maneira apropriada a outras pessoas, com honestidade, mas com tato, como a maneira como Marco Aurélio descreveu seus sábios mestres estóicos expressando suas doutrinas. Também está claro que os estóicos acreditavam que o sábio é capaz de oferecer bons conselhos.

Os estóicos dividiam sua filosofia em três pilares: a lógica, a ética e a física.  Eles podem ter ligado a Prudência ao tema da Lógica Estóica, que abrangia a epistemologia e a psicologia, e parece relacionado às práticas que Epicteto chamava de Disciplina do Assentimento ou da Aceitação.

Dikaiosunê (justiça / moralidade)

A unidade da alma consigo mesma e a boa disciplina das partes da alma em relação umas às outras e concernentes umas às outras;  o estado que distribui a cada pessoa de acordo com o que é merecido; o estado pelo qual seu possuidor escolhe o que lhe parece ser justo;  o estado subjacente a um modo de vida que respeita a lei; igualdade social; o estado de obediência às leis.

Esta é talvez a tradução mais problemática.  Nossa palavra moderna “justiça” parece muito formal ou estreita para o que os estóicos queriam dizer. Para os estóicos, justiça não significam apenas o que é legal, está de acordo com as leis, no sentido jurídico do termo, mas o que é moral em nossas relações com os outros de forma mais geral.  Por exemplo, eles utilizam a justiça de forma bastante a abrangente, chegando a incluir a atitude da mãe correta em relação aos filhos ou o senso de piedade em relação aos deuses. No passado, portanto, foi muitas vezes traduzido mais amplamente como “justiça”, ou alguns autores modernos simplesmente se referem a ela como virtude social ou virtude moral.  Seu vício oposto ocorre quando somos injustos ou fazemos mal para outra pessoa moralmente.

Era composto principalmente das virtudes subordinadas de bondade e justiça. Assim, embora possa não ser aparente da palavra “justiça”, este é um conceito muito mais amplo de virtude social, que engloba as numerosas referências à bondade, benevolência ou boa vontade em relação aos outros encontradas nos escritos estóicos, particularmente nas “Meditações” de Marco Aurélio.  De fato, Marco Aurélio diz que a justiça é a mais importante das virtudes.

Você pode ver a justiça em grande medida como a sabedoria moral aplicada às nossas ações, particularmente em relação às outras pessoas individualmente ou à sociedade como um todo.  Stobaeus diz que é o conhecimento da distribuição do valor apropriado para cada pessoa ou de “distribuições” justas, ou seja, em relação aos indiferentes preferidos ou não preferidos (as coisas externas).  Diógenes Laércio diz que os estóicos dividiram a justiça principalmente em imparcialidade (isotês) e gentileza / cortesia (eugnômosunê). Pode ter se correlacionado com o pilar Estóico da Ética, incluindo a política, e o que Epicteto chama de Disciplina de Ação aplicada (ou Impulso para Agir, referindo-se a nossas intenções voluntárias).

Sôphrosunê (temperança / moderação)

Moderação da alma em relação aos desejos e prazeres que normalmente ocorrem nela;  harmonia e boa disciplina na alma em relação aos prazeres e dores normais; concordância da alma em relação a governar e ser governado;  independência pessoal normal; boa disciplina na alma; acordo racional dentro da alma sobre o que é admirável e desprezível; o estado pelo qual seu possuidor escolhe e é cauteloso sobre o que deveria.

Este também é um termo um pouco difícil em alguns aspectos.  Refere-se à moderação ou autodisciplina / autocontrole, mas também à autoconsciência ou autocontrole.  Poderíamos até ver a temperança ou moderação como intimamente relacionada ao que muitas pessoas hoje querem dizer com “atenção plena”.  É o oposto do vício chamado “devassidão” ou “licenciosidade”. As muitas referências a sentimentos apropriados de “vergonha” em Epicteto estão relacionadas a essa virtude e podemos vê-la como (muito) vagamente relacionada à idéia cristã de consciência moral.  Stobaeus diz que implica o conhecimento do “que deve ser escolhido ou evitado” no domínio dos “impulsos”, isto é, orienta as nossas intenções de agir em certos desejos. Diógenes Laércio diz que os estóicos definiram moderação principalmente como boa autodisciplina (eutaxia) e propriedade / decoro (kosmistês).

Surpreendentemente, alguns acadêmicos, mais notavelmente Pierre Hadot, vêem a temperança ou moderação e a fortaleza ou coragem como sendo as virtudes correspondentes ao pilar da Física Estóica e à Disciplina do Medo e do Desejo, de Epicteto, que também poderíamos chamar de Terapia Estóica das Paixões.  Isso é mais fácil de entender quando observamos muitos dos exercícios estóicos relacionados à física e à cosmologia. Ao ver os acontecimentos de maneira imparcial, como um filósofo natural ou um médico, os estóicos pretendiam alcançar uma “Representação Objetiva” deles, suspendendo quaisquer julgamentos de bom ou mau e, portanto, eliminando o medo e o desejo.  Pense na noção moderna de desapego e objetividade científicos. Da mesma forma, Hadot refere-se à prática estóica de imaginar todo o espaço e o tempo como a Visão de Cima ou a perspectiva cósmica. Isso está obviamente relacionado à cosmologia e à Física, mas os estóicos empregaram-na para se elevar acima de seus medos e desejos e alcançar a apatéia ou a liberdade de paixões não saudáveis ​​e apego às coisas externas.

 

Andreia (fortaleza / coragem)

O estado da alma que não é movido pelo medo;  confiança militar; conhecimento dos fatos da guerra;  autodomínio da alma sobre o que é terrível; ousadia em obediência à sabedoria;  ser intrépido diante da morte; o estado que fica de guarda sobre o pensamento correto em situações perigosas;  força que contrabalança o perigo; força de fortaleza em relação à virtude; acalme-se na alma sobre o que o pensamento correto considera assustador ou encorajador;  a preservação de crenças destemidas sobre os terrores e experiências de guerra; o estado que se apega à lei.

Essa é uma das virtudes mais simples.  Significa claramente coragem, embora os estóicos também a estendam para incluir a resistência à dor e ao desconforto mais genericamente.  É o oposto do vício da “covardia”. Parece formar um par com a virtude da moderação. Ambos se referem ao mestre das paixões: moderação sobre os desejos e coragem sobre os medos.  Assim, eles provavelmente se correlacionam também com o famoso slogan de Epicteto: suportar e renunciar. A virtude da coragem nos permite suportar o medo e a virtude da moderação, renunciar aos desejos doentios.

Como Sêneca observou, paradoxalmente, essas virtudes não podem existir sem pelo menos algum traço de medo e desejo que não dominamos, e os estóicos insistem que mesmo o Sábio perfeito requer moderação e coragem porque ele ainda está sujeito aos primeiros movimentos de paixão ou “proto-paixões”(propatheiai).  Sêneca explica isso em detalhes em “Sobre a ira” e em outros lugares, mas também é muito vividamente descrito por Epicteto, como relatado pela história de Aulus Gellius do professor estóico capturado em uma tempestade no mar.

Stobaeus diz que os estóicos definiram a coragem como o conhecimento do que é terrível, do que não é terrível e do que não é nem “firme”, isto é, perseverança guiada pela sabedoria.  Diógenes Laércio diz que eles dividiram coragem principalmente em constância / determinação (aparallaxia) e tensão / vigor (eutonia). Esta última virtude pode corresponder, juntamente com a coragem, à Física Estóica, como descrita acima, e também à Disciplina do Medo e do Desejo, de Epicteto.

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Artigo de autoria de Donald Robertson, disponível em: https://donaldrobertson.name/2018/01/18/what-do-the-stoic-virtues-mean/. Tradução livre, com adaptações e acréscimos meus.