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Como reconhecer um estóico?

Como reconhecer um estóico?

Até alguns anos atrás, tudo o que ouvi dizer sobre o estoicismo foi o ditado “fazer algo com calma estóica”.

Esse dito soa bem para mim agora, mas na sociedade ainda está negativamente associado a uma atitude sem emoção e indiferente, de extrema frieza emocional.

Veja o Sr. Spock de Star Trek.  Ele é o cara clássico que reprime todas as suas emoções.  E ele foi modelado de acordo com uma compreensão ingênua e errônea do estoicismo.

Trata-se de um grande equívoco acreditar que os estóicos não têm emoções. Em verdade, a atitude estóica ideal é a de ter amizade e afeição para com os outros, ter empatia, e ter beleza de caráter, um caráter firme e virtuoso.

 

O EQUÍVOCO CLÁSSICO – OS ESTÓICOS NÃO TÊM EMOÇÕES

A imagem contemporânea de um estóico é a de uma pessoa sem emoções e que reprime os sentimentos.

Isto definitivamente não tem nada a ver com o Estoicismo! É um simples pré-conceito, um pré-julgamento que se tornou padrão na sociedade, graças à ignorância do que é o verdadeiro Estoicismo.

Este equívoco deriva da ideia estóica de que não devemos nos deixar levar pelas “paixões” doentias (e, portanto, irracionais) do desejo, da dor, do prazer e do medo.  É natural sentir essas emoções, mas não corresponde à nossa natureza humana racional agir ou reagir com base nessas emoções.

Os sentimentos são normais, todos nós sentimos, inclusive os estóicos. É impossível não sentir. Mas o estóico tenta não agir com base nos sentimentos, impulsiva e automaticamente, mas escolhe agir com base na razão. Portanto, ele sente as emoções, mas ele escolhe responder de acordo com o que ele acha que é a melhor maneira de responder, ou seja, racionalmente.

Há sentimentos automáticos que surgem dentro de nós e sobre os quais não temos controle algum, nós os sentiremos sempre, inevitavelmente.  Eles são como um reflexo emocional involuntário e automático, como o coração batendo mais rápido, axilas suadas, olhos corados ou lacrimejantes, desejos ou medo de altura.

Você não controla essas coisas e, portanto, precisa aceitá-las.  No entanto, você não precisa agir com base nelas.

Os estóicos tentaram usar a razão e o treinamento para não agir com os sentimentos, impulsiva e automaticamente.  Para que pudessem responder com razão e virtude ao que quer que sentissem.

É o que os animais não podem fazer.  Se um cachorro sentir o cheiro de carne, ele sente a vontade imediata de comê-la e  vai atrás dela, ele não tem como evitar esse impulso animal de maneira alguma, pois esta é a sua natureza.

Nós, como seres humanos, somos capazes de interferir no espaço de tempo entre nossas emoções e nossas ações.

Se cheirarmos aquele biscoito (ou chocolate, ou a sua comida preferida), podemos decidir se queremos comê-lo ou não.  Se vemos uma mulher ou um homem altamente desejável, que mexe com os nossos hormônios, ainda assim, podemos decidir se queremos ir atrás dela ou dele, ou não.

O estóico, portanto, não é uma pessoa de coração de pedra sem sentimentos.  Ele tem sentimentos, mas não é escravizado por eles. Isso não é o mesmo que ser duro de coração e insensível.  Se você pensar nas virtudes da coragem e da autodisciplina, então pode imaginar que os estóicos experimentam algo como medo e desejo – caso contrário, não haveria sentimentos a serem superados, em primeiro lugar.

Donald Robertson explica melhor:

“Um homem corajoso não é alguém que não sente nenhum traço de medo, mas alguém que age com coragem, apesar de sentir ansiedade e medo.  Um homem que tem grande autodisciplina ou restrição não é alguém que não perceba o desejo, mas alguém que supera seus desejos, abstendo-se de agir de acordo com eles. ”

Isso é brilhante!

O estóico é emotivo, como todos nós, mas simplesmente não é guiado por suas emoções.  Ele se eleva acima de suas reações emocionais iniciais e aplica a razão. Se uma emoção não melhorar sua situação, é provável que ela seja inútil e ele optará por não agir de acordo com ela, mas, sim, de acordo com a razão.

Mas essa emoção é o que eu sinto! – alguém pode estar pensando.  O estóico moderno Ryan Holiday tem a resposta perfeita para isso:

“Certo, ninguém disse nada sobre não sentir isso.  Ninguém disse que você nunca pode chorar. Esqueça a “masculinidade”. Se você precisar de um momento, por todos os meios, vá em frente.  A força real está no controle ou, como Nassim Taleb coloca, a domesticação de suas emoções, não em fingir que elas não existem. ”

 

DOMINE SUAS EMOÇÕES, NÃO FINJA QUE ELAS NÃO EXISTEM

Vamos ver o exemplo do luto.  Todo mundo conhece esse sentimento porque todos nós já perdemos alguém que estava perto de nós (ou a grande maioria de nós):

Sêneca disse: “É melhor conquistar o luto do que enganá-lo”. Portanto, devemos ir em frente e sentir a dor e aceitá-la como parte da vida, em vez de fugir dela.  Devemos enfrentar, processar e lidar com a emoção imediatamente, em vez de seguir o caminho mais agradável e nos escondermos dela.

“Podemos dizer que um paradoxo central do Estoicismo é, portanto, sua suposição de que, longe de ser insensível, o sábio ideal, amará os outros e, ao mesmo tempo, não será perturbado pelas inevitáveis ​​perdas e infortúnios que a vida inflige. Ele tem emoções e desejos naturais, mas não é dominado por eles e permanece guiado pela razão. ”- Donald Robertson

Assim, os estóicos sentem emoções e têm afeição por todas as pessoas.  Isso nos leva ao próximo ponto.

 

O AMOR ESTÓICO PELA HUMANIDADE

“Os estóicos acreditavam que somos essencialmente criaturas sociais, com uma ‘afeição natural’ e ‘afinidade’ para com todas as pessoas.  Isso forma a base da “filantropia” estóica, o amor racional aos nossos irmãos e cidadãos no universo. Uma boa pessoa “demonstra amor por todos os outros seres humanos, bem como bondade, justiça e preocupação com o próximo”, e pelo bem-estar de sua cidade natal (Musonius, Lectures, 14). “- Donald Robertson

Os seres humanos são seres racionais e sociais.

Embora tenhamos aprendido que a amizade e as outras pessoas são indiferentes, elas são muito preferidas. Os estóicos preferem viver com um amigo, um vizinho e um companheiro de casa, mas não dependem deles para a Boa Vida.

Basicamente, os estóicos são capazes de viver a vida eudaimônica sem um amigo, mas preferem não ficar sem um.  Por quê? Por causa de sua afeição natural pela humanidade e porque eles podem praticar as virtudes muito melhor ao redor de outras pessoas (pense na justiça e na coragem).

“Devemos fazer o bem aos outros da maneira mais simples, como um cavalo corre, ou uma abelha faz mel, ou uma videira produz uvas uma estação após outra sem pensar nas uvas que produziu”.

Marco Aurélio

É da nossa natureza humana fazer o bem aos outros e não devemos nos importar se eles se importam ou não.  Marco Aurélio chega a dizer que todas as nossas ações devem ser boas “para o bem comum”. Essa é a nossa natureza, é o nosso trabalho.

E ele podia praticar isso muito bem, já que ele era o Imperador Romano. Não gostaríamos que as pessoas no poder tivessem apenas o bem comum em mente e não o seu próprio? (Os nossos políticos atuais, infelizmente, fazem exatamente o contrário).

A principal razão para agir pelo bem-estar comum é a virtude subjacente da justiça.  Vivemos de acordo com a virtude e, portanto, nos beneficiamos quando agimos pelo bem comum.  Além disso, quanto melhor a pessoa se desenvolver, melhor ele poderá servir à humanidade. Como Rudolf Steiner disse: “Se a rosa se adornar, ela adorna o jardim”.

“O homem nasce por atos de bondade;  e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez algo para devolver a bondade de que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ” Marco Aurélio

Faça o bem por fazer o bem!  Não espere nada em troca. Lembre-se, a virtude é a sua própria recompensa.

E se os outros fizerem errado?

Os estóicos acreditavam que ninguém erra de propósito.  As pessoas agem da maneira que acham que é melhor para elas, pensando estar agindo corretamente.  Elas não conhecem nada melhor, ignoram o que é realmente agir bem. Massimo Pigliucci explica isso bem:

“O malfeitor não entende que está prejudicando a si mesmo em primeiro lugar, porque sofre de amathia, falta de conhecimento do que é verdadeiramente bom para si mesmo.  E o que é bom para ele é o mesmo que é bom para todos os seres humanos, de acordo com os estóicos: aplicar a razão para melhorar a vida social ”.

O malfeitor faz mal a si mesmo.  Não devemos culpá-los, mas sim ter pena deles.  Como Epicteto disse: “Como temos pena dos cegos e dos coxos, também devemos ter pena daqueles que estão cegos e lamentados em suas faculdades mais soberanas.  O homem que se lembra disso, eu digo, não ficará zangado com ninguém, indignado com ninguém, não insultará ninguém, não culpará ninguém, não odiará ninguém, não ofenderá ninguém. ”

Não odeie o malfeitor, ele não conhece nada melhor. Ou, como no dito cristão: “Eles não sabem o que fazem”. É o seu trabalho, porque você sabe, agir como um exemplo e fazer a coisa certa pelo seu próprio bem e pelo bem de todos.  Faça isso por si mesmo (ao mesmo tempo, isso beneficiará todos os demais).

É o que você faz que importa.  É o que você faz que constrói o seu caráter.

 

A VERDADEIRA BELEZA ESTÁ NO CARÁTER

“O monge se veste com suas vestes.  Um padre coloca seu colarinho. Um banqueiro usa um terno caro e carrega uma maleta.  Um estóico não tem uniforme e não se assemelha a estereótipo algum. Eles não são identificáveis ​​pelo olhar, pela visão ou pelo som. Qual é a única maneira de reconhecê-los?  Por seu caráter. ” Ryan Holiday

A única maneira de reconhecer um verdadeiro estóico é por seu caráter.

A porta para desenvolver um bom caráter está aberta para todos.  Não importa se você é rico ou pobre, saudável ou doente, alto ou pequeno, magro ou gordinho, pode sempre tentar viver uma vida moral, virtuosa, e, assim, viver a Boa Vida.

“Para um estóico, em última análise, não importa se pensamos que o Logos é Deus ou Natureza, desde que reconheçamos que uma vida humana decente é sobre o cultivo do caráter e a preocupação com as outras pessoas (e até mesmo com a própria Natureza) e é melhor apreciado por meio de um distanciamento adequado – mas não fanático – de meros bens mundanos. ” Massimo Pigliucci

O cultivo do caráter é o bem maior. Portanto, para os estóicos, a verdadeira beleza está na excelência de nossa mente e caráter e não em nossa aparência física.  Epicteto diz que devemos procurar “embelezar aquilo que é nossa verdadeira natureza – a razão, seus julgamentos, suas atividades”.

O verdadeiro valor de uma pessoa está em sua essência, em seu caráter ou personalidade, e não importa se é um banqueiro ou padeiro.

Seu caráter é a única posse verdadeira que você jamais terá.  Tudo o resto é temporário e pode lhe ser tirado. Um verdadeiro estóico não negociará nada se o prêmio for um comprometimento de seu caráter.

“Seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, e se você interagir com bons juízes de caráter, é tudo o que você precisa.” – Massimo Pigliucci

Eu iria mais longe do que Pigliucci e diria que seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, não importa o que aconteça.  Todos os maus juízes de caráter lá fora podem impedi-lo a curto prazo, mas certamente não a longo prazo.

Isso não é poker, onde você pode perder, apesar de ter as melhores cartas em suas mãos.  Na vida, você ganhará quando desenvolver as melhores virtudes de caráter possíveis. É simples assim.

Então, como é um caráter tão bom?

 

O CARÁTER ESTÓICO IDEAL – O SÁBIO ESTÓICO

A verdadeira beleza está no caráter. Então, como é um Adônis de caráter?

Os estóicos realmente tinham um ideal hipotético, o sábio estóico.  Em suma, ele é uma pessoa perfeitamente sábia e boa. Donald Robertson descreve perfeitamente o Sábio Estóico:

“O Sábio é supremamente virtuoso, um ser humano perfeito e a aproximação mortal mais próxima de Zeus.  Ele é uma pessoa completamente boa, que vive uma vida completamente boa e “suavemente fluente” de total serenidade, ele alcançou a perfeita felicidade e satisfação (eudaimonia).  Ele vive em total harmonia consigo mesmo, com o resto da humanidade e com a natureza como um todo, porque ele segue a razão e aceita seu destino graciosamente, na medida em que está além de seu controle.  Ele subiu acima dos desejos e emoções irracionais, para alcançar a paz de espírito. Embora ele prefira viver o tempo que for apropriado e desfrute do “festival” da vida, ele não tem medo de sua própria morte.  Ele possui suprema sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina. Seu caráter é absolutamente louvável, honrado e belo ”. Donald Robertson

Uau!  Não admira que ele seja hipotético.

(A propósito, esta descrição do Sábio Estóico ideal resume bem os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Se você não leu os posts sobre eles, leia-os. Neles você encontrará a essência do que é o Estoicismo.)

Os estóicos usavam esse ideal fictício para contemplar e comparar-se.  Assim como um modelo, eles podem se comparar a ele enquanto estão tentando progredir em direção à uma vida virtuosa, à Boa Vida.

Para Epicteto, Sócrates era a personificação do mundo real do Sábio e ele aconselhava seus alunos a viverem como Sócrates:

“Sócrates se cumpriu não atendendo a nada além da razão em tudo que encontrou.  E você, embora ainda não seja um Sócrates, deve viver como alguém que pelo menos quer ser um Sócrates”. Epicteto

Todos poderíamos e deveríamos tentar ser um Sócrates.

Sócrates

Essa é uma grande ajuda na vida cotidiana, pergunte a si mesmo: “O que o Sábio faria?” Ou “O que o Sábio me diria para fazer?”

Você pode até modificar a pergunta dependendo da situação em que está. Por exemplo:

“O que o pai perfeito faria?”

“O que o amigo perfeito faria?”

“O que o funcionário perfeito faria?”

Os estóicos tentavam manter tal exemplo constantemente diante de seus olhos, de modo que eles mesmos vivessem como exemplo e se aproximassem cada vez mais da virtude.

Aqui estão as 10 afirmações que, aos meus olhos, descrevem a personalidade estóica:

Ele é sereno e confiante, não importa o desafio que apareça na vida dele.

Ela age de acordo com a razão e não com a emoção.

Ele se concentra no que controla e não se preocupa com o que não pode controlar.

Ela aceita o destino graciosamente e tenta fazer o melhor possível.

Ele aprecia o que ele tem e nunca se queixa.

Ela é gentil, generosa e perdoadora em relação aos outros.

Suas ações são prudentes e ele assume total responsabilidade sobre elas.

Ela é calma e não é apegada às coisas externas.

Ele possui sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina.

Ela vive em harmonia consigo mesmo, com a humanidade e com a natureza.

Enfim, ser estóico é viver de acordo com a natureza em geral, com a natureza humana e com sua própria natureza, sua verdade mais profunda. Ser estóico é praticar os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Ser estóico, em suma, é viver uma vida virtuosa, com prudência, moralidade, coragem e moderação, para consigo e para com todos e, assim, viver a Boa Vida!

Sejamos, dia-a-dia, melhores estóicos, nos tornando progressivamente a melhor versão de nós mesmos!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 1 de 2

Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 1 de 2

 

# 1 Viva de acordo com a natureza – o objetivo estóico da vida

 

O objetivo final da vida buscado por todas as antigas escolas de filosofia é a Eudaimonia.

 

Este objetivo de vida – a Eudaimonia – é algo um pouco complicado de se traduzir.  Pense na Eudaimonia como sendo a suprema felicidade, o supremo bem estar, a plenitude da vida ou a plena realização alcançável pelos seres humanos.  A Boa Vida – uma vida virtuosa, florescente, sublime e suave.

 

O objetivo da vida = A Boa Vida.

 

Isso não é muito útil e nos leva à principal preocupação da Filosofia Estóica: Como viver a vida? Como viver para chegar à Boa Vida?

 

Para viver a Boa Vida é preciso “Viver de acordo com a natureza”.

 

Esta máxima abstrata é a definição mais conhecida do objetivo estóico de vida.

 

Então, “viver de acordo com a natureza” era um slogan central do estoicismo, mas requer explicações adicionais, pois levanta a questão: “O que exatamente significa isso?”

 

Vamos ver o que um dos principais filósofos estóicos disse a esse respeito. Nas palavras de Epicteto:

 

“Pois o que é o homem?  Um animal racional, sujeito à morte.  Imediatamente perguntamos, a partir do que o elemento racional nos distingue?  De feras selvagens. E de que mais? De ovelhas e afins. Olhe para isso, então, que você não faça nada como um animal selvagem, senão você destrói o Homem em você e falha em cumprir sua promessa.  E que você não aja como uma ovelha, ou então novamente o Homem em você perece.

Você pergunta como agimos como ovelhas?

Quando consultamos a barriga, ou nossas paixões, quando nossas ações são aleatórias, sujas ou imprudentes, não estamos nos desviando para o estado das ovelhas?  O que nós destruímos? A faculdade da razão. Quando nossas ações são combativas, travessas, raivosas e rudes, não caímos e nos tornamos bestas selvagens? “

 

O ser humano é um animal racional.  Isso é o que nos separa das ovelhas e bestas.  Somos diferentes de todas as outras espécies do planeta Terra, tanto para melhor quanto para pior.  O que realmente interessa não é que temos dentes menores, nem pele diferente ou ossos mais fracos, mas nossas habilidades sociais e racionais.

 

O que distingue os seres humanos de todas as outras espécies é a nossa capacidade de raciocinar.  Não devemos nos comportar como ovelhas ou bestas porque isso nega nossa humanidade, a coisa mais preciosa e natural que temos, a natureza humana.

 

“Viver de acordo com a natureza” é sobre se comportar racionalmente como um ser humano, em vez de aleatoriamente, por impulso ou instinto, como uma fera.  Em outras palavras, devemos sempre aplicar nossa habilidade natural de raciocinar em todas as nossas ações. Se aplicamos a razão, vivemos de acordo com a natureza, especialmente, de acordo com a nossa natureza humana, porque agimos como os humanos devem agir. Os humanos devem aplicar a razão e agir como seres humanos, não como animais.

 

O ser humano, além de ser um animal racional, é, ainda, um animal social. Desde os primórdios da espécie, nas cavernas, vivemos em bandos, em tribos, em famílias e, posteriormente, em cidades dentro de Estados nações. Portanto, devemos agir não só racionalmente, mas, também, devemos tomar nossas decisões não só levando em conta aquilo que é o melhor para nós mesmos, como indivíduos, mas também considerando que as nossas ações devem ser as melhores possíveis para as sociedades nas quais vivemos, seja na família, no trabalho, na cidade, no país, no mundo, ou, até, no universo como um todo.

 

Ademais, não devemos apenas viver de acordo com a natureza em geral, ou seja, conforme as leis do universo e a vontade da natureza, nem somente viver de acordo com a natureza humana, utilizando das nossas capacidades únicas de racionalidade e sociabilidade, mas também e, principalmente, devemos viver de acordo com a nossa natureza individual, portanto, respeitando nossas inclinações e habilidades naturais, nossas vocações, obedecendo ao que temos de mais profundo em nossas almas, a nossa verdade.

 

Por enquanto, tudo bem.  Mas isso é muito abstrato e difícil de entender.  Então, para entender melhor como essa “aplicação da razão” se parece no mundo real, vamos explorar outra máxima estóica que eles usaram para expressar sua meta de vida: “viver de acordo com a virtude”. Isso nos leva ao próximo princípio estóico.

 

# 2 Viva de acordo com a virtude – é o mais alto de todos os bens

 

Alcançar a “virtude” é o bem maior.

 

Basicamente, quando você vive de acordo com a virtude, você está vivendo a Boa Vida.  Essa excelência humana acontece em diferentes formas de virtude, ou, simplesmente, podemos nos sobressair de maneiras diferentes, há inúmeras e incontáveis virtudes.  

 

Para os estóicos, no entanto, havia um conjunto básico de virtudes que deveriam ser apreendidas e praticadas por todos aqueles que quisessem viver a Boa Vida, são elas, as quatro virtudes essenciais:

 

Sabedoria ou Prudência: Inclui excelente deliberação, juízo, bom senso, perspectiva, bom senso.

 

Justiça ou justiça: inclui boa vontade, benevolência, serviço público e social, e, negociação justa.

 

Coragem: Inclui bravura, perseverança, autenticidade (honestidade), confiança.

 

Auto-Disciplina ou Temperança: Inclui ordem, autocontrole, perdão, humildade.

 

Então, quando você age de acordo com essas virtudes, você progride em direção à Boa Vida, ou Eudaimonia, o objetivo final da vida.  Portanto, a chave para viver a Boa Vida é a perfeição da razão e viver de acordo com a virtude, ou ser virtuoso (pleno de virtudes).

 

No sentido estóico, você só pode ser virtuoso se praticar todas as quatro virtudes essenciais.  Por exemplo, se você agir corajosamente durante o dia e for covarde durante a noite, você não é verdadeiramente virtuoso.  Virtude é um pacote de tudo ou nada.

 

Para os estóicos, era claro que a virtude deve ser sua própria recompensa.  Você faz alguma coisa porque é a coisa certa a fazer. Você age de acordo com a natureza, com a razão e de acordo com as virtudes essenciais por si mesmas.  Não importam se haverão consequências positivas a essas ações virtuosas ou não, pois agir de acordo com a virtude é recompensador em si mesmo, enquanto você está progredindo em direção à Vida Boa.

 

Fazer o que é certo é o suficiente, é a sua natureza e é o seu trabalho.

 

Novamente, o termo “virtude” realmente se refere à excelência em seu próprio caráter e à aplicação da razão de uma maneira saudável e louvável.

 

(Veja, o estoicismo é muito sobre fazer a coisa certa, é muito sobre as ações que você toma e sobre quem você é. É o seu caráter e as suas ações que importam.)

 

Às vezes, agir de acordo com a virtude traz benefícios adicionais (por exemplo, o sentimento de alegria porque você agiu de forma justa).  No entanto, esses benefícios devem ser interpretados como bônus adicionais e não podem ser o principal motivo para ação, porque eles não estão inteiramente sob o nosso controle.

 

Portanto, sempre aplique a razão e tente fazer a coisa certa.  Aja de acordo com as virtudes essenciais, pratique a sabedoria, a justiça, a coragem e a autodisciplina.  Nunca por algum benefício que possa advir dos seus atos, mas, simplesmente, por agir bem, de forma virtuosa e ter o prazer de ver seu auto aprimoramento diário, passando a ser, cada dia mais, a melhor versão de você mesmo.  Concentre-se no que você pode controlar, que é agir de maneira excelente e virtuosa, de forma a melhorar seu caráter contínua e infinitamente.

 

# 3 Concentre-se no que você pode controlar, aceite o que você não pode controlar

 

“Faça o melhor uso do que está em seu poder e tome o resto como acontece.  Algumas coisas dependem de nós e algumas coisas não dependem de nós. ” Epicteto

 

Esta passagem é encontrada logo no início do Enchiridion ou Manual de Epicteto, porque é fundamental para os ensinamentos de Epicteto e para a Filosofia Estóica.  Essa assim chamada dicotomia estóica do controle é, na verdade, o princípio mais característico do estoicismo.

 

Devemos distinguir cuidadosamente entre o que está dentro do nosso controle, ou em nosso poder, e o que está fora do nosso controle ou poder.  O que está completamente dentro de nosso controle são exclusivamente nossas escolhas voluntárias, ou seja, nossas ações e julgamentos, todo o resto está fora do nosso controle.

 

Então, sim, nosso corpo, por exemplo, não depende de nós, ou pelo menos não inteiramente.  Sim, eu também acredito que há muitas coisas que podemos fazer para obter um corpo saudável e atraente.  Mas isso só é possível até certo ponto. Podemos controlar nossas ações e comer uma dieta saudável, nos exercitar sistematicamente e nos movimentar muito, mas não temos controle sobre outras coisas, como nossos genes, nossas predisposições genéticas e familiares, nossa exposição precoce a uma determinada alimentação, saudável ou não, e estilo de vida, sedentário ou não, e outros fatores externos, como doenças, lesões, remédios necessários e seus efeitos colaterais indesejáveis, etc.  

 

Nós só controlamos nossas próprias ações e temos que aceitar o resultado delas com serenidade.  Nós temos a satisfação e a confiança de saber que estamos fazendo o nosso melhor e tentando tudo ao nosso alcance para chegar onde queremos estar.  Então, ou podemos aceitar facilmente o resultado porque sabemos que fizemos o nosso melhor, ou não podemos, porque sabemos, secretamente, que não fizemos o nosso melhor.

 

Aos meus olhos, isso é um grande impulsionador da confiança.  Você faz tudo o que pode e tudo o que está em seu poder para alcançar seus objetivos.  E então você entra no momento da verdade com confiança, porque você fez o seu melhor. Se o resultado não for satisfatório, você pode aceitá-lo facilmente e dizer: “Bem, eu fiz o meu melhor”.

 

As coisas que dependem de você, seus pensamentos e suas ações são as coisas mais importantes da vida.  

 

O aspecto mais atraente do estoicismo é que somos completa e totalmente responsáveis ​​por nosso crescimento e aperfeiçoamento pessoais, porque tudo o que realmente importa na vida depende de nós. E, assim, não nos resta qualquer desculpa para não nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos e não vivermos a Boa Vida, porque isso depende unicamente de nós.

 

Portanto, a principal lição a ser tirada daqui é focar nossa atenção e nossos esforços onde temos mais poder e deixar o universo cuidar do resto.  Os estóicos usaram a analogia do arqueiro para explicar isso:

 

Um arqueiro está tentando acertar um alvo.  Ele tem uma série de coisas sob seu controle, como treinamento, arco e flecha para usar, como mirar e quando soltar a flecha.  Então ele pode fazer o seu melhor até o momento em que a flecha deixa seu arco.

 

Com tudo isso, ele vai acertar o alvo?

 

Não necessariamente, porque Isso não depende dele.  Afinal, uma rajada de vento, um movimento súbito do alvo, ou a passagem de algo entre a flecha e o alvo, pode mudar tudo e desviar a flecha de seu alvo, por melhor que tenha sido a ação do arqueiro. E o arqueiro estóico está pronto para aceitar todos os resultados possíveis com serenidade, porque ele fez o seu melhor e deixou o resto (o que ele não podia controlar) para a natureza.

 

“Este é precisamente o poder do estoicismo: a internalização da verdade básica de que podemos controlar nosso comportamento, mas não seus resultados – muito menos os resultados dos comportamentos de outras pessoas – leva à aceitação calma de tudo o que acontece, seguros no conhecimento de que fizemos o nosso melhor, dadas as circunstâncias”. Massimo Pugliucci, em “How to be a Stoic”, tradução livre.

 

E podemos sempre tentar o nosso melhor, vivendo de acordo com a virtude.  Sim, podemos sempre tentar aplicar a razão, agir com coragem, tratar as pessoas com justiça e exercitar a moderação.

 

Então, façamos um dos melhores exercícios práticos favoritos do estoicismo.  É uma ideia de Epicteto:

 

“Então, faça uma prática ao mesmo tempo de dizer a todas às impressões fortes: ‘Uma impressão é tudo o que você é, não a fonte da impressão’. Teste e avalie com seus critérios, mas principalmente: pergunte: ‘Isso é algo que  está, ou não, no meu controle? ‘E se não é uma das coisas que você controla, esteja pronto com a reação,’ Então não é da minha conta ‘”.

 

Verifique suas impressões e pergunte a si mesmo se isso depende de você ou não.  Se é com você, então faça algo sobre isso, se não, aceite como é.

 

Então, qualquer coisa ou depende de você ou não é da sua conta.  Em outras palavras, é “indiferente”. Isso nos leva diretamente à próxima grande ideia estóica.

 

# 4 Distinguir entre coisas boas, ruins e indiferentes

 

Os estóicos diferenciavam entre coisas “boas”, “más” e “indiferentes”.

 

As coisas boas incluem as virtudes essenciais, sabedoria, justiça, coragem e autodisciplina.  As coisas ruins incluem os opostos dessas virtudes, ou seja, os quatro vícios, ignorância, injustiça, covardia e indulgência.

 

Coisas indiferentes incluem todo o resto, mas, principalmente, vida e morte, fama e má reputação, prazer e dor, riqueza e pobreza, e saúde e doença.  Coisas indiferentes podem ser resumidas como saúde, riqueza e reputação.

 

O que mais impressiona é o fato de que as coisas indiferentes estóicas são exatamente o que as pessoas comuns hoje em dia julgariam como boas ou más. Trata-se de uma inversão de valores muito comum atualmente, as pessoas valorizam muito mais as coisas externas, principalmente o dinheiro, as posses e o status social, ao invés do que realmente importa, as questões internas, o que realmente somos, nossas virtudes, nossos pensamentos e ações ética e moralmente corretos, nossa retidão de caráter. Hoje, infelizmente, importa mais ter do que ser, quando deveria ser exatamente o contrário.

 

No entanto, no estoicismo, era assim, o ser valia muito mais do que o ter, as questões internas eram muito mais importantes que as externas. Eles sabiam muito bem que essas coisas externas, os indiferentes, não ajudam nem prejudicam nosso crescimento e aprimoramento como seres racionais.  Eles não desempenham um papel necessário para alcançarmos a Boa Vida. O que importa de verdade são os valores que cultivamos e praticamos, as nossas virtudes, o verdadeiro bem e a única coisa que pode nos ajudar a viver a Boa Vida.

 

Em resumo: coisas indiferentes como saúde, riqueza e reputação são completamente indiferentes para a Boa Vida.  Elas simplesmente não importam. Elas não são boas nem más em si mesmas, mas indiferentes. Se você é rico ou pobre, saudável ou doente, isso não importa para sua felicidade final.  Portanto, devemos aprender a sermos indiferentes em relação às coisas indiferentes e aprender a ficarmos satisfeitos com o que a natureza coloca em nossas vidas.

 

Indiferença não significa frieza. Pelo contrário, uma vez que as coisas indiferentes não dependem de nós, elas são desejadas por algo maior do que nós, são a vontade da natureza, e podemos amá-las igualmente.  Ser indiferente às coisas indiferentes significa não ver diferenças entre elas, mas tomá-las como são e amá-las igualmente.

 

Mas ser saudável é melhor do que estar doente, não é?

 

Sim.  Embora as coisas indiferentes não possam realmente ser boas, algumas são, no entanto, mais valiosas do que outras e preferíveis a elas.  Portanto, os estóicos diferenciavam entre coisas indiferentes preferidas e não preferidas.

 

Os estóicos criaram uma interpretação bastante lógica.  Coisas positivas e indiferentes como boa saúde, amizade, riqueza e boa aparência foram classificadas como indiferentes preferidas, enquanto seus opostos eram indiferentes não preferidas.

 

Faz sentido.  No entanto, os estóicos tornaram a vida harmoniosa e eudaimônica um objetivo alcançável para todos, independentemente do status social, saúde, riqueza ou aparência.  Embora todas essas qualidades sejam preferidas, elas ainda são indiferentes e não são necessárias para viver uma vida virtuosa.

 

As pessoas sempre preferirão a alegria à dor, a riqueza à pobreza e a boa saúde à doença. Por isso, prossiga e procure essas coisas, mas não quando isso puser em perigo sua integridade e te impedir de viver de acordo com a virtude.  Em outras palavras, é melhor suportar a dor, a pobreza ou a doença de maneira honrosa do que buscar alegria, riqueza ou saúde em uma situação vergonhosa.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

A amizade é uma indiferente preferida.  É melhor ter amigos do que não ter amigos.  No entanto, quando se trata de tomar uma decisão, pelo seu amigo ou pela virtude, os estóicos sempre escolheriam a virtude.

 

Um estóico não negligenciaria a moralidade mentindo para salvar um amigo.  A justiça pesa mais que a amizade para os estóicos.

 

Caráter e moralidade são maiores e muito mais importantes do que amizade e amor

 

Lembre-se sempre de que, mesmo quando algumas coisas são preferidas, elas são, no entanto, indiferentes em relação à realização da Boa Vida.  Preferidas, mas ainda indiferentes.

 

O único bem é a virtude (sabedoria, coragem, justiça, autodisciplina), que depende completamente de nós.

 

O único mal é o vício (ignorância, covardia, injustiça, indulgência), que depende completamente de nós.

 

Tudo o mais, aquilo que não depende de nós e está fora do nosso controle, é indiferente e, em última análise, não importa para a Boa Vida, porque não depende de nós, está fora do nosso controle.

 

Então, não é o que você tem ou não tem, mas o que você faz com isso é que é importante.  Suas ações e pensamentos são o que conta. São tudo o que você controla.

 

É preferível ser rico do que pobre, e é preferível ser saudável do que doente, mas o que importa para os estóicos é o que você faz com determinada situação.

 

Seu comportamento é o que conta.  E isso nos leva ao próximo princípio estóico principal.

 

# 5 Aja como um filósofo – o verdadeiro filósofo é um guerreiro da mente

 

Você pode estar pensando:

 

“Já que a maioria das coisas não está dentro do meu controle e eu devo olhá-las com indiferença. Então, posso simplesmente me deitar, não fazer nada e não me importar com nada?”

 

Não!

 

Isso é chamado de “Argumento Preguiçoso” e não funciona para os estóicos.  Nas palavras de Donald Robertson, “Os eventos não estão determinados a acontecer de uma maneira particular, independentemente do que você faz, mas sim junto com o que você faz… O resultado dos eventos ainda muitas vezes depende de suas ações”.

 

Não está tudo pré-determinado, predestinado. As suas ações modificam o seu destino, mesmo que indiretamente.

 

Você controla suas ações.  E apenas recostar e não fazer nada não o levará para a Boa Vida, e isso não fará de você uma boa pessoa.

 

Embora os estóicos considerassem as coisas externas como indiferentes, elas não eram indiferentes às suas próprias ações.

 

Como os estóicos queriam viver de acordo com a virtude para chegar à vida eudaimônica, eles tinham que tentar fazer a coisa certa.  Sempre.

 

Os estóicos eram praticantes, eram homens de ação.

 

Sim, o estoicismo é uma filosofia de vida muito prática.  Para os estóicos, não basta pensar em como viver a própria vida, mas é necessário realmente sair no mundo e praticar suas ideias.  Você deve alcançar a Boa Vida agindo corretamente.

 

Você não deve ficar satisfeito com a aprendizagem de idéias abstratas sobre como viver a vida, mas deve aplicar vigorosamente essas ideias no seu dia-a-dia.

 

Aqui está uma ótima comparação que Donald Robertson usou em seu livro A Filosofia da Terapia Cognitivo Comportamental.  O verdadeiro filósofo, um guerreiro da mente:

 

“Os antigos concebiam o filósofo ideal como um verdadeiro guerreiro da mente, um herói espiritual parecido com o próprio Hércules, mas desde o fim das escolas helenísticas, o filósofo se tornou algo mais estudioso, não um guerreiro, mas um simples bibliotecário de  a mente.”

 

Nos velhos tempos, um filósofo, literalmente um “amante da sabedoria”, era um guerreiro da mente.  Ele lutava batalhas com sua própria mente em busca de autodomínio, ele vivia para praticar a filosofia.

 

Hoje, um filósofo é muito mais bibliotecário da mente.  Em vez de lutar as batalhas com sua mente, ele recolhe as idéias como conhecimento teórico e as armazena em seu cérebro.  Mas ele esquece a parte mais importante do processo, que é realmente viver as idéias.

 

“Podemos ser fluentes na sala de aula, mas nos arrastarmos na prática e sermos miseravelmente naufragados.” – Epicteto

 

Não naufrague.  Escolha ser um guerreiro e praticar a Filosofia Estóica!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>