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Como reconhecer um estóico?

Como reconhecer um estóico?

Até alguns anos atrás, tudo o que ouvi dizer sobre o estoicismo foi o ditado “fazer algo com calma estóica”.

Esse dito soa bem para mim agora, mas na sociedade ainda está negativamente associado a uma atitude sem emoção e indiferente, de extrema frieza emocional.

Veja o Sr. Spock de Star Trek.  Ele é o cara clássico que reprime todas as suas emoções.  E ele foi modelado de acordo com uma compreensão ingênua e errônea do estoicismo.

Trata-se de um grande equívoco acreditar que os estóicos não têm emoções. Em verdade, a atitude estóica ideal é a de ter amizade e afeição para com os outros, ter empatia, e ter beleza de caráter, um caráter firme e virtuoso.

 

O EQUÍVOCO CLÁSSICO – OS ESTÓICOS NÃO TÊM EMOÇÕES

A imagem contemporânea de um estóico é a de uma pessoa sem emoções e que reprime os sentimentos.

Isto definitivamente não tem nada a ver com o Estoicismo! É um simples pré-conceito, um pré-julgamento que se tornou padrão na sociedade, graças à ignorância do que é o verdadeiro Estoicismo.

Este equívoco deriva da ideia estóica de que não devemos nos deixar levar pelas “paixões” doentias (e, portanto, irracionais) do desejo, da dor, do prazer e do medo.  É natural sentir essas emoções, mas não corresponde à nossa natureza humana racional agir ou reagir com base nessas emoções.

Os sentimentos são normais, todos nós sentimos, inclusive os estóicos. É impossível não sentir. Mas o estóico tenta não agir com base nos sentimentos, impulsiva e automaticamente, mas escolhe agir com base na razão. Portanto, ele sente as emoções, mas ele escolhe responder de acordo com o que ele acha que é a melhor maneira de responder, ou seja, racionalmente.

Há sentimentos automáticos que surgem dentro de nós e sobre os quais não temos controle algum, nós os sentiremos sempre, inevitavelmente.  Eles são como um reflexo emocional involuntário e automático, como o coração batendo mais rápido, axilas suadas, olhos corados ou lacrimejantes, desejos ou medo de altura.

Você não controla essas coisas e, portanto, precisa aceitá-las.  No entanto, você não precisa agir com base nelas.

Os estóicos tentaram usar a razão e o treinamento para não agir com os sentimentos, impulsiva e automaticamente.  Para que pudessem responder com razão e virtude ao que quer que sentissem.

É o que os animais não podem fazer.  Se um cachorro sentir o cheiro de carne, ele sente a vontade imediata de comê-la e  vai atrás dela, ele não tem como evitar esse impulso animal de maneira alguma, pois esta é a sua natureza.

Nós, como seres humanos, somos capazes de interferir no espaço de tempo entre nossas emoções e nossas ações.

Se cheirarmos aquele biscoito (ou chocolate, ou a sua comida preferida), podemos decidir se queremos comê-lo ou não.  Se vemos uma mulher ou um homem altamente desejável, que mexe com os nossos hormônios, ainda assim, podemos decidir se queremos ir atrás dela ou dele, ou não.

O estóico, portanto, não é uma pessoa de coração de pedra sem sentimentos.  Ele tem sentimentos, mas não é escravizado por eles. Isso não é o mesmo que ser duro de coração e insensível.  Se você pensar nas virtudes da coragem e da autodisciplina, então pode imaginar que os estóicos experimentam algo como medo e desejo – caso contrário, não haveria sentimentos a serem superados, em primeiro lugar.

Donald Robertson explica melhor:

“Um homem corajoso não é alguém que não sente nenhum traço de medo, mas alguém que age com coragem, apesar de sentir ansiedade e medo.  Um homem que tem grande autodisciplina ou restrição não é alguém que não perceba o desejo, mas alguém que supera seus desejos, abstendo-se de agir de acordo com eles. ”

Isso é brilhante!

O estóico é emotivo, como todos nós, mas simplesmente não é guiado por suas emoções.  Ele se eleva acima de suas reações emocionais iniciais e aplica a razão. Se uma emoção não melhorar sua situação, é provável que ela seja inútil e ele optará por não agir de acordo com ela, mas, sim, de acordo com a razão.

Mas essa emoção é o que eu sinto! – alguém pode estar pensando.  O estóico moderno Ryan Holiday tem a resposta perfeita para isso:

“Certo, ninguém disse nada sobre não sentir isso.  Ninguém disse que você nunca pode chorar. Esqueça a “masculinidade”. Se você precisar de um momento, por todos os meios, vá em frente.  A força real está no controle ou, como Nassim Taleb coloca, a domesticação de suas emoções, não em fingir que elas não existem. ”

 

DOMINE SUAS EMOÇÕES, NÃO FINJA QUE ELAS NÃO EXISTEM

Vamos ver o exemplo do luto.  Todo mundo conhece esse sentimento porque todos nós já perdemos alguém que estava perto de nós (ou a grande maioria de nós):

Sêneca disse: “É melhor conquistar o luto do que enganá-lo”. Portanto, devemos ir em frente e sentir a dor e aceitá-la como parte da vida, em vez de fugir dela.  Devemos enfrentar, processar e lidar com a emoção imediatamente, em vez de seguir o caminho mais agradável e nos escondermos dela.

“Podemos dizer que um paradoxo central do Estoicismo é, portanto, sua suposição de que, longe de ser insensível, o sábio ideal, amará os outros e, ao mesmo tempo, não será perturbado pelas inevitáveis ​​perdas e infortúnios que a vida inflige. Ele tem emoções e desejos naturais, mas não é dominado por eles e permanece guiado pela razão. ”- Donald Robertson

Assim, os estóicos sentem emoções e têm afeição por todas as pessoas.  Isso nos leva ao próximo ponto.

 

O AMOR ESTÓICO PELA HUMANIDADE

“Os estóicos acreditavam que somos essencialmente criaturas sociais, com uma ‘afeição natural’ e ‘afinidade’ para com todas as pessoas.  Isso forma a base da “filantropia” estóica, o amor racional aos nossos irmãos e cidadãos no universo. Uma boa pessoa “demonstra amor por todos os outros seres humanos, bem como bondade, justiça e preocupação com o próximo”, e pelo bem-estar de sua cidade natal (Musonius, Lectures, 14). “- Donald Robertson

Os seres humanos são seres racionais e sociais.

Embora tenhamos aprendido que a amizade e as outras pessoas são indiferentes, elas são muito preferidas. Os estóicos preferem viver com um amigo, um vizinho e um companheiro de casa, mas não dependem deles para a Boa Vida.

Basicamente, os estóicos são capazes de viver a vida eudaimônica sem um amigo, mas preferem não ficar sem um.  Por quê? Por causa de sua afeição natural pela humanidade e porque eles podem praticar as virtudes muito melhor ao redor de outras pessoas (pense na justiça e na coragem).

“Devemos fazer o bem aos outros da maneira mais simples, como um cavalo corre, ou uma abelha faz mel, ou uma videira produz uvas uma estação após outra sem pensar nas uvas que produziu”.

Marco Aurélio

É da nossa natureza humana fazer o bem aos outros e não devemos nos importar se eles se importam ou não.  Marco Aurélio chega a dizer que todas as nossas ações devem ser boas “para o bem comum”. Essa é a nossa natureza, é o nosso trabalho.

E ele podia praticar isso muito bem, já que ele era o Imperador Romano. Não gostaríamos que as pessoas no poder tivessem apenas o bem comum em mente e não o seu próprio? (Os nossos políticos atuais, infelizmente, fazem exatamente o contrário).

A principal razão para agir pelo bem-estar comum é a virtude subjacente da justiça.  Vivemos de acordo com a virtude e, portanto, nos beneficiamos quando agimos pelo bem comum.  Além disso, quanto melhor a pessoa se desenvolver, melhor ele poderá servir à humanidade. Como Rudolf Steiner disse: “Se a rosa se adornar, ela adorna o jardim”.

“O homem nasce por atos de bondade;  e quando ele fez uma ação gentil, ou de outra forma serviu o bem-estar comum, ele fez algo para devolver a bondade de que ele foi feito, e recebeu sua quitação. ” Marco Aurélio

Faça o bem por fazer o bem!  Não espere nada em troca. Lembre-se, a virtude é a sua própria recompensa.

E se os outros fizerem errado?

Os estóicos acreditavam que ninguém erra de propósito.  As pessoas agem da maneira que acham que é melhor para elas, pensando estar agindo corretamente.  Elas não conhecem nada melhor, ignoram o que é realmente agir bem. Massimo Pigliucci explica isso bem:

“O malfeitor não entende que está prejudicando a si mesmo em primeiro lugar, porque sofre de amathia, falta de conhecimento do que é verdadeiramente bom para si mesmo.  E o que é bom para ele é o mesmo que é bom para todos os seres humanos, de acordo com os estóicos: aplicar a razão para melhorar a vida social ”.

O malfeitor faz mal a si mesmo.  Não devemos culpá-los, mas sim ter pena deles.  Como Epicteto disse: “Como temos pena dos cegos e dos coxos, também devemos ter pena daqueles que estão cegos e lamentados em suas faculdades mais soberanas.  O homem que se lembra disso, eu digo, não ficará zangado com ninguém, indignado com ninguém, não insultará ninguém, não culpará ninguém, não odiará ninguém, não ofenderá ninguém. ”

Não odeie o malfeitor, ele não conhece nada melhor. Ou, como no dito cristão: “Eles não sabem o que fazem”. É o seu trabalho, porque você sabe, agir como um exemplo e fazer a coisa certa pelo seu próprio bem e pelo bem de todos.  Faça isso por si mesmo (ao mesmo tempo, isso beneficiará todos os demais).

É o que você faz que importa.  É o que você faz que constrói o seu caráter.

 

A VERDADEIRA BELEZA ESTÁ NO CARÁTER

“O monge se veste com suas vestes.  Um padre coloca seu colarinho. Um banqueiro usa um terno caro e carrega uma maleta.  Um estóico não tem uniforme e não se assemelha a estereótipo algum. Eles não são identificáveis ​​pelo olhar, pela visão ou pelo som. Qual é a única maneira de reconhecê-los?  Por seu caráter. ” Ryan Holiday

A única maneira de reconhecer um verdadeiro estóico é por seu caráter.

A porta para desenvolver um bom caráter está aberta para todos.  Não importa se você é rico ou pobre, saudável ou doente, alto ou pequeno, magro ou gordinho, pode sempre tentar viver uma vida moral, virtuosa, e, assim, viver a Boa Vida.

“Para um estóico, em última análise, não importa se pensamos que o Logos é Deus ou Natureza, desde que reconheçamos que uma vida humana decente é sobre o cultivo do caráter e a preocupação com as outras pessoas (e até mesmo com a própria Natureza) e é melhor apreciado por meio de um distanciamento adequado – mas não fanático – de meros bens mundanos. ” Massimo Pigliucci

O cultivo do caráter é o bem maior. Portanto, para os estóicos, a verdadeira beleza está na excelência de nossa mente e caráter e não em nossa aparência física.  Epicteto diz que devemos procurar “embelezar aquilo que é nossa verdadeira natureza – a razão, seus julgamentos, suas atividades”.

O verdadeiro valor de uma pessoa está em sua essência, em seu caráter ou personalidade, e não importa se é um banqueiro ou padeiro.

Seu caráter é a única posse verdadeira que você jamais terá.  Tudo o resto é temporário e pode lhe ser tirado. Um verdadeiro estóico não negociará nada se o prêmio for um comprometimento de seu caráter.

“Seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, e se você interagir com bons juízes de caráter, é tudo o que você precisa.” – Massimo Pigliucci

Eu iria mais longe do que Pigliucci e diria que seu caráter é o seu melhor cartão de visitas, não importa o que aconteça.  Todos os maus juízes de caráter lá fora podem impedi-lo a curto prazo, mas certamente não a longo prazo.

Isso não é poker, onde você pode perder, apesar de ter as melhores cartas em suas mãos.  Na vida, você ganhará quando desenvolver as melhores virtudes de caráter possíveis. É simples assim.

Então, como é um caráter tão bom?

 

O CARÁTER ESTÓICO IDEAL – O SÁBIO ESTÓICO

A verdadeira beleza está no caráter. Então, como é um Adônis de caráter?

Os estóicos realmente tinham um ideal hipotético, o sábio estóico.  Em suma, ele é uma pessoa perfeitamente sábia e boa. Donald Robertson descreve perfeitamente o Sábio Estóico:

“O Sábio é supremamente virtuoso, um ser humano perfeito e a aproximação mortal mais próxima de Zeus.  Ele é uma pessoa completamente boa, que vive uma vida completamente boa e “suavemente fluente” de total serenidade, ele alcançou a perfeita felicidade e satisfação (eudaimonia).  Ele vive em total harmonia consigo mesmo, com o resto da humanidade e com a natureza como um todo, porque ele segue a razão e aceita seu destino graciosamente, na medida em que está além de seu controle.  Ele subiu acima dos desejos e emoções irracionais, para alcançar a paz de espírito. Embora ele prefira viver o tempo que for apropriado e desfrute do “festival” da vida, ele não tem medo de sua própria morte.  Ele possui suprema sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina. Seu caráter é absolutamente louvável, honrado e belo ”. Donald Robertson

Uau!  Não admira que ele seja hipotético.

(A propósito, esta descrição do Sábio Estóico ideal resume bem os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Se você não leu os posts sobre eles, leia-os. Neles você encontrará a essência do que é o Estoicismo.)

Os estóicos usavam esse ideal fictício para contemplar e comparar-se.  Assim como um modelo, eles podem se comparar a ele enquanto estão tentando progredir em direção à uma vida virtuosa, à Boa Vida.

Para Epicteto, Sócrates era a personificação do mundo real do Sábio e ele aconselhava seus alunos a viverem como Sócrates:

“Sócrates se cumpriu não atendendo a nada além da razão em tudo que encontrou.  E você, embora ainda não seja um Sócrates, deve viver como alguém que pelo menos quer ser um Sócrates”. Epicteto

Todos poderíamos e deveríamos tentar ser um Sócrates.

Sócrates

Essa é uma grande ajuda na vida cotidiana, pergunte a si mesmo: “O que o Sábio faria?” Ou “O que o Sábio me diria para fazer?”

Você pode até modificar a pergunta dependendo da situação em que está. Por exemplo:

“O que o pai perfeito faria?”

“O que o amigo perfeito faria?”

“O que o funcionário perfeito faria?”

Os estóicos tentavam manter tal exemplo constantemente diante de seus olhos, de modo que eles mesmos vivessem como exemplo e se aproximassem cada vez mais da virtude.

Aqui estão as 10 afirmações que, aos meus olhos, descrevem a personalidade estóica:

Ele é sereno e confiante, não importa o desafio que apareça na vida dele.

Ela age de acordo com a razão e não com a emoção.

Ele se concentra no que controla e não se preocupa com o que não pode controlar.

Ela aceita o destino graciosamente e tenta fazer o melhor possível.

Ele aprecia o que ele tem e nunca se queixa.

Ela é gentil, generosa e perdoadora em relação aos outros.

Suas ações são prudentes e ele assume total responsabilidade sobre elas.

Ela é calma e não é apegada às coisas externas.

Ele possui sabedoria prática, justiça e benevolência, coragem e autodisciplina.

Ela vive em harmonia consigo mesmo, com a humanidade e com a natureza.

Enfim, ser estóico é viver de acordo com a natureza em geral, com a natureza humana e com sua própria natureza, sua verdade mais profunda. Ser estóico é praticar os princípios estóicos fundamentais e as virtudes estóicas essenciais. Ser estóico, em suma, é viver uma vida virtuosa, com prudência, moralidade, coragem e moderação, para consigo e para com todos e, assim, viver a Boa Vida!

Sejamos, dia-a-dia, melhores estóicos, nos tornando progressivamente a melhor versão de nós mesmos!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

As quatro virtudes estóicas essenciais

As quatro virtudes estóicas essenciais

 

Os estóicos freqüentemente se referem às quatro virtudes essenciais da filosofia grega: prudência, justiça, fortaleza e temperança.  (Ou se você preferir: sabedoria, moralidade, coragem e moderação.)

[Este é um artigo mais acadêmico, com termos mais complexos. Todavia, necessário para a nossa compreensão da origem e dos reais significados das virtudes estóicas essenciais. Mas, não se assustem, voltaremos a falar dessas virtudes inúmeras vezes, inclusive com casos práticos, para que possamos saber cada vez mais como agir de maneira mais virtuosa e, com isso, nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos e vivermos a Boa Vida.]

Não se sabe de onde esta classificação se originou.  Parece voltar até Platão ou Sócrates, embora provavelmente ainda mais longe.  Este era um esquema convencional muito antigo para entender a virtude. Os estóicos não parecem ter assumido que era a única ou a melhor maneira de conceituar as virtudes.  Muitas vezes preferem pensar na virtude, de uma perspectiva ligeiramente diferente, como viver em harmonia com a natureza em três níveis diferentes. De certa forma, esses modelos se sobrepõem.

No entanto, as virtudes essenciais mantiveram-se populares como forma de interpretar a ética filosófica antiga através dos tempos.  Uma de minhas hesitações em introduzir os recém-chegados ao estoicismo por meio desse modelo é que as palavras gregas são difíceis de traduzir para o português moderno e os significados provavelmente também foram um pouco esticados pelos estóicos para se adequarem à sua filosofia.  É uma classificação um pouco inadequada, embora seja simples e atraente, por isso não devemos ficar presos em interpretá-la literalmente, como se essas palavras fossem a única maneira de descrever a virtude.

As pessoas muitas vezes discutem as definições dos termos filosóficos gregos, o que pode levar a algumas traduções bastante especulativas.  Acredite ou não, na verdade, temos um dicionário filosófico grego que sobrevive desde o tempo de Platão. É chamado de Definições, e acredita-se que provavelmente tenha sido escrito por um dos seguidores de Platão na Academia.  Portanto, não há definições estóicas das virtudes, mas saber como os platonistas as definiram certamente nos ajuda muito. Por exemplo, foi assim que a Academia definiu a palavra “virtude” em si:

Aretê (virtude / excelência).  A melhor disposição; o estado de uma criatura mortal que é em si louvável;  o estado por conta do qual seu possuidor é considerado bom; a justa observância das leis;  a disposição por conta da qual aquele que é tão disposto é dito ser perfeitamente excelente;  o estado que produz fidelidade à lei.

Também vale a pena mencionar a eudaimonia, notoriamente complicada, que é convencionalmente traduzida como “felicidade”, embora a maioria dos estudiosos concorde que essa é uma tradução equivocada.  Seu significado está mais próximo do sentido arcaico da palavra “felicidade”, que era o oposto de infeliz. Uma tradução melhor seria “cumprimento” ou “florescimento”, como você pode ver na definição acadêmica.

Eudaimonia (felicidade / realização).  O bem composto de todos os bens; uma habilidade que basta para viver bem;  perfeição em respeito à virtude; recursos suficientes para uma criatura viva.

Este será um post um pouco mais acadêmico do que alguns.  Eu listei as quatro virtudes essenciais abaixo com as definições da Academia de Platão e também algumas notas sobre o que os primeiros fragmentos estóicos dizem em Diógenes Laércio, Stobaeus, etc. Eu não fiz referência a tudo extensivamente aqui por uma questão de brevidade. (É apenas uma postagem rápida no blog). No entanto, você encontrará a maioria dessas informações nos fragmentos estóicos de Diógenes Laércio e Stobaeus, no livro “Inner Citadel” de A. Hadot e no de A.A. Long, “Epictetus”.

 

AS QUATRO VIRTUDES ESSENCIAIS

Phronêsis (prudência / sabedoria prática)

A capacidade que por si só é produtora da felicidade humana;  o conhecimento do que é bom e ruim; o conhecimento que produz felicidade;  a disposição pela qual julgamos o que deve ser feito e o que não deve ser feito.

De certo modo, todas as virtudes podem ser entendidas como sabedoria aplicada às nossas ações ou sabedoria moral.  A prudência é a mais importante e mais geral das virtudes estóicas, porque se refere ao conhecimento firmemente apreendido do que é bom, mau e indiferente na vida.  Em outras palavras, entender as coisas mais importantes da vida ou compreender o valor das coisas racionalmente. O oposto é o vício da ignorância. Mais crucialmente para os estóicos, significa firmemente apreender a natureza do bem: entender que a virtude ou sabedoria em si é o único bem verdadeiro e viver de acordo com isso.  A prudência está, portanto, intimamente relacionada com o próprio significado da palavra “filosofia”: amor à sabedoria.

No entanto, também pode se referir à nossa capacidade de discernir racionalmente o valor (axia) de diferentes coisas externas, ou seja, distinguir sabiamente entre os indiferentes, sabendo qualificá-los como preferidos ou não preferidos e, principalmente, sabendo como agir frente a eles.  (Um ponto discutido em detalhes pelo Estóico Catão de Utica no “De Finibus” de Cícero.) Marco Aurélio se refere a isso como agir e responder às coisas “de acordo com o valor”, ou seja, de acordo com a virtude. Stobaeus igualmente diz que os primeiros estóicos definiram como conhecer a natureza do bem e do mal, entendendo as coisas indiferentes, e sabendo o que seria a “ação apropriada” sob diferentes circunstâncias.  Diógenes Laércio diz que Crisipo e outros subdividiram a prudência em bons conselhos (euboulia) e entendimento (sunesis). Isso é intrigante porque vincula a prudência à retórica estóica e a capacidade de comunicar a verdade de maneira apropriada a outras pessoas, com honestidade, mas com tato, como a maneira como Marco Aurélio descreveu seus sábios mestres estóicos expressando suas doutrinas. Também está claro que os estóicos acreditavam que o sábio é capaz de oferecer bons conselhos.

Os estóicos dividiam sua filosofia em três pilares: a lógica, a ética e a física.  Eles podem ter ligado a Prudência ao tema da Lógica Estóica, que abrangia a epistemologia e a psicologia, e parece relacionado às práticas que Epicteto chamava de Disciplina do Assentimento ou da Aceitação.

Dikaiosunê (justiça / moralidade)

A unidade da alma consigo mesma e a boa disciplina das partes da alma em relação umas às outras e concernentes umas às outras;  o estado que distribui a cada pessoa de acordo com o que é merecido; o estado pelo qual seu possuidor escolhe o que lhe parece ser justo;  o estado subjacente a um modo de vida que respeita a lei; igualdade social; o estado de obediência às leis.

Esta é talvez a tradução mais problemática.  Nossa palavra moderna “justiça” parece muito formal ou estreita para o que os estóicos queriam dizer. Para os estóicos, justiça não significam apenas o que é legal, está de acordo com as leis, no sentido jurídico do termo, mas o que é moral em nossas relações com os outros de forma mais geral.  Por exemplo, eles utilizam a justiça de forma bastante a abrangente, chegando a incluir a atitude da mãe correta em relação aos filhos ou o senso de piedade em relação aos deuses. No passado, portanto, foi muitas vezes traduzido mais amplamente como “justiça”, ou alguns autores modernos simplesmente se referem a ela como virtude social ou virtude moral.  Seu vício oposto ocorre quando somos injustos ou fazemos mal para outra pessoa moralmente.

Era composto principalmente das virtudes subordinadas de bondade e justiça. Assim, embora possa não ser aparente da palavra “justiça”, este é um conceito muito mais amplo de virtude social, que engloba as numerosas referências à bondade, benevolência ou boa vontade em relação aos outros encontradas nos escritos estóicos, particularmente nas “Meditações” de Marco Aurélio.  De fato, Marco Aurélio diz que a justiça é a mais importante das virtudes.

Você pode ver a justiça em grande medida como a sabedoria moral aplicada às nossas ações, particularmente em relação às outras pessoas individualmente ou à sociedade como um todo.  Stobaeus diz que é o conhecimento da distribuição do valor apropriado para cada pessoa ou de “distribuições” justas, ou seja, em relação aos indiferentes preferidos ou não preferidos (as coisas externas).  Diógenes Laércio diz que os estóicos dividiram a justiça principalmente em imparcialidade (isotês) e gentileza / cortesia (eugnômosunê). Pode ter se correlacionado com o pilar Estóico da Ética, incluindo a política, e o que Epicteto chama de Disciplina de Ação aplicada (ou Impulso para Agir, referindo-se a nossas intenções voluntárias).

Sôphrosunê (temperança / moderação)

Moderação da alma em relação aos desejos e prazeres que normalmente ocorrem nela;  harmonia e boa disciplina na alma em relação aos prazeres e dores normais; concordância da alma em relação a governar e ser governado;  independência pessoal normal; boa disciplina na alma; acordo racional dentro da alma sobre o que é admirável e desprezível; o estado pelo qual seu possuidor escolhe e é cauteloso sobre o que deveria.

Este também é um termo um pouco difícil em alguns aspectos.  Refere-se à moderação ou autodisciplina / autocontrole, mas também à autoconsciência ou autocontrole.  Poderíamos até ver a temperança ou moderação como intimamente relacionada ao que muitas pessoas hoje querem dizer com “atenção plena”.  É o oposto do vício chamado “devassidão” ou “licenciosidade”. As muitas referências a sentimentos apropriados de “vergonha” em Epicteto estão relacionadas a essa virtude e podemos vê-la como (muito) vagamente relacionada à idéia cristã de consciência moral.  Stobaeus diz que implica o conhecimento do “que deve ser escolhido ou evitado” no domínio dos “impulsos”, isto é, orienta as nossas intenções de agir em certos desejos. Diógenes Laércio diz que os estóicos definiram moderação principalmente como boa autodisciplina (eutaxia) e propriedade / decoro (kosmistês).

Surpreendentemente, alguns acadêmicos, mais notavelmente Pierre Hadot, vêem a temperança ou moderação e a fortaleza ou coragem como sendo as virtudes correspondentes ao pilar da Física Estóica e à Disciplina do Medo e do Desejo, de Epicteto, que também poderíamos chamar de Terapia Estóica das Paixões.  Isso é mais fácil de entender quando observamos muitos dos exercícios estóicos relacionados à física e à cosmologia. Ao ver os acontecimentos de maneira imparcial, como um filósofo natural ou um médico, os estóicos pretendiam alcançar uma “Representação Objetiva” deles, suspendendo quaisquer julgamentos de bom ou mau e, portanto, eliminando o medo e o desejo.  Pense na noção moderna de desapego e objetividade científicos. Da mesma forma, Hadot refere-se à prática estóica de imaginar todo o espaço e o tempo como a Visão de Cima ou a perspectiva cósmica. Isso está obviamente relacionado à cosmologia e à Física, mas os estóicos empregaram-na para se elevar acima de seus medos e desejos e alcançar a apatéia ou a liberdade de paixões não saudáveis ​​e apego às coisas externas.

 

Andreia (fortaleza / coragem)

O estado da alma que não é movido pelo medo;  confiança militar; conhecimento dos fatos da guerra;  autodomínio da alma sobre o que é terrível; ousadia em obediência à sabedoria;  ser intrépido diante da morte; o estado que fica de guarda sobre o pensamento correto em situações perigosas;  força que contrabalança o perigo; força de fortaleza em relação à virtude; acalme-se na alma sobre o que o pensamento correto considera assustador ou encorajador;  a preservação de crenças destemidas sobre os terrores e experiências de guerra; o estado que se apega à lei.

Essa é uma das virtudes mais simples.  Significa claramente coragem, embora os estóicos também a estendam para incluir a resistência à dor e ao desconforto mais genericamente.  É o oposto do vício da “covardia”. Parece formar um par com a virtude da moderação. Ambos se referem ao mestre das paixões: moderação sobre os desejos e coragem sobre os medos.  Assim, eles provavelmente se correlacionam também com o famoso slogan de Epicteto: suportar e renunciar. A virtude da coragem nos permite suportar o medo e a virtude da moderação, renunciar aos desejos doentios.

Como Sêneca observou, paradoxalmente, essas virtudes não podem existir sem pelo menos algum traço de medo e desejo que não dominamos, e os estóicos insistem que mesmo o Sábio perfeito requer moderação e coragem porque ele ainda está sujeito aos primeiros movimentos de paixão ou “proto-paixões”(propatheiai).  Sêneca explica isso em detalhes em “Sobre a ira” e em outros lugares, mas também é muito vividamente descrito por Epicteto, como relatado pela história de Aulus Gellius do professor estóico capturado em uma tempestade no mar.

Stobaeus diz que os estóicos definiram a coragem como o conhecimento do que é terrível, do que não é terrível e do que não é nem “firme”, isto é, perseverança guiada pela sabedoria.  Diógenes Laércio diz que eles dividiram coragem principalmente em constância / determinação (aparallaxia) e tensão / vigor (eutonia). Esta última virtude pode corresponder, juntamente com a coragem, à Física Estóica, como descrita acima, e também à Disciplina do Medo e do Desejo, de Epicteto.

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Artigo de autoria de Donald Robertson, disponível em: https://donaldrobertson.name/2018/01/18/what-do-the-stoic-virtues-mean/. Tradução livre, com adaptações e acréscimos meus.

Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 2 de 2

Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 2 de 2

 

 

# 6 Pratique a ‘desgraça’ – Pergunte “O que poderia dar errado?”

 

Pra que servem as vacinas?

 

Em resumo: As vacinas preparam seu corpo para combater as doenças antes que a doença realmente atinja o seu corpo.

 

Os estóicos usavam uma ferramenta semelhante para suas mentes.  De certo modo, eles se vacinaram contra a infelicidade. Eles se prepararam mentalmente para que coisas ruins acontecessem.  Essa é a principal razão para estudar a filosofia estóica, preparar-se para eventos futuros a fim de manter a calma diante da adversidade.

 

Os estóicos treinaram para manter a calma, a tranquilidade e a liberdade frente ao sofrimento emocional causado pelas aparentes ‘desgraças’, fazendo visualizações negativas regularmente e preparando-se para enfrentar os problemas e as adversidades da vida com bastante antecedência.

 

Uma das ferramentas mais valiosas dos estóicos é a premeditação da adversidade, ou praemeditatio malorum, em latim.

 

O autor do livro “A guide for the good life”, William Irvine, descreveu-a como “a ferramenta mais valiosa no kit dos estóicos” e chamou-a de “visualização negativa”. No entanto, para os estóicos, o ponto-chave é que essas ‘desgraças’ imaginárias não são realmente negativas, mas completamente indiferentes.

 

É exatamente essa indiferença aos resultados temidos que os estóicos querem fortalecer para que não se preocupem com eles e possam enfrentá-los com calma, racionalidade e paciência, caso realmente ocorram.

 

Por exemplo, você planeja viajar em um final de semana de férias.  É a noite antes de você sair. Você reservou um lugar, embalou suas necessidades e preparou o carro.  Você tem um plano e está pronto. Agora pergunte a si mesmo: “O que poderia dar errado?” “O ​​que poderia acontecer ao contrário do plano?”

 

Prepare-se para que as coisas sejam diferentes do planejado.  Tenha um plano b (e, talvez, um c e um d também).

 

E se tal e tal acontecer?

 

Então eu farei tal e tal …

 

E se…

 

Então eu vou…

 

E se…

 

Então eu vou…

 

“Nada acontece ao sábio contra suas expectativas.” – Sêneca

 

O sábio se prepara perfeitamente bem.  Nada pode acontecer que ele não tenha previsto.  Ele antecipa todas as possibilidades negativas que possam atrapalhar seus planos.  Não é muito provável que tais coisas aconteçam, e não há muito que ele possa fazer sobre isso, mas ele estará sempre preparado mentalmente e poderá ter um plano b.

 

A antecipação das coisas ruins que acontecem torna tudo mais fácil de suportar.  Ela nos ajuda a não nos decepcionarmos quando a ‘desgraça’ acontece. Podemos enfrentar a adversidade com muito mais calma, analisá-la racionalmente e decidir tomar uma ação inteligente.

 

“Eu posso querer estar livre da tortura, mas se chegar a hora de eu suportar isso, eu desejo suportá-la corajosamente com bravura e honra.  Não preferiria não cair em guerra? Mas se a guerra me acontecer, eu desejarei levar nobremente as feridas, a fome e outras necessidades de guerra.  Nem sou tão louco a ponto de desejar doenças, mas se tiver que sofrer uma doença, não desejo fazer nada precipitado ou desonroso. A questão não é desejar essas adversidades, mas a virtude que torna as adversidades suportáveis. ”- Sêneca

 

O que Sêneca está dizendo aqui é que seríamos loucos por querer enfrentar dificuldades na vida.  Mas nós seríamos igualmente loucos por pensar que elas não vão acontecer. Precisamos nos preparar para que as dificuldades aconteçam, para que possamos estar prontos para enfrentá-las, em vez de ficarmos surpresos com a sua chegada inesperada.

 

Afinal, só podemos ser surpreendidos por aquilo que não prevíamos e, neste caso, estaremos despreparados e desesperados sobre o que fazer a respeito. Mas nós, como bons estóicos, jamais somos pegos de surpresa por nenhum evento negativo, pois praticamos diariamente a praemeditatio malorum, premeditação do mal ou visualização negativa.

 

Recapitulação rápida: A ideia de premeditação da adversidade é imaginar repetidamente cenários potencialmente “ruins” com antecedência, para que eles não te peguem de surpresa, e você será capaz de enfrentá-los com calma e agir de acordo com a virtude.

 

Lembre-se, não importa quão catastrófica uma situação possa parecer, para os estóicos esses eventos externos não são nem bons nem maus, mas indiferentes.  Somente nossas respostas a eles podem ser boas ou ruins.

 

Portanto, deixe sua mente vacinada e se exponha a situações difíceis através da visualização negativa e você ficará mais forte e menos vulnerável em situações da vida real. Donald Robertson acrescenta: “A resiliência psicológica tende a ‘generalizar’, de modo que mesmo situações que não são antecipadas nem diretamente  ensaiadas podem ser experimentadas como menos esmagadoras, contanto que uma ampla variedade de outras adversidades tenha sido antecipada e enfrentada de forma resiliente ”.

 

Experimente agora mesmo.  O que você está planejando fazer nos próximos dias?  O que poderia dar errado?

 

# 7 Adicione uma cláusula de reserva às suas ações planejadas

 

Você lembra que a virtude é o maior de todos os bens?

 

E que nós só controlamos nossas próprias ações?

 

Ótimo!  Porque essas ideias constroem a base da “cláusula de reserva”.

 

Nós, como estudantes estóicos, pretendemos fazer a coisa certa e tentar o nosso melhor para chegar lá, à boa vida, mas também estamos preparados a aceitar qualquer resultado com serenidade.

 

Faça o seu melhor para ter sucesso…

 

… e simultaneamente saber e aceitar que o resultado final está além do seu controle direto.

 

Sêneca define a cláusula de reserva com a fórmula: “Eu quero fazer isso e aquilo, a não ser que algo aconteça que possa representar um obstáculo à minha decisão”. Em outro lugar ele dá o exemplo: “Eu navegarei pelo oceano, se nada me impedir.”

 

Isso é super poderoso!

 

Essa é a chave para a confiança definitiva em si mesmo:

 

Simultaneamente (1) faça o seu melhor, (2) saiba que os resultados estão fora de seu controle, (3) aceite o que quer que aconteça e, finalmente, (4) continue a agir de acordo com a virtude.

 

Basicamente, temos um plano e tentamos de tudo para alcançar nosso objetivo, mas ao mesmo tempo sabemos que algo pode interferir e nos impedir de atingir nosso objetivo.  Aceitamos isso e adaptamos nosso plano às novas circunstâncias e tentamos novamente fazer o melhor que podemos.

 

Podemos chamá-lo de processo.  Nos esportes, por exemplo, você se concentra no processo, concentra-se no esforço, no treinamento, na preparação e em tudo o que está sob seu controle e, em seguida, obtém os resultados conforme eles surgem.  Ganhar não é o objetivo final, mas, sim, ser o melhor jogador e jogar o melhor que você pode.

 

E isso não é um convite para a preguiça.  Só porque você não controla o resultado não significa que você deva passivamente aceitar qualquer que seja o resultado, mas foque no que você pode fazer e faça o seu melhor.

 

Às vezes, as coisas não acontecem do nosso jeito, mesmo que façamos o nosso melhor e até mesmo se merecermos.  Independentemente do resultado, podemos sempre fazer o nosso melhor.

 

Massimo Pigliucci disse isso bem em seu livro “How to Be a Stoic”:

 

“Não confundir as aspirações, mesmo as bem fundamentadas, com como o universo irá (ou deveria) agir é uma das marcas de uma pessoa sábia”.

 

Esta é apenas uma fantástica ideia estóica: empreender as ações com uma cláusula de reserva, adicionar uma advertência como “se o destino permitir”, “se Deus quiser”, ou “se nada me impedir” para o que você se propõe a fazer.  E então aceite (ou até ame) o que acontecer.

 

Se lembra do Arqueiro Estóico?  Ele acertará o alvo se o destino permitir.  Ele tenta o seu melhor e depois aceita o resultado com serenidade.  E essa aceitação do que acontece nos leva à próxima ideia estóica.

 

# 8 Amor Fati – Ame tudo o que acontece

 

“Não procure que os eventos aconteçam como você deseja, mas deseje que os eventos aconteçam como acontecem e que sua vida corra bem.” Epicteto

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Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 1 de 2

Os 10 princípios estóicos fundamentais – parte 1 de 2

 

# 1 Viva de acordo com a natureza – o objetivo estóico da vida

 

O objetivo final da vida buscado por todas as antigas escolas de filosofia é a Eudaimonia.

 

Este objetivo de vida – a Eudaimonia – é algo um pouco complicado de se traduzir.  Pense na Eudaimonia como sendo a suprema felicidade, o supremo bem estar, a plenitude da vida ou a plena realização alcançável pelos seres humanos.  A Boa Vida – uma vida virtuosa, florescente, sublime e suave.

 

O objetivo da vida = A Boa Vida.

 

Isso não é muito útil e nos leva à principal preocupação da Filosofia Estóica: Como viver a vida? Como viver para chegar à Boa Vida?

 

Para viver a Boa Vida é preciso “Viver de acordo com a natureza”.

 

Esta máxima abstrata é a definição mais conhecida do objetivo estóico de vida.

 

Então, “viver de acordo com a natureza” era um slogan central do estoicismo, mas requer explicações adicionais, pois levanta a questão: “O que exatamente significa isso?”

 

Vamos ver o que um dos principais filósofos estóicos disse a esse respeito. Nas palavras de Epicteto:

 

“Pois o que é o homem?  Um animal racional, sujeito à morte.  Imediatamente perguntamos, a partir do que o elemento racional nos distingue?  De feras selvagens. E de que mais? De ovelhas e afins. Olhe para isso, então, que você não faça nada como um animal selvagem, senão você destrói o Homem em você e falha em cumprir sua promessa.  E que você não aja como uma ovelha, ou então novamente o Homem em você perece.

Você pergunta como agimos como ovelhas?

Quando consultamos a barriga, ou nossas paixões, quando nossas ações são aleatórias, sujas ou imprudentes, não estamos nos desviando para o estado das ovelhas?  O que nós destruímos? A faculdade da razão. Quando nossas ações são combativas, travessas, raivosas e rudes, não caímos e nos tornamos bestas selvagens? “

 

O ser humano é um animal racional.  Isso é o que nos separa das ovelhas e bestas.  Somos diferentes de todas as outras espécies do planeta Terra, tanto para melhor quanto para pior.  O que realmente interessa não é que temos dentes menores, nem pele diferente ou ossos mais fracos, mas nossas habilidades sociais e racionais.

 

O que distingue os seres humanos de todas as outras espécies é a nossa capacidade de raciocinar.  Não devemos nos comportar como ovelhas ou bestas porque isso nega nossa humanidade, a coisa mais preciosa e natural que temos, a natureza humana.

 

“Viver de acordo com a natureza” é sobre se comportar racionalmente como um ser humano, em vez de aleatoriamente, por impulso ou instinto, como uma fera.  Em outras palavras, devemos sempre aplicar nossa habilidade natural de raciocinar em todas as nossas ações. Se aplicamos a razão, vivemos de acordo com a natureza, especialmente, de acordo com a nossa natureza humana, porque agimos como os humanos devem agir. Os humanos devem aplicar a razão e agir como seres humanos, não como animais.

 

O ser humano, além de ser um animal racional, é, ainda, um animal social. Desde os primórdios da espécie, nas cavernas, vivemos em bandos, em tribos, em famílias e, posteriormente, em cidades dentro de Estados nações. Portanto, devemos agir não só racionalmente, mas, também, devemos tomar nossas decisões não só levando em conta aquilo que é o melhor para nós mesmos, como indivíduos, mas também considerando que as nossas ações devem ser as melhores possíveis para as sociedades nas quais vivemos, seja na família, no trabalho, na cidade, no país, no mundo, ou, até, no universo como um todo.

 

Ademais, não devemos apenas viver de acordo com a natureza em geral, ou seja, conforme as leis do universo e a vontade da natureza, nem somente viver de acordo com a natureza humana, utilizando das nossas capacidades únicas de racionalidade e sociabilidade, mas também e, principalmente, devemos viver de acordo com a nossa natureza individual, portanto, respeitando nossas inclinações e habilidades naturais, nossas vocações, obedecendo ao que temos de mais profundo em nossas almas, a nossa verdade.

 

Por enquanto, tudo bem.  Mas isso é muito abstrato e difícil de entender.  Então, para entender melhor como essa “aplicação da razão” se parece no mundo real, vamos explorar outra máxima estóica que eles usaram para expressar sua meta de vida: “viver de acordo com a virtude”. Isso nos leva ao próximo princípio estóico.

 

# 2 Viva de acordo com a virtude – é o mais alto de todos os bens

 

Alcançar a “virtude” é o bem maior.

 

Basicamente, quando você vive de acordo com a virtude, você está vivendo a Boa Vida.  Essa excelência humana acontece em diferentes formas de virtude, ou, simplesmente, podemos nos sobressair de maneiras diferentes, há inúmeras e incontáveis virtudes.  

 

Para os estóicos, no entanto, havia um conjunto básico de virtudes que deveriam ser apreendidas e praticadas por todos aqueles que quisessem viver a Boa Vida, são elas, as quatro virtudes essenciais:

 

Sabedoria ou Prudência: Inclui excelente deliberação, juízo, bom senso, perspectiva, bom senso.

 

Justiça ou justiça: inclui boa vontade, benevolência, serviço público e social, e, negociação justa.

 

Coragem: Inclui bravura, perseverança, autenticidade (honestidade), confiança.

 

Auto-Disciplina ou Temperança: Inclui ordem, autocontrole, perdão, humildade.

 

Então, quando você age de acordo com essas virtudes, você progride em direção à Boa Vida, ou Eudaimonia, o objetivo final da vida.  Portanto, a chave para viver a Boa Vida é a perfeição da razão e viver de acordo com a virtude, ou ser virtuoso (pleno de virtudes).

 

No sentido estóico, você só pode ser virtuoso se praticar todas as quatro virtudes essenciais.  Por exemplo, se você agir corajosamente durante o dia e for covarde durante a noite, você não é verdadeiramente virtuoso.  Virtude é um pacote de tudo ou nada.

 

Para os estóicos, era claro que a virtude deve ser sua própria recompensa.  Você faz alguma coisa porque é a coisa certa a fazer. Você age de acordo com a natureza, com a razão e de acordo com as virtudes essenciais por si mesmas.  Não importam se haverão consequências positivas a essas ações virtuosas ou não, pois agir de acordo com a virtude é recompensador em si mesmo, enquanto você está progredindo em direção à Vida Boa.

 

Fazer o que é certo é o suficiente, é a sua natureza e é o seu trabalho.

 

Novamente, o termo “virtude” realmente se refere à excelência em seu próprio caráter e à aplicação da razão de uma maneira saudável e louvável.

 

(Veja, o estoicismo é muito sobre fazer a coisa certa, é muito sobre as ações que você toma e sobre quem você é. É o seu caráter e as suas ações que importam.)

 

Às vezes, agir de acordo com a virtude traz benefícios adicionais (por exemplo, o sentimento de alegria porque você agiu de forma justa).  No entanto, esses benefícios devem ser interpretados como bônus adicionais e não podem ser o principal motivo para ação, porque eles não estão inteiramente sob o nosso controle.

 

Portanto, sempre aplique a razão e tente fazer a coisa certa.  Aja de acordo com as virtudes essenciais, pratique a sabedoria, a justiça, a coragem e a autodisciplina.  Nunca por algum benefício que possa advir dos seus atos, mas, simplesmente, por agir bem, de forma virtuosa e ter o prazer de ver seu auto aprimoramento diário, passando a ser, cada dia mais, a melhor versão de você mesmo.  Concentre-se no que você pode controlar, que é agir de maneira excelente e virtuosa, de forma a melhorar seu caráter contínua e infinitamente.

 

# 3 Concentre-se no que você pode controlar, aceite o que você não pode controlar

 

“Faça o melhor uso do que está em seu poder e tome o resto como acontece.  Algumas coisas dependem de nós e algumas coisas não dependem de nós. ” Epicteto

 

Esta passagem é encontrada logo no início do Enchiridion ou Manual de Epicteto, porque é fundamental para os ensinamentos de Epicteto e para a Filosofia Estóica.  Essa assim chamada dicotomia estóica do controle é, na verdade, o princípio mais característico do estoicismo.

 

Devemos distinguir cuidadosamente entre o que está dentro do nosso controle, ou em nosso poder, e o que está fora do nosso controle ou poder.  O que está completamente dentro de nosso controle são exclusivamente nossas escolhas voluntárias, ou seja, nossas ações e julgamentos, todo o resto está fora do nosso controle.

 

Então, sim, nosso corpo, por exemplo, não depende de nós, ou pelo menos não inteiramente.  Sim, eu também acredito que há muitas coisas que podemos fazer para obter um corpo saudável e atraente.  Mas isso só é possível até certo ponto. Podemos controlar nossas ações e comer uma dieta saudável, nos exercitar sistematicamente e nos movimentar muito, mas não temos controle sobre outras coisas, como nossos genes, nossas predisposições genéticas e familiares, nossa exposição precoce a uma determinada alimentação, saudável ou não, e estilo de vida, sedentário ou não, e outros fatores externos, como doenças, lesões, remédios necessários e seus efeitos colaterais indesejáveis, etc.  

 

Nós só controlamos nossas próprias ações e temos que aceitar o resultado delas com serenidade.  Nós temos a satisfação e a confiança de saber que estamos fazendo o nosso melhor e tentando tudo ao nosso alcance para chegar onde queremos estar.  Então, ou podemos aceitar facilmente o resultado porque sabemos que fizemos o nosso melhor, ou não podemos, porque sabemos, secretamente, que não fizemos o nosso melhor.

 

Aos meus olhos, isso é um grande impulsionador da confiança.  Você faz tudo o que pode e tudo o que está em seu poder para alcançar seus objetivos.  E então você entra no momento da verdade com confiança, porque você fez o seu melhor. Se o resultado não for satisfatório, você pode aceitá-lo facilmente e dizer: “Bem, eu fiz o meu melhor”.

 

As coisas que dependem de você, seus pensamentos e suas ações são as coisas mais importantes da vida.  

 

O aspecto mais atraente do estoicismo é que somos completa e totalmente responsáveis ​​por nosso crescimento e aperfeiçoamento pessoais, porque tudo o que realmente importa na vida depende de nós. E, assim, não nos resta qualquer desculpa para não nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos e não vivermos a Boa Vida, porque isso depende unicamente de nós.

 

Portanto, a principal lição a ser tirada daqui é focar nossa atenção e nossos esforços onde temos mais poder e deixar o universo cuidar do resto.  Os estóicos usaram a analogia do arqueiro para explicar isso:

 

Um arqueiro está tentando acertar um alvo.  Ele tem uma série de coisas sob seu controle, como treinamento, arco e flecha para usar, como mirar e quando soltar a flecha.  Então ele pode fazer o seu melhor até o momento em que a flecha deixa seu arco.

 

Com tudo isso, ele vai acertar o alvo?

 

Não necessariamente, porque Isso não depende dele.  Afinal, uma rajada de vento, um movimento súbito do alvo, ou a passagem de algo entre a flecha e o alvo, pode mudar tudo e desviar a flecha de seu alvo, por melhor que tenha sido a ação do arqueiro. E o arqueiro estóico está pronto para aceitar todos os resultados possíveis com serenidade, porque ele fez o seu melhor e deixou o resto (o que ele não podia controlar) para a natureza.

 

“Este é precisamente o poder do estoicismo: a internalização da verdade básica de que podemos controlar nosso comportamento, mas não seus resultados – muito menos os resultados dos comportamentos de outras pessoas – leva à aceitação calma de tudo o que acontece, seguros no conhecimento de que fizemos o nosso melhor, dadas as circunstâncias”. Massimo Pugliucci, em “How to be a Stoic”, tradução livre.

 

E podemos sempre tentar o nosso melhor, vivendo de acordo com a virtude.  Sim, podemos sempre tentar aplicar a razão, agir com coragem, tratar as pessoas com justiça e exercitar a moderação.

 

Então, façamos um dos melhores exercícios práticos favoritos do estoicismo.  É uma ideia de Epicteto:

 

“Então, faça uma prática ao mesmo tempo de dizer a todas às impressões fortes: ‘Uma impressão é tudo o que você é, não a fonte da impressão’. Teste e avalie com seus critérios, mas principalmente: pergunte: ‘Isso é algo que  está, ou não, no meu controle? ‘E se não é uma das coisas que você controla, esteja pronto com a reação,’ Então não é da minha conta ‘”.

 

Verifique suas impressões e pergunte a si mesmo se isso depende de você ou não.  Se é com você, então faça algo sobre isso, se não, aceite como é.

 

Então, qualquer coisa ou depende de você ou não é da sua conta.  Em outras palavras, é “indiferente”. Isso nos leva diretamente à próxima grande ideia estóica.

 

# 4 Distinguir entre coisas boas, ruins e indiferentes

 

Os estóicos diferenciavam entre coisas “boas”, “más” e “indiferentes”.

 

As coisas boas incluem as virtudes essenciais, sabedoria, justiça, coragem e autodisciplina.  As coisas ruins incluem os opostos dessas virtudes, ou seja, os quatro vícios, ignorância, injustiça, covardia e indulgência.

 

Coisas indiferentes incluem todo o resto, mas, principalmente, vida e morte, fama e má reputação, prazer e dor, riqueza e pobreza, e saúde e doença.  Coisas indiferentes podem ser resumidas como saúde, riqueza e reputação.

 

O que mais impressiona é o fato de que as coisas indiferentes estóicas são exatamente o que as pessoas comuns hoje em dia julgariam como boas ou más. Trata-se de uma inversão de valores muito comum atualmente, as pessoas valorizam muito mais as coisas externas, principalmente o dinheiro, as posses e o status social, ao invés do que realmente importa, as questões internas, o que realmente somos, nossas virtudes, nossos pensamentos e ações ética e moralmente corretos, nossa retidão de caráter. Hoje, infelizmente, importa mais ter do que ser, quando deveria ser exatamente o contrário.

 

No entanto, no estoicismo, era assim, o ser valia muito mais do que o ter, as questões internas eram muito mais importantes que as externas. Eles sabiam muito bem que essas coisas externas, os indiferentes, não ajudam nem prejudicam nosso crescimento e aprimoramento como seres racionais.  Eles não desempenham um papel necessário para alcançarmos a Boa Vida. O que importa de verdade são os valores que cultivamos e praticamos, as nossas virtudes, o verdadeiro bem e a única coisa que pode nos ajudar a viver a Boa Vida.

 

Em resumo: coisas indiferentes como saúde, riqueza e reputação são completamente indiferentes para a Boa Vida.  Elas simplesmente não importam. Elas não são boas nem más em si mesmas, mas indiferentes. Se você é rico ou pobre, saudável ou doente, isso não importa para sua felicidade final.  Portanto, devemos aprender a sermos indiferentes em relação às coisas indiferentes e aprender a ficarmos satisfeitos com o que a natureza coloca em nossas vidas.

 

Indiferença não significa frieza. Pelo contrário, uma vez que as coisas indiferentes não dependem de nós, elas são desejadas por algo maior do que nós, são a vontade da natureza, e podemos amá-las igualmente.  Ser indiferente às coisas indiferentes significa não ver diferenças entre elas, mas tomá-las como são e amá-las igualmente.

 

Mas ser saudável é melhor do que estar doente, não é?

 

Sim.  Embora as coisas indiferentes não possam realmente ser boas, algumas são, no entanto, mais valiosas do que outras e preferíveis a elas.  Portanto, os estóicos diferenciavam entre coisas indiferentes preferidas e não preferidas.

 

Os estóicos criaram uma interpretação bastante lógica.  Coisas positivas e indiferentes como boa saúde, amizade, riqueza e boa aparência foram classificadas como indiferentes preferidas, enquanto seus opostos eram indiferentes não preferidas.

 

Faz sentido.  No entanto, os estóicos tornaram a vida harmoniosa e eudaimônica um objetivo alcançável para todos, independentemente do status social, saúde, riqueza ou aparência.  Embora todas essas qualidades sejam preferidas, elas ainda são indiferentes e não são necessárias para viver uma vida virtuosa.

 

As pessoas sempre preferirão a alegria à dor, a riqueza à pobreza e a boa saúde à doença. Por isso, prossiga e procure essas coisas, mas não quando isso puser em perigo sua integridade e te impedir de viver de acordo com a virtude.  Em outras palavras, é melhor suportar a dor, a pobreza ou a doença de maneira honrosa do que buscar alegria, riqueza ou saúde em uma situação vergonhosa.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

A amizade é uma indiferente preferida.  É melhor ter amigos do que não ter amigos.  No entanto, quando se trata de tomar uma decisão, pelo seu amigo ou pela virtude, os estóicos sempre escolheriam a virtude.

 

Um estóico não negligenciaria a moralidade mentindo para salvar um amigo.  A justiça pesa mais que a amizade para os estóicos.

 

Caráter e moralidade são maiores e muito mais importantes do que amizade e amor

 

Lembre-se sempre de que, mesmo quando algumas coisas são preferidas, elas são, no entanto, indiferentes em relação à realização da Boa Vida.  Preferidas, mas ainda indiferentes.

 

O único bem é a virtude (sabedoria, coragem, justiça, autodisciplina), que depende completamente de nós.

 

O único mal é o vício (ignorância, covardia, injustiça, indulgência), que depende completamente de nós.

 

Tudo o mais, aquilo que não depende de nós e está fora do nosso controle, é indiferente e, em última análise, não importa para a Boa Vida, porque não depende de nós, está fora do nosso controle.

 

Então, não é o que você tem ou não tem, mas o que você faz com isso é que é importante.  Suas ações e pensamentos são o que conta. São tudo o que você controla.

 

É preferível ser rico do que pobre, e é preferível ser saudável do que doente, mas o que importa para os estóicos é o que você faz com determinada situação.

 

Seu comportamento é o que conta.  E isso nos leva ao próximo princípio estóico principal.

 

# 5 Aja como um filósofo – o verdadeiro filósofo é um guerreiro da mente

 

Você pode estar pensando:

 

“Já que a maioria das coisas não está dentro do meu controle e eu devo olhá-las com indiferença. Então, posso simplesmente me deitar, não fazer nada e não me importar com nada?”

 

Não!

 

Isso é chamado de “Argumento Preguiçoso” e não funciona para os estóicos.  Nas palavras de Donald Robertson, “Os eventos não estão determinados a acontecer de uma maneira particular, independentemente do que você faz, mas sim junto com o que você faz… O resultado dos eventos ainda muitas vezes depende de suas ações”.

 

Não está tudo pré-determinado, predestinado. As suas ações modificam o seu destino, mesmo que indiretamente.

 

Você controla suas ações.  E apenas recostar e não fazer nada não o levará para a Boa Vida, e isso não fará de você uma boa pessoa.

 

Embora os estóicos considerassem as coisas externas como indiferentes, elas não eram indiferentes às suas próprias ações.

 

Como os estóicos queriam viver de acordo com a virtude para chegar à vida eudaimônica, eles tinham que tentar fazer a coisa certa.  Sempre.

 

Os estóicos eram praticantes, eram homens de ação.

 

Sim, o estoicismo é uma filosofia de vida muito prática.  Para os estóicos, não basta pensar em como viver a própria vida, mas é necessário realmente sair no mundo e praticar suas ideias.  Você deve alcançar a Boa Vida agindo corretamente.

 

Você não deve ficar satisfeito com a aprendizagem de idéias abstratas sobre como viver a vida, mas deve aplicar vigorosamente essas ideias no seu dia-a-dia.

 

Aqui está uma ótima comparação que Donald Robertson usou em seu livro A Filosofia da Terapia Cognitivo Comportamental.  O verdadeiro filósofo, um guerreiro da mente:

 

“Os antigos concebiam o filósofo ideal como um verdadeiro guerreiro da mente, um herói espiritual parecido com o próprio Hércules, mas desde o fim das escolas helenísticas, o filósofo se tornou algo mais estudioso, não um guerreiro, mas um simples bibliotecário de  a mente.”

 

Nos velhos tempos, um filósofo, literalmente um “amante da sabedoria”, era um guerreiro da mente.  Ele lutava batalhas com sua própria mente em busca de autodomínio, ele vivia para praticar a filosofia.

 

Hoje, um filósofo é muito mais bibliotecário da mente.  Em vez de lutar as batalhas com sua mente, ele recolhe as idéias como conhecimento teórico e as armazena em seu cérebro.  Mas ele esquece a parte mais importante do processo, que é realmente viver as idéias.

 

“Podemos ser fluentes na sala de aula, mas nos arrastarmos na prática e sermos miseravelmente naufragados.” – Epicteto

 

Não naufrague.  Escolha ser um guerreiro e praticar a Filosofia Estóica!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

 

O que é o Estoicismo?

O que é o Estoicismo?

O estoicismo é uma filosofia da sabedoria, ou seja, uma filosofia sobre como viver a vida e vivê-la bem.O estoicismo foi uma escola de filosofia antiga fundada em Atenas pelo comerciante fenício Zenão de Citio por volta de 301 a.C.  Originalmente chamado de zenonismo, veio a ser conhecido como estoicismo porque Zenão e seus seguidores se encontravam no Stoa Poikilê, ou Pórtico Pintado. As aulas de Zenão se davam em tal pórtico, pois, por não ser ele cidadão grego, não tinha direito de adquirir imóveis dentro da pólis, da cidade de Atenas, para que neles pudesse lecionar. Todavia, esse impedimento não foi um problema para o Estoicismo, muito pelo contrário, pois sendo lecionado no pórtico da cidade, um local público, atraia mais alunos, pessoas comuns, não apenas aristocratas, e passou a ser a filosofia mais conhecida e praticada tanto na Grécia quanto na Roma antigas. Os alunos que frequentavam a escola de Zenão no pórtico passaram a ser chamados de homens do pórtico, da stoa, ou, simplesmente, Estóicos.

A filosofia estóica se constitui progressivamente pelas contribuições sucessivas dos três primeiros mestres da escola, na sua origem grega: Zenão de Cítio (322 a.C. – 262 a.C.), que depois de ter sido discípulo de Crates, o cínico, fundou a escola em cerca de 300 a.C.; Cleanto de Assos (312-232) e Crisipo (227-204 a.C.), discípulos de Zenão. O estoicismo médio é representado essencialmente por Panécio (180-110) e Possidônio (135-51), que tiveram o grande mérito histórico de introduzir o estoicismo em Roma. O novo estoicismo se desenvolveu em Roma sob o império e está ligado a três grandes nomes: Sêneca (0-65 d.C.), Epitecto, um escravo, (50-125 d.C.) e o imperador Marco Aurélio (121-180).

Para o estóico, é preciso estar em consonância com a natureza para atingir a sabedoria. Assim, faz-se necessário entender que o único bem que existe é a retidão do caráter virtuoso e o único mal, o vício. O que não é nem virtude nem vício é indiferente. Assim, a doença, a morte, a pobreza, a escravidão, por exemplo, não são males, são indiferentes porque o sábio é, por definição, feliz, mesmo no sofrimento. O mau é sempre infeliz, uma vez que aflige a si próprio, pelo seu vício.

Assim, não estamos absolutamente entregues e sem defesa aos acidentes da vida, aos revezes da fortuna, nem à doença e à morte, mas temos, e nada nos pode tirar isso, a vontade de fazer o bem, a vontade de agir de acordo com a razão, de acordo com a natureza. E temos, principalmente, a capacidade de agir racionalmente, pois somos seres racionais, essa é a nossa natureza, a natureza humana. Assim, ao invés de reagirmos impulsivamente aos eventos externos que estão fora de nosso controle, temos o dever de pensar antes de agir, ou seja, somente tomar a decisão de agir ou não e de como agir após passada a reação emocional automática, ou seja, depois que pararmos e deixarmos a poeira baixar. Só assim teremos total controle sobre nossas ações e agiremos sempre de forma racional. E, ainda, importa lembrar que o ser humano, além de animal racional, é um animal social, portanto, devemos agir da melhor maneira não só para nós mesmos, mas para com a sociedade na qual vivemos.

Segundo o estoicismo, há uma oposição radical entre o que depende de nós e pode ser bom ou mau, porque objeto de nossa decisão, e o que não depende de nós, mas de causas exteriores, do destino, da vontade da natureza, e é indiferente.

A nobreza do seu caráter, aquilo que está dentro de você, é o que realmente importa.  Isso é o que a filosofia promete, o que a filosofia estóica ensina. O estoicismo é uma filosofia viva.  O que isso significa é que a filosofia estóica é mais do que apenas grandes pensamentos organizados em uma visão completa e coerente da realidade.  É, mais do que qualquer outra coisa, uma filosofia para viver, uma aplicação prática da sabedoria antiga, um modo de vida e um guia para as escolhas que alguém faz nesta vida.  E desde os seus primórdios, foi a única filosofia dirigida a todos os seres humanos – independentemente de gênero, etnia ou classe social.

Desde o início e por quase cinco séculos, o estoicismo foi uma das escolas de filosofia mais influentes e conceituadas na Grécia e Roma antigas.  Era uma das disciplinas filosóficas mais populares do Ocidente, praticada pelos ricos e pobres, pelos poderosos e pelos sofredores, na busca pela boa vida.  Mas, ao longo dos séculos, mais de dois milênios, o conhecimento outrora tão essencial desapareceu de vista e quase foi esquecido.

Foi somente a partir dos anos 1970 que o Estoicismo cresceu em popularidade novamente.  Principalmente porque tem sido a inspiração filosófica para a Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) e suas derivadas contemporâneas e por causa de autores como William Irvine, Donald Robertson, Massimo Pugliucci e Ryan Holiday, que escreveram best sellers sobre a filosofia Estóica.

Do Estoicismo clássico greco-romano, a grande maioria das obras do período romano chegaram até nós completas e intactas, tendo sido bem preservadas ao longo dos milênios.

Deste período romano, as obras que chegaram completas até nós são as dos três filósofos Estóicos mais famosos, o escravo Epicteto, o comerciante próspero Sêneca e o imperador romano Marco Aurélio. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles:

Marco Aurélio: O último bom imperador do Império Romano, o homem mais poderoso da Terra, sentou-se todas as noites para refletir sobre o dia e escrever em seu diário particular.  Este diário privado foi publicado como o livro Meditações e é a fonte mais significativa da Filosofia Estóica.

Epicteto: Nascido escravo, foi uma lenda.  Ele fundou sua própria escola e ensinou muitas das maiores mentes de Roma, uma das quais foi Marco Aurélio. Como Sócrates, Epicteto jamais escreveu coisa alguma. Porém, seus ensinamentos foram escritos por um de seus alunos, Arriano – os Discursos ou Diatribes e o Enchiridion, mais conhecido como o Manual de Epicteto.

Sêneca: Tutor e conselheiro de Nero (aquele imperador que incendiou Roma e que, mais tarde, forçou Sêneca a cometer suicídio) e o melhor dramaturgo e sábio comerciante de Roma.  Muitas de suas cartas pessoais sobreviveram e servem como uma grande fonte da filosofia Estóica.

Juntos, os documentos desses principais filósofos formam a base do Estoicismo (lembre-se de seus nomes, você os verá por aqui com muita frequência).

Em resumo, o estoicismo é uma filosofia de vida prática que ensina como manter uma mente calma e racional, não importa o que aconteça com você, e isso ajuda você a entender e se concentrar naquilo que você pode controlar e não se preocupar e aceitar o que você não pode controlar.

Ele está baseado em 10 princípios fundamentais, quais sejam:

1o – Viva de acordo com a natureza;

2o – Viva com virtude;

3o – Concentre-se no que você pode controlar e aceite o que você não pode controlar;

4o- Saiba distinguir entre as coisas boas, ruins e indiferentes;

5o – Aja como um verdadeiro filósofo;

6o – Pratique o infortúnio;

7o – Adicione uma cláusula de reserva às suas ações;

8o – Ame tudo o que acontece

9o – Transforme obstáculos em oportunidades; e,

10o – Seja consciente, presente e atento.

Além desses 10 princípios fundamentais, os Estóicos buscavam praticar todas as virtudes no seu dia-a-dia. Como são inúmeras e incontáveis, eles definiram 4 virtudes como essenciais, são elas: a sabedoria (ou prudência), a coragem, a justiça e a temperança (ou moderação, ou, ainda, autodisciplina).

Todos estes princípios fundamentais e estas virtudes essenciais serão minuciosamente explicados e detalhados nos próximos posts.

Por hoje, é só, pessoal!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

Marco Aurélio – Meditações;

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

Seneca – Diálogos; Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

 

Quem sou eu e qual a minha ligação com a filosofia (especialmente com o Estoicismo)?

Quem sou eu e qual a minha ligação com a filosofia (especialmente com o Estoicismo)?

Sou Vanessa Cordeiro, tenho 35 anos e moro no Rio Grande do Sul, tchê. Muito prazer!

Atualmente, sou acadêmica e pesquisadora em filosofia, especialmente em filosofia Estóica e sua relação com as mais modernas técnicas da psicoterapia, que, além de baseadas no Estoicismo, estão fazendo essa corrente filosófica de mais de 2.300 anos renascer na contemporaneidade como uma filosofia prática que nos trás grandes benefícios em todas as áreas da vida, eis que nos ensina a viver de acordo com a natureza, não só com a natureza modo geral ou com a natureza humana, mas, principalmente, com a nossa natureza pessoal, aquilo que de mais profundo carregamos em nossas almas, a nossa verdade. Mas, preciso explicar pra vocês como cheguei até aqui e como a filosofia Estóica tem me tornado uma pessoa melhor e mais feliz.

Pois bem, desde muito cedo, a partir dos doze anos de idade, me tornei uma amante da sabedoria, ou seja, uma eterna estudante de filosofia, graças ao meu professor de história da época, que era formado em filosofia, e passou a lecionar, gratuitamente, uma aula de filosofia por semana, no turno contrário, para os alunos interessados. Eu não perdia uma dessas aulas! Nelas travei meus primeiros debates filosóficos e aprendi sobre as mais diversas linhas da filosofia. E, claro, li “O mundo de Sofia”, na época recém-lançado, simplesmente o melhor livro de introdução à história da filosofia já escrito (recomendo muito a leitura).

A partir de então, me apaixonei fortemente pela filosofia e me tornei uma leitora voraz. Cursei a faculdade de Direito, o que fiz por tradição familiar e porque a disciplina de filosofia, à época, ainda não era obrigatória no ensino médio. E eu precisava fazer um curso que me desse uma profissão sólida, afinal, todos precisamos de dinheiro para viver. Ainda assim, a filosofia sempre foi a minha grande paixão! Cheguei a fazer parte do curso de filosofia na faculdade, mas me vi obrigada a retornar ao Direito por questões práticas e financeiras. Mesmo durante o curso de Direito, eu vivia com um livro de filosofia a tiracolo.

Tornei-me, assim, além de advogada, pós graduada em Direito Tributário e autora de um livro e de alguns artigos publicados na área, também, autodidata em filosofia, devoradora de livros de diversas linhas e escolas filosóficas. Dos Pré-Socráticos a Nietzsche, passando por Descartes, Hobbes, Rousseau, Platão, Aristóteles, Michel Foucault, Albert Camus, dentre muitos outros.

Porém, o que eu mais procurava e ansiava encontrar ainda não tinha passado pelas minhas mãos. Eu buscava incessantemente uma filosofia de vida prática, não apenas teórica; realista, mas esperançosa. Pensei tê-la encontrado em Nietzsche, tendo lido e relido várias vezes toda a sua extensa obra, de cerca de trinta livros. Todavia, apesar de sua genialidade indiscutível, Nietzsche é extremamente radical no sentido de que temos que superar a nós mesmos, a tudo e a todos ao máximo, caso contrário, seremos medíocres. De certa forma, ele tem razão, tanto que é amplamente copiado até hoje em cursos e livros de autoajuda. Entretanto, esse excesso de auto superação, na minha opinião, leva a um excesso de culpa, e, por outro lado, a cada vez que descobrimos que não somos capazes de alcançar a perfeição e o sucesso sobrehumanos, eis que somos apenas humanos, nos sentimos altamente frustrados.

Então, continuei minha busca pela filosofia de vida prática ideal para mim, aquela que pudesse me dar segurança nos momentos mais turbulentos e cheios de problemas e percalços da vida, como um colete salva-vidas, e que, ao mesmo tempo, me trouxesse tranquilidade, serenidade e plenitude durante os bons momentos da vida; uma filosofia em que eu pudesse continuar aprendendo dia-a-dia e me aprimorando ética e moralmente para viver uma vida virtuosa.

Foi aí que, a partir de Nietzsche – que faz muitas referências à filosofia Estóica – eu descobri, ou melhor, redescobri o Estoicismo, que eu já havia visto por alto em alguns livros de história da filosofia.

Ocorre que, até então, eu achava que o Estoicismo era uma filosofia muito rígida, de uma disciplina quase militar, e que ela consistia em suprimir todos os nossos sentimentos, tornando-nos totalmente impassíveis, inabaláveis e frios. Contudo, este é um erro muito comum, uma conclusão precipitada de quem não conhece a matéria a fundo, um preconceito. E, como eu não gosto de preconceitos e prejulgamentos, principalmente dos meus, decidi ir à origem da filosofia Estóica para melhor compreendê-la.

Foi então que, pelos idos de 2014, tendo lido Epicteto, Marco Aurélio e Sêneca, os principais filósofos do Estoicismo, eu me apaixonei pela filosofia Estóica e venho estudando-a e praticando-a diariamente desde então, há cerca de 5 anos, bem como lendo e relendo constantemente suas obras clássicas.

O Estoicismo tem me ajudado, e muito, em todos os aspectos da minha vida. Percebo uma maior tranquilidade e menor ansiedade, maior atenção ao momento presente, ao agora, maior organização, diminuição do stress, aumento da empatia e da compaixão, da segurança, da autoestima, da coragem para enfrentar o dia-a-dia, da firmeza de caráter, do uso das virtudes, da temperança ou moderação, da auto disciplina ou auto controle, e, principalmente, o não mais me deixar ser abalada pelas coisas externas, como a opinião dos outros sobre mim, ou mesmo por mudanças inesperadas na vida, como o surgimento de uma doença, uma perda financeira, uma desilusão amorosa, etc.; pois aprendi que estas coisas não dependem de mim, são o imponderável da vida e a vontade da natureza, portanto, devo simplesmente aceitá-las sem lutar contra ou me abalar em função delas.

Enfim, aprendi com os Estóicos a arte de viver a boa vida, a vida plena de virtudes e realização pessoal, por meio do auto aprimoramento constante. E, agora, me sinto na obrigação de devolver ao mundo tudo o que eles me ensinaram e, então, ensinar a você a ter uma vida plena e virtuosa por meio do Estoicismo.

Ainda não estou totalmente pronta, e nunca estarei, minha mudança é diária e constante. Afinal, somos seres perfectíveis, jamais perfeitos por completo. E é para essa caminhada de autoconhecimento e aperfeiçoamento contínuos e infinitos que quero lhe convidar.

Como disse Gandhi, a felicidade está no caminho, e não na chegada.

E então, vamos caminhar juntos?!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

O que é o projeto Filosofia Todo Dia?

O que é o projeto Filosofia Todo Dia?

O projeto Filosofia Todo Dia nasceu em 2017, quando decidi dividir com o mundo um pouco do que eu vinha aprendendo nas minhas pesquisas de filosofia, por meio da página no Facebook, fb.com/filosofiatododia. Decidi fazer isso, inicialmente, trazendo citações de grandes filósofos, sem me posicionar a respeito, pois eu sentia que ainda não estava pronta para isso.

Agora, em 2019, resolvi ampliar o projeto e levá-lo para o Instagram, em instagram.com/filosofia_todo_dia ou, simplesmente, @filosofia_todo_dia. Isto, mais ou menos no mesmo período em que eu passei a criar as imagens das citações, trazendo, também, uma nova identidade visual para o Filosofia Todo Dia.

E, finalmente, hoje, dia 01/07/2019, tenho a satisfação de apresentar a vocês o blog Filosofia Todo Dia, www.filosofiatododia.com.br!


O blog terá como foco os meus estudos da filosofia Estóica, que ensina a arte de viver de acordo com a natureza com o objetivo de nos melhorarmos constantemente para vivermos uma vida virtuosa e feliz, bem como a sua correlação com as mais novas linhas da psicoterapia que, baseadas no Estoicismo, estão impulsionando o renascimento dessa filosofia de mais de dois milênios no mundo contemporâneo, como um prática diária de autoconhecimento e reflexão.

Quero dividir com vocês tudo o que aprendi e continuo aprendendo diariamente ao longo dos últimos 5 anos, quando conheci o Estoicismo e passei a ler sobre ele e a praticá-lo diariamente. Para isso, vou trazer artigos, trechos de livros e citações de vários autores, desde os filósofos clássicos da filosofia Estóica, Epicteto, Sêneca e o imperador romano Marco Aurélio, até os autores do chamado “Modern Stoicism”, ou Estoicismo Moderno, a corrente filosófica e psicoterapêutica que é responsável pelo renascimento do Estoicismo em pleno século XXI, contando com vários best sellers de autores como Donald Robertson, Ryan Holiday e Massimo Pugliucci.

Claro que vou dar os meus pitacos aqui e ali, dando a minha interpretação a alguns aspectos da filosofia Estóica, escrevendo alguns posts autorais e, principalmente, traduzindo textos de linguagem extremamente técnica e acadêmica para uma linguagem mais simples e acessível, para que possa beneficiar a todos.

Eu acredito fortemente que tudo o que aprendemos tem que ser multiplicado ao máximo. Não podemos simplesmente aprender algo positivo e não compartilhá-lo. Foi por meio desse compartilhamento de ideias e conhecimentos que filosofias tão antigas quanto o Estoicismo, com seus mais de 2.300 anos, chegaram praticamente intactas e completas até nós. Temos o dever de manter a roda do conhecimento sempre em movimento constante, para que o conhecimento jamais morra, mas se perpetue, se multiplique e gere novos frutos.

Por isso, quero fazer um pacto com você, caro leitor: eu faço a minha parte aqui, divulgando no blog tudo o que aprendi e continuo aprendendo diariamente sobre o Estoicismo e, você, por sua vez, compartilha esse conhecimento com o máximo de pessoas possível, ok?! E vale compartilhar de qualquer jeito, não apenas compartilhar o blog e seus artigos, mas, principalmente, utilizar o que você aprenderá aqui na sua vida diária, praticar o Estoicismo, para melhorar a sua própria vida, e também conversar sobre ele com os amigos, a família, os colegas de trabalho, levantar o interesse sobre o assunto e plantar um pouquinho de filosofia Estóica no coração e na alma de cada um!


Desejo que esse blog possa ser um porto seguro e uma fonte de conhecimento da filosofia Estóica, de uma forma agradável e leve, para todos os que aqui chegarem, e que, especialmente, todos levem daqui um pouco de sabedoria prática que possam aplicar em suas vidas, de forma a se tornarem a melhor versão de si mesmos a cada dia e, assim, terem uma vida plena de virtudes e felicidade!

Sejam muito bem-vindos ao blog Filosofia Todo Dia! Sintam-se em casa!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro