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Quanto custa adiar a vida?

Quanto custa adiar a vida?

Você é daquelas pessoas que ficam adiando a vida infinitamente? Daqueles que dizem: quando me formar, serei feliz. Então, se formam e adiam a sua felicidade para o próximo momento desejado, dizendo: quando me tornar diretor da empresa, serei feliz. Chegam lá e ainda não são felizes. Então, passam a vida adiando mais e mais a própria felicidade, para quando se aposentarem ou quando chegarem à uma determinada idade.

Se este é o seu caso, pare agora! Só existe um momento para se viver e ser feliz, é o presente, porque não existe nenhum outro momento além dele. O passado já se esvaiu, é só uma reminiscência, e o futuro é incerto e não sabido, ninguém pode garantir que ele ocorrerá, muito menos que ocorrerá da maneira como planejamos.

Portanto, seja feliz hoje, agora, neste exato momento! Não adie a sua felicidade, mas viva hoje como se não houvesse amanhã – afinal, quem sabe se haverá ou não um amanhã?

Esteja presente e plenamente atento ao agora. Este é o seu momento, viva-o da melhor forma possível! Esse é o presente que todos recebemos da vida e a única forma de agradecer é dando a ele todo o valor que ele merece!

Você só existe no aqui e agora. Como dizia Heráclito, tudo muda, tudo flui eternamente, por isso não podemos entrar no mesmo rio duas vezes, porque nem o rio nem você será o mesmo, já terão mudado, ainda que em um espaço de milésimos de segundo.

Além da mudança, a única coisa certa na vida é a morte. Lembre-se que você é mortal e vai morrer a qualquer momento e, então, por isso, valorize a sua vida agora, seja feliz agora, ame agora!

Esta é uma das principais lições dos filósofos estóicos. Para ilustrá-la melhor, deixo que o grande Sêneca fale por si mesmo e te leve a refletir sobre como você tem vivido a sua vida e como pode vivê-la melhor:

“Vemos que chegaste ao fim da vida, contas já cem ou mais anos. Vamos! Faz o cômputo de tua existência. Calcula quanto deste tempo credor, amante, superior ou cliente, te subtraiu e quanto ainda as querelas conjugais, as reprimendas aos escravos, as atarefadas perambulações pela cidade; acrescenta as doenças que nós próprios nos causamos e também todo o tempo perdido: verás que tens menos anos de vida do que contas. Faz um esforço de memória: quando tiveste uma resolução seguida? Quão poucas vezes um dia qualquer decorreu como planejaras! Quando empregaste teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste a aparência imperturbável, o ânimo intrépido? Quantas obras fizeste para ti próprio? Quantos não terão esbanjado tua vida, sem que percebesses o que estavas perdendo; o quanto de tua vida não subtraíram sofrimentos desnecessários, tolos contentamentos, ávidas paixões, inúteis conversações, e quão pouco não te restou do que era teu! Compreendes que morres prematuramente. Qual é pois o motivo? Vivestes como se fósseis viver para sempre, nunca vos ocorreu que sois frágeis, não notais quanto tempo já passou; vós o perdeis, como se ele fosse farto e abundante, ao passo que aquele mesmo dia que é dado ao serviço de outro homem ou outra coisa seja o último. Como mortais, vos aterrorizais de tudo, mas desejais tudo como se fôsseis imortais. Ouvirás muitos dizerem: “Aos cinqüenta anos me refugiarei no ócio, aos sessenta estarei livre de meus encargos.” E que fiador tens de uma vida tão longa? E quem garantirá que tudo irá conforme planejas? Não te envergonhas de reservar para ti apenas as sobras da vida e destinar à meditação somente a idade que já não serve mais para nada? Quão tarde começas a viver, quando já é hora de deixar de fazê-lo. Que negligência tão louca a dos mortais de adiar para o qüinquagésimo ou sexagésimo ano os prudentes juízos, e a partir deste ponto, ao qual poucos chegaram, querer começar a viver!”

Memento Mori et Carpe Diem!

(Lembre-se que você é mortal e aproveite o dia!)

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Eis uma questão filosófica tão profunda e importante que, até hoje, não há para ela uma resposta definitiva.

Sobre isso trata um dos mais belos livros do estóico Sêneca, chamado de “Sobre a brevidade da vida”.

Deixo hoje, então, que ele fale por si mesmo, para que possamos refletir se estamos ou não vivendo bem as nossas vidas, vivendo o momento presente, o agora, plenamente atentos, pois nossa vida pode se esvair a qualquer momento. Quando? Não sabemos. Mas, a única certeza que temos é a de que morreremos cedo ou tarde. Portanto, Memento Mori et Carpe Diem! (Lembre-se que você é mortal e vai morrer e aproveite o dia!).

Com a palavra, Sêneca:

“1 – 1: A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: (2) “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito (3) mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou (4) por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor”.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

Não há nada de errado em ter coisas boas

Não há nada de errado em ter coisas boas

Sêneca era um homem muito rico.  Ele tinha coisas legais. Críticos da época, e desde então, disseram que isso é prova indiscutível de sua hipocrisia.  Como pode um estóico ter mesas de marfim caras? Não é anti-filosófico ter várias casas? Ou servos?

Na opinião de Sêneca, a resposta era não.  Ninguém disse que o estoicismo significava um voto de pobreza ou privação desnecessária. Como ele escreveu: “A filosofia exige vida simples, não por penitência … nossas vidas devem observar um meio feliz entre os caminhos do sábio e os caminhos do mundo como um todo”.

A vida pura é, em certa medida, relativa.  Um jantar de filé de R$ 100,00, para uma determinada pessoa, é um luxo insano. Para uma pessoa com um salário muito maior e em um ambiente social diferente, jantar no mesmo restaurante pode ser uma opção despretensiosa e conveniente (especialmente se todos os amigos dela estiverem buscando reservas em algum lugar ainda mais extravagante e mais caro).  O Mercedes que eles compraram com dinheiro, que é realmente seguro e tem ótimo consumo de combustível, pode realmente ser mais simples do que para a pessoa de meios mais modestos do que outra que está dirigindo um novo Ford com um financiamento não pago (quando realmente ela deveria andar de trem).



O Estoicismo não é, como disse Sêneca, uma forma de autoflagelação. É sobre responsabilidade e sobriedade. É possível ser sóbrio e rico, assim como é possível ser de classe média e esbanjador. Você vive só uma vez. O dinheiro é ganho para ser gasto. Apenas certifique-se de gastá-lo de maneira inteligente e filosófica. E vivendo, da melhor maneira que puder, é claro.

Portanto, para ser estóico, pouco importa se você é rico ou pobre, o que importa é que você saiba administrar bem as suas posses e viva de acordo com a virtude e conforme a natureza (a natureza em geral, a natureza humana e, principalmente, a sua natureza individual).

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com

FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

FALE A VERDADE, mesmo que te odeiem por isso

Há um certo arquétipo que é tão antigo tanto na literatura, quanto na história. Uma das primeiras vezes que o vemos no Ocidente é com Cassandra nas tragédias gregas. Ela tem o poder de ver o futuro (ela profetizou a queda de Tróia e o assassinato de Agamenon), mas ninguém a escuta.  Então temos Demóstenes, cujas advertências contra a ascensão de Phillip (pai de Alexandre, o Grande) são tão incessantes que todo mundo o odeia por isso. Mais tarde, em Roma, Cato, o Velho – o avô de Cato – foi um crítico tão frequente (e ultimamente presciente) quando se tratava de Cartago, que ele desempenharia o mesmo papel. De fato, ele terminaria todo discurso que desse, não importando o assunto, não importa a ocasião, com Carthago delenda est (“Cartago deve ser destruída”).

Seu neto, Cato – o imponente estóico – desenvolveria uma reputação semelhante, a de um obstinado contador da verdade, mesmo quando isso era inconveniente, mesmo quando perturbava a paz, mesmo quando fazia inimigos, mesmo quando estava exausto ou sabia que ele seria ignorado.

Em todos esses casos, as pessoas só queriam que eles parassem. Por que você tem que ser tão chato? Por que você não pode ser mais diplomático? Você não vê que está apenas irritando as pessoas?



Tudo isso era uma crítica legítima. Talvez com um pouco mais de tato e melhor consciência, essas mensagens importantes poderiam ter sido ouvidas mais cedo ou mais receptivamente. Cato, o Velho, Cato e Demóstenes pareciam estar quase tentando afastar as pessoas da maneira como falavam e martelavam sua mensagem.

Mas é importante entender a diferença entre como você diz algo e com que frequência diz isso. O tom é uma coisa (para sempre ser considerada), o tempo é outra coisa. “Esperar o momento certo.” “Tentar descobrir a melhor maneira de dizer isso.” “Não querer afastar as pessoas.” Essas são questões de tempo em que, mais frequentemente do que não, nós nos apoiamos como desculpas para evitar uma das coisas mais difíceis de fazer no mundo: falar uma verdade impopular. Avisar às pessoas sobre uma realidade com a qual elas preferem não lidar.

Cícero, contemporâneo de Cato (e admirador de seu avô), cita esta linha de raciocínio:

“A indulgência nos faz amigos

Mas a verdade nos leva ao ódio”. Cícero

Se nos dissermos que nosso trabalho principal é ser um bom mensageiro, corremos o risco de comprometer nossa mensagem. Acabamos omitindo partes importantes ou desagradáveis ​​da mensagem, arredondando suas bordas afiadas na busca de encaixar, em vez de ficar de fora, para que nossa mensagem seja ouvida. Nós podemos acabar nos dando bem … mesmo que as conclusões que saírem disso estejam erradas.

Mas se o nosso trabalho é dizer a verdade – não importa o que aconteça, não importa quem perturbe ou quão impopular isso nos torna – e estamos comprometidos em fazer isso enquanto tivermos um pingo de sangue em nossos corpos? Então, nenhuma consideração ou comprometimento pode nos parar. E, esperançosamente, podemos acordar as pessoas – como Winston Churchill fez sobre o nazismo – antes que seja tarde demais.



Sejamos os porta-vozes da verdade, sempre, mesmo que todos nos odeiem por isso. Agir com virtude, nesse caso, ser honesto e verdadeiro, é sempre mais importante do que agradar a quem quer que seja.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com

A PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE VITÓRIA

A PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE VITÓRIA

É fácil olhar para as pessoas que são calmas e auto disciplinadas e presumir que sua disposição lhes é natural ou que, de algum modo, é divinamente inspirada.  Essas pessoas, elas simplesmente não têm que lutar contra as tentações ou as frustrações com as quais nós, meros mortais, lutamos – é por isso que elas são capazes de se apresentar diante de nós como modelos de equanimidade e equilíbrio.


Talvez em alguns casos isso seja verdade, mas geralmente não é. Tome alguém como George Washington, por exemplo. Para as pessoas que o encontraram, ele era um modelo de racionalidade e autocontrole.  Mas aqueles que realmente o conheciam entenderam que ele, como todas as pessoas ambiciosas, estava sujeito a grandes paixões e um temperamento agitado desde seus primeiros dias. De fato, isso foi exatamente o que tornou Washington tão impressionante para aqueles que realmente trabalharam com ele. Como o governador Robert Morris escreveu sobre Washington, foi com essas paixões que Washington travou “sua primeira disputa e sua primeira vitória foi sobre si mesmo”.
O mesmo aconteceu com Cato e Marco Aurélio. Eles não eram naturalmente estóicos. Se tivessem sido, seu exemplo não seria tão significativo. Porque então eles não teriam sido exemplos: seria apenas biologia, divindade ou sorte aleatória. As “Meditações” de Marco Aurélio não são pregação … é um livro de trabalho destinado quase exclusivamente para o próprio escritor. Cato não era perfeito. Seus colegas viram nele as mesmas falhas que viam em si mesmos – mas foram inspirados pela maneira como ele se aproximava mais da vitória do que eles. Ele os forçou a serem melhores.

Enfrentamos a mesma batalha interna de George Washington. Nós temos ambições.  Nós temos paixões. Nós temos temperamento. Nós temos tentações. Mas o que importa é como nós nos elevamos acima dessas coisas; como as canalizamos para fins positivos. Seja formando uma nova nação ou liderando uma, sendo gentis quando seria mais fácil ser mesquinho, resistindo ao impulso do ego ou do egoísmo, podemos conquistar a nós mesmos e, assim, tornar o mundo um lugar melhor. A vitória começa em casa. Começa por dentro.

E não se engane, é uma batalha tão difícil de vencer quanto de lutar. Mas, a vitória é possível. Só depende do seu trabalho árduo e dedicação contínua na melhoria de si mesmo, no seu progresso moral constante.

Vamos juntos, passo a passo, vencer essa batalha!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fonte: dailystoic.com 

PREMEDITATIO MALORUM: O valor do pensamento negativo

PREMEDITATIO MALORUM: O valor do pensamento negativo

A Premeditatio Malorum ou Visualização Negativa é uma chave para o sucesso que poucos descobriram.

Um CEO chama sua equipe para a sala de conferências na véspera do lançamento de uma nova iniciativa importante. Eles entram e tomam seus lugares ao redor da mesa.  Ele chama a atenção para a reunião e começa: “Tenho más notícias. O projeto falhou espetacularmente. O que deu errado?

A equipe está perplexa: “O que ?! Mas nós ainda nem lançamos …!”

Eu sei que parece estranho e, talvez, até contraproducente, exigir que os funcionários pensem de forma negativa em vez de otimista, mas nos círculos de negócios de hoje, desde startups a empresas da Fortune 500 e à Harvard Business Review estão fazendo exatamente esse exercício.  Em uma resposta direta ao pensamento otimista e às palestras motivacionais, esses líderes estão incentivando seus funcionários a pensar negativamente.

A técnica que o CEO acima estava usando foi projetada pelo psicólogo Gary Klein.  Chama-se premortem. Em uma premortem, um gerente de projeto deve imaginar o que pode dar errado – o que vai dar errado – antes de começar. Por quê? Demasiadas empresas ambiciosas falham por razões evitáveis. Muitas pessoas não têm um plano B porque se recusam a considerar que algo pode não ocorrer como desejam.

Ninguém nunca entendeu isso melhor do que o ex-campeão de peso pesado, Mike Tyson, que, refletindo sobre o colapso de sua fortuna e fama, disse a um repórter: “Se você não é humilde, a vida atirará a humildade sobre você.”

A prática remonta muito mais do que apenas à psicologia.  Ela remonta a mais de dois milênios, na verdade, aos grandes filósofos estóicos como Marco Aurélio, Epicteto e Sêneca.  E eles tinham um nome ainda melhor para isso: Premeditatio Malorum (premeditação dos males).

Um escritor como Sêneca começaria revisando ou ensaiando seus planos, digamos, para fazer uma viagem.  E então, em sua cabeça (ou por escrito), ele repassaria as coisas que poderiam dar errado e como impediria que isso acontecesse – uma tempestade poderia surgir, o capitão poderia ficar doente, o navio poderia ser atacado por piratas.

“Nada acontece ao sábio contra a sua expectativa”, escreveu ele a um amigo.  “Nem todas as coisas acontecem para ele como ele desejava, mas como ele previa”, e, acima de tudo, ele acreditava que algo poderia bloquear seus planos.

Ao fazer esse exercício, Sêneca estava sempre preparado para as interrupções e sempre trabalhava com a possibilidade de ter que interromper seus planos. Ele estava preparado para a derrota ou a vitória. E sejamos honestos, uma surpresa agradável é muito melhor do que uma desagradável.

Em um caso em que nada poderia ser feito, os estóicos o usariam como uma prática importante para fazer algo que o restante de nós muitas vezes não consegue fazer, gerenciar expectativas. Porque, às vezes, a única resposta para “E se?” É: “Vai ser uma droga, mas ficaremos bem”.

“O que é bastante inesperado é mais esmagador em seu efeito, e o inesperado aumenta o peso de um desastre.  Esta é uma razão para garantir que nada nos surpreenda. Devemos projetar nossos pensamentos à nossa frente a cada momento e ter em mente todas as eventualidades possíveis, em vez de apenas o curso normal dos acontecimentos.  Ensaie-os em sua mente: exílio, tortura, guerra, naufrágio.  Todos os termos do humano devem estar diante de nossos olhos”.

Sêneca

Muitas vezes aprendemos da maneira mais difícil que nosso mundo é governado por fatores externos. Nem sempre conseguimos o que é nosso por direito, mesmo que o tenhamos conquistado. Nem tudo é tão limpo e direto como os jogos que eles jogam na escola de negócios. Psicologicamente, devemos nos preparar para o pior acontecer.

Se é sempre uma surpresa constante para você toda vez que algo inesperado acontece, você não só vai se sentir infeliz toda vez que tentar algo grande e não conseguir, mas você terá muito mais dificuldade em aceitar isso e passar para os planos B, C ou D. A única garantia, sempre, é que as coisas podem dar errado. A única coisa que podemos usar para mitigar isso é a antecipação, porque a única variável que controlamos completamente é a nós mesmos.

O mundo pode chamá-lo de pessimista.  Quem se importa? É muito melhor parecer deprimente do que ser pego de surpresa. Fazendo a Premeditatio Malorum ou Visualização Negativa antes de começar qualquer um dos seus planos, a única surpresa que você pode ter é uma surpresa positiva, é ver as coisas ocorrendo muito melhor do que você esperava, porque você estava preparado para o pior.

Se nos preparamos para os obstáculos que estão inevitavelmente a caminho, podemos ter certeza de que as outras pessoas não estarão tão preparadas quanto nós estaremos. Em outras palavras, esse azar é, na verdade, uma chance de nos compensarmos algum tempo. Nós nos tornamos como corredores que treinam em colinas ou em altitude para que possam vencer os pilotos que esperavam que o percurso fosse plano.

Antecipação não facilita magicamente as coisas, é claro. Mas, estamos mais preparados para que elas sejam tão difíceis quanto podem ser, por mais difíceis que sejam.

Você sabe o que é melhor do que construir coisas na sua imaginação? Construir as coisas na vida real. Claro, é muito mais divertido construir coisas em sua imaginação do que destruí-las.  Mas a que propósito isso serve? Isso só te deixa desapontado. Quimeras, falsas esperanças, são como ataduras – elas doem quando são arrancadas.

Como Sêneca diria, os golpes inesperados da fortuna caem mais e mais dolorosamente, e é por isso que o sábio pensa sobre eles com antecedência.  Também é impossível se preparar para algo que você não conhece. O estóico não vê esse ato de visualização negativa como pessimista, mas simplesmente uma característica de seu otimismo autoconfiante: estou pronto para enfrentar qualquer coisa que aconteça e também estou pronto para fazer o trabalho necessário agora para garantir que eu não desperdice energia em problemas que poderiam ter sido resolvidos com antecedência.

Então, se você quer ter um ótimo dia hoje, pense em todas as maneiras pelas quais ele pode dar errado. Esteja preparado para isso. Pense em como você lidaria com isso, todas as coisas que você precisaria fazer em resposta. Pratique estar calmo em face de quão esmagador possa parecer.  Lembre-se de que as pessoas dependerão de você e é por isso que você precisa responder corretamente. Considere os passos que você pode dar agora em antecipação.

Espere ter um dia bem sucedido e agradável, claro, apenas esteja pronto caso não seja.

Com a antecipação, temos tempo para aumentar as defesas, ou até evitar um determinado plano completamente.  Estamos prontos para nos afastarmos porque traçamos um caminho de volta. Podemos resistir a nos desmoronar e desesperar se as coisas não saírem como planejamos. Com a antecipação, podemos suportar.

Estamos preparados para o fracasso e prontos para o sucesso!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Fontes: https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-obstacle-is-the-way/201405/the-surprising-value-negative-thinking

 

https://dailystoic.com

 

A HISTÓRIA DO MEMENTO MORI

A HISTÓRIA DO MEMENTO MORI

A única verdade perene – rica ou não, bem sucedida ou não, religiosa, filosófica, não importa – é que você vai morrer.  Desde o começo do tempo até o fim, a morte é a comunalidade universal inescapável. Reis ou camponeses, brilhantes ou estúpidos, todos morrem ou estão mortos.  Alguns tentam não pensar nisso. Mas, para outros, a certeza da morte é mantida na linha de frente do pensamento. Por quê? Para que eles possam realmente viver!

“Memento Mori”, em latim, ou, traduzido para o português, “Lembre-se que você deve morrer”, ou, ainda, “Lembre-se que você é mortal”. O objetivo deste lembrete não é ser mórbido ou promover o medo, mas sim inspirar, motivar e esclarecer.  A ideia tem sido central para a arte, a filosofia, a literatura, a arquitetura e mais ao longo da história. Como Sócrates diz, no Fédon de Platão, “O único objetivo daqueles que praticam a filosofia da maneira correta é preparar-se para morrer e estar morto”.

Neste artigo, exploraremos a história dessa frase aparentemente assombrosa, mas realmente inspiradora, bem como de onde ela veio e o que ela significa.  Mostraremos como ela evoluiu através de suas muitas formas de prática e interpretação na literatura, arte, moda e cultura popular atual – onde milhares de pessoas carregam moedas Memento Mori em seus bolsos ou adaptaram outros lembretes físicos para manter a lembrança da morte com eles em todos os momentos.

UMA PRÁTICA CULTURAL INTEMPORAL

ESTÓICOS

Sêneca pediu em suas Cartas Morais a Lucílio: “Vamos preparar nossas mentes como se tivéssemos chegado ao fim da vida.  Não vamos adiar nada. Vamos equilibrar os livros da vida todos os dias … Aquele que dá os toques finais em sua vida todos os dias nunca perde tempo. ”

Em suas Meditações, Marco Aurélio escreveu para si mesmo: “Você poderia deixar a vida agora mesmo.  Deixe que isso determine o que você faz, diz e pensa. O Imperador Romano considerou prioritário manter a morte na linha de frente de seus pensamentos.  Ao fazer isso, o homem mais poderoso do mundo gerenciou as obrigações de sua posição, guiadas pela vida virtuosa AGORA.

Epicteto perguntava a seus alunos: “Você então pondera sobre como o supremo dos males humanos, a marca mais segura da covardia, não a morte, mas o medo da morte?” E implorava a eles que “se disciplinassem contra tal medo, dirigindo  todo o seu pensamento, exercícios e leitura para a consciência da morte – e, assim, saberão o único caminho para a liberdade humana. ”

Os estóicos usaram o Memento Mori para revigorar a vida e criar prioridade e significado.  Eles trataram cada dia como um presente, e lembraram-se constantemente para não perderem qualquer minuto do dia no trivial e vão. Estando presentes no aqui e agora, vivendo plenamente o momento presente.

ROMANOS

Acredita-se que o Memento Mori tenha se originado de uma antiga tradição romana.

Depois de uma grande vitória militar, os generais militares triunfantes desfilavam pelas ruas aos rugidos das massas.  A procissão cerimonial podia durar o dia inteiro com o líder militar montado em uma carruagem puxada por quatro cavalos.  Não havia uma honra mais cobiçada. O general era idolatrado, visto como divino por suas tropas e pelo público. Mas, na mesma carruagem, de pé logo atrás do general adorado, estava um escravo.  A única responsabilidade deste escravo pela totalidade da procissão era sussurrar no ouvido do general continuamente, “Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!”, ou seja, “Olhe para trás.  Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se que você deve morrer!”

O escravo serviu para lembrar o vencedor, no auge da glória, que essa adoração divina logo terminaria, enquanto a verdade de sua mortalidade permanecia.

EGÍPCIOS

Das sete maravilhas do mundo antigo, apenas uma permanece intacta – a Grande Pirâmide de Gizé.  Como os antigos egípcios transportaram mais de 170.000 toneladas de calcário para erigir a pirâmide continua a confundir os arqueólogos, mas o motivo é mais conhecido.

Precedendo as pirâmides pontiagudas e lisas, havia montes em forma de banco chamados de mastabas, construídos sobre os túmulos dos primeiros reis e faraós.  A Grande Pirâmide exibe um avanço estético, mas não simbolicamente. Estima-se que 20.000 civis contribuíram para a construção durante 20 anos da câmara funerária do faraó Khufu ou Queops – uma estrutura que relembra o destino compartilhado pela realeza e pelos comuns.


Múmias, tumbas e pirâmides escavadas revelam que a lembrança da morte estava entrincheirada na antiga cultura egípcia.  Os egiptólogos mantêm a preservação dos cadáveres e a construção de câmaras de morte elaboradas era um ato de celebrar a vida e uma reverência por sua efemeridade.

Michel de Montaigne, conhecido por criar o ensaio como um gênero literário e considerado o pai do ceticismo moderno, escreveu em um ensaio intitulado que estudar filosofia é aprender a morrer, o que deriva do antigo costume egípcio, onde festas comemorativas eram concluídas com o levantamento de um esqueleto e com o canto: “Beba e seja feliz, pois você será assim quando estiver morto.”

No auge da celebração, o costume egípcio era relembrar a fragilidade e a efemeridade da vida.  Através do visual do esqueleto e da pronunciação do canto, os celebrantes se entusiasmavam em reconhecer que o momento passaria logo, para não dar ter nada como garantido e viver a vida ao máximo a cada momento.

BUDISTAS

A atenção plena à morte é um ensinamento central no budismo. A prática meditativa maranasati, que significa “consciência da morte”, é considerada essencial para uma vida melhor.  Traz reconhecimento à natureza transitória da vida física de uma pessoa e estimula a questão de saber se alguém está ou não fazendo o uso correto de sua vida frágil e preciosa.

Como Buda disse: “De todas as pegadas, a do elefante é suprema.  Da mesma forma, de toda a meditação da atenção plena, a da morte é suprema ”.

CATÓLICOS

A Bíblia é o livro mais lido do mundo.  O livro mais lido do livro mais lido é o livro dos Salmos do Antigo Testamento.  É também o maior livro da Bíblia e o livro mais citado do Novo Testamento. Os teólogos atribuem sua reverência à captura da emoção humana, não apenas nas alegrias da vida, mas também nas lutas.  C.S. Lewis, cristão devoto e um dos escritores mais influentes do século XX, escreveu “Reflexões sobre os Salmos” porque os Salmos foram uma ajuda nas “dificuldades que encontrei” e nas “luzes que ganhei”.

Lewis dedica um capítulo à natureza transitória da vida.  A morte nos Salmos centra-se em torno da imortalidade e de que “a morte é inevitável”. Ele faz referência ao Sheol, “a terra dos mortos”, Hades, deus do submundo, e à “vívida e positiva doutrina da imortalidade” antes de citar o Salmo 89:46 como as reflexões “mais claras de todas”, o “Lembre-se de quão curto é o meu tempo”.

A queda do Império Romano, no século V d.C., levou a um tumultuado período de conflito, praga e crise política.  Sem um governo central forte para manter a ordem, a Igreja Católica surgiu como a instituição mais poderosa. Reis, rainhas e outros líderes derivaram poder através de sua lealdade e proteção à Igreja.  A devoção foi comprovada pela construção de grandes catedrais, igrejas e outros monumentos eclesiásticos. A arte funerária era exibida para obrigar os visitantes a refletir sobre o dom da vida. Crucifixos e túmulos eram mais comuns. Lembrar a inevitabilidade da morte é um tema bíblico central. Ele continua prevalecendo hoje, muito além da palavra escrita.

UM LEMBRETE ATRAVÉS DA ARTE

DANÇA MACABRA

O final da Idade Média foi um período de devastação.  Uma peste catastrófica, a Peste Negra, devastou a Europa, matando cerca de 25 milhões de pessoas – um terço da população.  Dos horrores sombrios e luta pela sobrevivência cresceu um gênero de arte chamado Danse Macabre, que significa Dança da morte.  Como a peste, Danse Macabre ilustra o poder da morte conquistadora. Pinturas incluem reis com camponeses, jovens com pessoas de idade, para transmitir que a morte vem para todos.

VANITAS

A vida é fugaz, então é melhor não desperdiçá-la em bens e prazeres sem sentido. Essa é a mensagem por trás da arte vanitas. Inspiradas no primeiro capítulo de Eclesiastes (“vaidade da vaidade, tudo é vaidade”), os artistas holandeses da Idade do Ouro do século XVII usaram a vida-morte como instrução moral. Os artistas enfatizavam o vazio e a futilidade dos itens terrenos. Crânios, velas, ampulhetas, relógios, frutas podres, flores murchas e livros desgastados estavam em cima de uma mesa para lembrar aos espectadores o quanto a vida é preciosa.


ANÉIS DE MEMENTO MORI

Pragas, guerras e massacres à parte, pessoas das épocas de Regência e Vitoriana lidaram também com algumas das maiores taxas de mortalidade infantil da história.  Sem vacinas para controlar as doenças, as mães perderam a vida dos recém-nascidos, e, às vezes, a própria vida, em um ritmo alarmante. A documentação começou a ser mantida em um levantamento de mortalidade anual. Dizer que a morte estava na mente do público seria talvez um eufemismo, ela estava muito presente na vida diária de todos.

A realidade assombrosa da incerteza da vida mostrou-se em muitas formas: arte, literatura, arquitetura e uma nova tendência, a joalheria. Anéis de Memento Mori foram usados ​​por todos, desde a rainha Victoria até os mais pobres. Bandos esqueléticos e crânios usando uma coroa lembravam os portadores de que a morte é a mestra de todos.

UM RESSURGIMENTO MODERNO

Enquanto o Memento Mori saiu de evidência em relação à sua relevância histórica, a motivação pela mortalidade é praticada de forma moderna, alimentada por modernos empresários, artistas, atletas, autores, entre outros.

Steve Jobs disse, famosamente:

“Lembrar que eu vou morrer em breve é ​​a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de vergonha ou fracasso – essas coisas simplesmente desaparecem diante da morte, deixando apenas o que é verdadeiramente importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não existe razão para não seguir o seu coração.”

O escritor e estrategista de mídia, Ryan Holiday, carrega um medalhão de Memento Mori para lembrá-lo de sua mortalidade.  Como diz Holiday:

“É fácil perder a consciência dessa mortalidade, esquecer o tempo, pensar que você vai viver para sempre. A ideia de que você vai morrer e que a vida é curta é apenas deprimente se você está pensando errado. Se você está pensando direito, isso deve lhe dar uma sensação de prioridade.  Deve até dar uma sensação de significado; você deve saber o que é importante, o que você está tentando fazer enquanto está aqui neste planeta.”

O bilionário autor, empresário, filantropo e coach de vida, Tony Robbins, disse:

“Há algo vindo para todos nós. Ele é chamado morte. Em vez de temê-lo, ele pode se tornar um dos nossos maiores conselheiros. Então, se esta fosse a última semana da sua vida, o que você mais apreciaria?  Como você viveria? Como você amaria? Que verdade você diria hoje?”

Quando o empresário, autor e palestrante, Gary Vaynerchuk, foi convidado a dar três palavras de inspiração para alguém, ele disse: “Você vai morrer”. Gary explica isso dizendo:

“A razão pela qual acredito nisso (morte como motivação) é porque é basicamente prático.  É a luz orientadora e o fogo e a ambição que me impulsionam para o meu legado e a viver melhor a minha vida.”

Tim Ferriss, autor de best-sellers, empresário e apresentador de um dos podcasts mais ouvidos no iTunes, compartilhou uma imagem no Instagram de sua moeda de Memento Mori, com uma legenda explicando como ele se lembra de não ver qualquer dia como garantido:

“Estou gostando de ter essa lembrança de Memento Mori (lembre-se que você vai morrer) no meu bolso: há uma maravilha ao nosso redor, mas somos efêmeros.  Estou tentando observar e aproveitar as pequenas coisas que expiram rapidamente “.

Em 2007, Damien Hirst criou um dos mais famosos exemplos de arte moderna de Memento Mori com o seu “For The Love of God”, com mais de 8.000 diamantes dispostos em um crânio humano.  A peça foi vendida por 50 milhões de libras.

Em 2014, a Disney adicionou uma loja chamada Memento Mori ao Magic Kingdom Park.  A loja apresenta “mercadoria com tema de mansão assombrada”.

A marca de moda de renome mundial, Gucci, recentemente usou Memento Mori como um tema em seu show “Gucci Cruise 2019”.  O show foi realizado em um cemitério em Arles, na França.

O cantor de R&B, The Weeknd, vencedor do Grammy, com múltiplos discos de platina, fez seu programa de rádio de 2018, “Memento Mori”, com sua música favorita que é inspirada nas últimas noites.

E Mac Miller, cuja promissora carreira musical terminou prematuramente, nos deixou com o lembrete. Apenas oito semanas antes de sua morte trágica, ele gravou seu último videoclipe, que incluiu uma cena dele esculpindo as palavras Memento Mori em um caixão. A captura de tela seguinte mostra o momento antes de Mac dar um soco no caixão.  A cena avança para Mac, libertando-se do caixão, subindo em uma pilha de terra, até o verso:

“Eu tenho todo o tempo do mundo

Então, por enquanto, estou apenas relaxando

Além disso, eu sei que é um sentimento lindo

No esquecimento

Falar sobre arte se tornando real.”

(Premonição?)

Hoje, as pessoas comuns não pensam na morte porque é desconfortável, triste ou assustadora. Felizmente, não somos mais homens das cavernas com medo de sermos devorados por um leão, ou antigos romanos com medo de sermos assassinados por um gladiador, ou da era medieval com medo de sermos vítimas de peste. Infelizmente, no entanto, à medida que o mundo se tornou mais seguro e melhor, começamos a pensar que vamos viver para sempre e que as coisas estão indo sempre conforme a nossa vontade. Os estóicos diriam que a morte é o que dá sentido à vida – é o limite no final que nos ajuda a aproveitar ao máximo o tempo que nos foi dado.

O Dr. BJ Miller, um psiquiatra e médico de cuidados paliativos, e um triplo amputado sobrevivente de um acidente de eletrocussão perto da morte, diz que meditar sobre a morte se tornou um tabu em nossa cultura, mas é o segredo para viver:

“Para aqueles de nós que trabalham no campo de cuidados paliativos, pode parecer que você está se escondendo em um segredo … Claro que é um trabalho emocionalmente carregado … Mas, você rapidamente recebe um doce sucesso de que prestar atenção para esta zona da vida é muito estimulante.  O segredo é que prestar atenção ao fato de que você vai morrer pode ajudá-lo a viver muito melhor. Meus colegas e eu estamos muito conscientes do relógio. Estamos conscientes da nossa finitude e, por isso, somos um pouco mais propensos a sermos gentis conosco mesmos e com os outros, e temos menos probabilidade de desperdiçar esse tempo precioso. ”

A verdade é que todos nós recebemos um diagnóstico fatal. O médico que tirou você da sua mãe sabia com certeza que você ia morrer, ele simplesmente não sabia exatamente quando. E nem você. Então mantenha o lembrete de Memento Mori com você. Lembre-se que você é mortal e que vai morrer, a qualquer minuto, mais cedo ou mais tarde. Não perca seu tempo com coisas triviais e sem sentido. Não tome como garantido o tempo que você tem. Viva a vida ao máximo agora, no momento presente, que é o único momento que existe, já que o passado não existe mais, sendo apenas uma reminiscência, e que o futuro ainda não existe, e pode nunca existir, sendo apenas uma possibilidade.

Ou, como diria Neil Gaiman:

“A vida é uma doença sexualmente transmissível e a taxa de mortalidade é de 100%”.

Quem sabe até quando estaremos aqui? Talvez, amanhã, já não estejamos. Portanto, memento mori et carpe diem! (Lembre-se que você é mortal e vai morrer e aproveite o dia!).

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Fonte: dailystoic.com

MEMENTO MORI – Lembre-se que você é mortal

MEMENTO MORI – Lembre-se que você é mortal

“Vamos preparar nossas mentes como se tivéssemos chegado ao fim da vida.  Não vamos adiar nada. Vamos equilibrar os livros da vida todos os dias. … Aquele que dá os toques finais em sua vida a cada dia nunca perde tempo. ”Sêneca

Em um triunfo romano, a maioria do público teria seus olhos colados ao general vitorioso na frente – um dos lugares mais cobiçados durante os tempos romanos.  Apenas alguns notaram o ajudante nas costas, logo atrás do comandante, sussurrando em seu ouvido: “Lembre-se, você é mortal”. Que lembrança para ouvir no auge da glória e da vitória!

São lembretes como este que precisamos desesperadamente em nossas próprias vidas – um pensamento ou uma ideia que preferimos ignorar, fazer tudo para evitar e fingir que não é verdade.  Na maioria das vezes, nosso ego foge de qualquer coisa que nos lembre da realidade que está em desacordo com a narrativa confortável que construímos para nós mesmos. Ou, simplesmente, estamos petrificados para ver os fatos da vida como eles são.  E há um simples fato sobre o que a maioria de nós tem medo de meditar, refletir e encarar de frente: vamos morrer. E todos ao nosso redor vão morrer.

Tais lembretes e exercícios fazem parte de Memento Mori – a prática antiga de reflexão sobre a mortalidade que remonta a Sócrates, que disse que a prática adequada da filosofia é “nada mais do que saber morrer”. Nos primeiros textos budistas, há um proeminente  lembrete no mesmo sentido, o termo é maraṇasati, que se traduz como “lembrar a morte”. Alguns sufis têm sido chamados de “povo dos túmulos”, por causa de sua prática de freqüentar cemitérios para refletir sobre a morte e a mortalidade.

Ao longo da história, lembretes de Memento Mori vieram em muitas formas.  Alguns, como o assessor do general, estavam lá para lembrá-lo de ser humilde, ainda que em meio a uma grande vitória.  Outros foram inventados para inspirar o gosto pela vida. O ensaísta Michel de Montaigne, por exemplo, gostava de um antigo costume egípcio onde, em tempos de festividades, um esqueleto era trazido com pessoas aplaudindo “Beba e alegre-se, quando você estiver morto, você ficará assim”.

Para nós, modernos, isso soa como uma idéia terrível.  Quem quer pensar sobre a morte? Mas e se em vez de ficarmos assustados e indispostos a aceitar essa verdade, fizermos o oposto?  E se refletir e meditar sobre esse fato fosse uma chave simples para viver a vida ao máximo? Ou se fosse a chave para nossa liberdade? Como disse Montaigne: “Praticar a morte é praticar a liberdade.  Um homem que aprendeu a morrer desaprendeu a ser escravo”.

Em suas Meditações – essencialmente seu próprio diário particular – Marco Aurélio, o grande Imperador Romano, escreveu que “Você poderia deixar a vida agora mesmo.  Deixe que isso determine o que você faz, diz e pensa.” Esse era um lembrete pessoal para continuar vivendo uma vida de virtude AGORA, nesse exato momento, e não esperar.  O pintor francês Philippe de Champaigne expressou um sentimento semelhante em sua pintura Natureza morta com uma caveira, que mostrava os três aspectos essenciais da existência – a tulipa (vida), o crânio (morte) e a ampulheta (tempo).  A pintura original faz parte de um gênero conhecido como Vanitas, uma forma de arte do século XVII que apresenta símbolos de mortalidade que incentivam a reflexão sobre o significado e a efemeridade da vida.

Meditar sobre a sua mortalidade só é deprimente se você errar o alvo.  É de fato uma ferramenta para criar prioridade e significado. É uma ferramenta que gerações usaram para criar perspectiva e urgência reais.  Tratar nosso tempo como um presente e não desperdiçá-lo no trivial e vão. A morte não torna a vida inútil, mas proposital. E, felizmente, não precisamos quase morrer para explorar isso.  Um simples lembrete pode nos aproximar de viver a vida que queremos. Não importa quem você é ou quantas coisas você ainda tem que fazer, um carro pode bater em você em um cruzamento e levar seus dentes de volta ao seu crânio.  É isso aí. Tudo poderia acabar. Hoje, amanhã, algum dia em breve.

O estóico acha esse pensamento revigorante e um lembrete para agir com humildade.  Não é de surpreender que uma das biografias de Sêneca seja intitulada “Dying Every Day”, ou seja, morrendo todo dia.  Afinal de contas, é Sêneca quem nos incita a dizer a nós mesmos “Você pode não acordar amanhã”, quando vai para a cama e “Você pode não dormir de novo”, ao acordar, como lembrança da nossa mortalidade.  Ou como outro estóico, Epicteto, insistia com seus alunos: “Mantenha a morte e o exílio diante de seus olhos todos os dias, junto com tudo que parecer terrível – ao fazê-lo, você nunca terá um pensamento fútil nem terá desejo excessivo”.  esses lembretes e meditar sobre eles diariamente são essenciais – deixe-os ser os blocos de construção de como viver sua vida ao máximo e não perder um segundo.


Memento mori et carpe diem!

(Lembre-se que você é mortal e aproveite o dia!)

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

Fonte: dailystoic.com

AMOR FATI: Aceite e ame tudo o que acontece

AMOR FATI: Aceite e ame tudo o que acontece

Aceitação:

É tão difícil! Muitas das vezes, parece até impossível. Mas, é possível. Acredite, você descobrirá como neste artigo.

Somos ousados ​​e ambiciosos e achamos que podemos endireitar tudo.

Mas nós não podemos.  Nós não podemos mudar a realidade.  No segundo, percebemos algo que já passou.  É como agarrar o vento. Há um segundo e você é rápido para alcançá-lo e baam – ele se foi.

E se pensarmos sobre isso, a aceitação é realmente a única opção.  O oposto é se opor a tudo o que acontece. Combater a realidade Lutar contra os fatos.  Que vida terrível?! Uma vida de oposição, frustração, ódio e infelicidade. Definitivamente, esta não é uma boa opção. Se contrapor à vida, ao destino, aos fatos, só vai te trazer mais e mais sofrimento, perda de tempo e energia. E, aceite isso, se estressar, se irritar, odiar Deus e o mundo pelo que acontece não vai mudar absolutamente nada. Nadar contra a corrente só te trará mal.

Precisamos aprender que as coisas acontecem como acontecem – às vezes, aparentemente boas, às vezes, aparentemente ruins. A vida nem sempre acontece do jeito que esperamos.

A menos que escolhamos aceitá-la de qualquer jeito, esse é o nosso caminho.  Quando escolhemos amor fati – amar tudo o que acontece, amar nosso destino -, então sempre a vida sempre ocorrerá do jeito que esperamos, porque esperamos que ela aconteça como deve acontecer, e não como nós queremos que aconteça. Somente dessa forma, aceitando a vida como ela é, podemos ter uma vida que flui de forma leve e agradável.

Porque a vida é do jeito que é. Imutável. E, portanto, deve ser boa (ainda que pareça uma porcaria).

E se você pensa agora, “Isso é uma droga, porque eu não tenho nenhum controle do que acontece na minha vida …”

Então, você está enganado.  Suas ações de hoje moldam seu amanhã.  E aceitar e amar o que quer que aconteça ajudará você a moldar a sua vida do seu jeito.

 

A PARTIR DE NIETZSCHE, UM RETORNO AO ESTOICISMO

Vocês lembram que eu falei, quando me apresentei, num dos primeiros posts do blog, que eu só encontrei o Estoicismo a partir da leitura da obra de Nietzsche? Pois é, não fui só eu. Em verdade, o Estoicismo estava adormecido há séculos até que Nietzsche, por volta do ano 1900 d.C., criou toda a sua filosofia com base no Estoicismo e em Heráclito, que era um filósofo pré-socrático que influenciou muito o Estoicismo.

Portanto, a partir do final do século XIX e início do século XX da nossa era, com Nietzsche, o Estoicismo experimentou um renascimento que hoje, em pleno século XXI, mais de 2.300 anos depois de sua fundação, na Grécia antiga, está florescendo fortemente ao redor do mundo, contando com inúmeros best sellers e autores e professores mundialmente renomados (Ainda, na sua grande maioria, em inglês. Por algum motivo desconhecido, o Estoicismo Moderno, como tem sido chamado, ainda é muito pouco traduzido para o português e não tem nenhum representante brasileiro a ele dedicado. Por enquanto…Quem sabe um dia a minha voz seja ouvida e o Estoicismo Moderno possa ressoar aqui no Brasil?!).

Pois bem, voltando ao amor fati, com Nietzsche:

“Minha fórmula para o que é grande na humanidade é amor fati: não desejar nada além do que é;  seja atrás, adiante ou por toda a eternidade. Não apenas para suportar o inevitável – muito menos para escondê-lo de si mesmo, pois todo idealismo é mentir para si mesmo em face do necessário – mas para amá-lo.” Nietzsche

O termo amor fati remonta ao filósofo alemão do final do século XIX e início do século XX, Friedrich Nietzsche.  (Fato interessante: foi Nietzsche quem escreveu a famosa máxima: “O que não me mata me fortalece”, bastante estóica, a meu ver.)

O significado de amor fati é o amor ao destino, a aceitação amorosa do seu destino, ou simplesmente, amar tudo o que acontece.

Amar tudo o que acontece inclui não desejar nada além do que é. Basicamente, essa era a fórmula de Nietzsche para uma vida feliz: não desejar que a realidade seja diferente e sim aceitar e, até, amar o que quer que aconteça.

Quase dois milênios antes, Epicteto, um dos líderes estóicos, tinha uma fórmula semelhante para uma vida que flui suavemente:

“Não procure que os eventos aconteçam como você deseja, mas deseje que os eventos aconteçam como acontecem e que sua vida transcorra sem problemas.” Epicteto

Isso é poderoso!

O estoicismo chama isso de “arte da aquiescência” ou “arte da aceitação” – aceitar em vez de lutar contra cada pequena coisa.  Aceitação estóica. E pode muito bem ser comparado ao amor fati de Nietzsche, bem como à pós-moderna linha da psicoterapia conhecida como terapia de aceitação e comprometimento.

Outro filósofo estóico, Marco Aurélio, fala da necessidade de ‘encontrar satisfação’ nos eventos externos que nos acontecem, de que devemos ‘cumprimentá-los com alegria’, ‘aceitá-los com prazer’, ‘amá-los’ e ‘desejar’ que eles aconteçam conforme determinado pelo nosso destino.” Donald Robertson

Os estóicos tentaram cultivar a aceitação do que aconteceu com eles.  “Se esta é a vontade da natureza, então que assim seja.” A maioria dos eventos acontece sem que você tenha uma palavra a dizer.  Você pode curtir e amar o que quer que aconteça, ou você será arrastado pelos fatos de qualquer maneira.

Os estóicos usaram uma metáfora impressionante para explicar isso: A metáfora do cachorro e do carrinho.

“O destino leva o que está à vontade e arrasta ao longo o relutante.” – Sêneca

O homem sábio é como um cão amarrado a um carrinho em movimento, correndo alegremente ao lado dele e acompanhando-o com suavidade, enquanto o homem insensato é como um cão que se esforça contra a coleira, mas se vê arrastado ao lado do carrinho.

O carrinho em movimento representa sua vida e tudo o que acontece.  O cachorro representa a gente. Ou aproveitamos o passeio e fazemos o melhor da jornada da nossa vida, ou lutamos contra tudo o que acontece e somos arrastados de qualquer maneira.  Nós podemos lutar tanto quanto quisermos, o carrinho se move na direção que ele quiser – para cima e para baixo e através da lama e da sujeira.

As coisas acontecem na vida, boas ou ruins, e assim que acontecem, não podemos alterá-las.  Eles estão lá apenas como a estrada lamacenta de subida. Pode ser doloroso, pode ser ruim. Mas você não pode mudar a situação em si, você não pode magicamente achatar e secar a colina lamacenta.  Você só pode mudar o que você faz a partir dela – lamacenta ou não.

Qual cão tem a vida melhor?

Ambos os cães estão na mesma situação, um só aproveita muito mais porque ele não luta contra o que ele não pode vencer – o destino.  Ninguém quer ser arrastado, então há apenas uma opção: aproveitar ao máximo a jornada que o motorista do carrinho escolher para você.

“Mas se eu simplesmente aceitar tudo, então posso renunciar e não fazer nada.”

Não!

ATENÇÃO: Aceitar o que quer que aconteça não significa desistir. Amar tudo o que acontece não significa desistir.

“É muito mais fácil falar da maneira como as coisas deveriam ser.  É preciso força, humildade e vontade de aceitá-los pelo que eles realmente são.  É preciso um homem ou uma mulher de verdade para enfrentar a necessidade. ”- Ryan Holiday

Aceitar o que é preciso muito mais do que lutar contra o que é.

É fácil entender como as coisas são.  É muito mais difícil aceitar e até amar as coisas como elas são.  Isso está longe de ser resignação passiva. A aceitação estóica do que acontece e de enfrentar a necessidade exige firmeza, humildade e vontade.

O argumento de que “não faz sentido fazer qualquer coisa se tudo acontece como acontece” é simplesmente preguiçoso.  E é uma desculpa. Mais uma vez, é preciso muito mais para aceitar, em vez de lutar contra tudo o que acontece.

E mesmo que você não possa decidir quais eventos exatos acontecem em sua vida, os resultados desses eventos ainda dependem de suas ações. São suas ações de hoje que moldam os eventos do seu amanhã.

Olha, só porque você tenta amar o que aconteceu não significa que você o tolera ou aprova.  Significa apenas que você entende que não pode mudá-lo e que é sua melhor opção aceitá-lo e tentar fazer o melhor possível.  E, então, tome as ações mais inteligentes dessa aceitação estóica.

“Ninguém quer que seus filhos fiquem doentes, ninguém quer estar em um acidente de carro;  mas quando essas coisas acontecem, como pode ser útil discutir mentalmente com elas? ” Byron Katie

As coisas são ruins, muitas vezes.  Isso é certo. Mas lutar contra elas não ajuda em nada.

Recapitulação Rápida: Amor fati é um termo em latim cunhado por Nietzsche e significa aceitação amorosa do seu destino.  A ideia é amar tudo o que acontece. Os estóicos já diziam que a chave para uma vida suave era desejar que os eventos acontecessem como acontecem.  Isso não tem nada a ver com a resignação passiva, pois é preciso muito mais para aceitar do que lutar contra tudo o que acontece. Suas ações são importantes.

Por que é tão poderoso amar tudo o que acontece?

Por que devemos tentar amar tudo o que acontece?

 

OCUPE-SE APENAS COM O QUE VOCÊ CONTROLA

 

Concentre-se no que você controla. Fique no seu “quadrado” e não lute contra a realidade.

“Inundações nos roubarão uma coisa, fogo, outra.  Estas são condições de nossa existência que não podemos mudar.  O que podemos fazer é adotar um espírito nobre, tal espírito como convém a uma pessoa boa, para que possamos nos comportar bravamente sob tudo aquilo que a fortuna (o destino) nos envia e colocar nossas vontades em sintonia com a vontade da natureza.” Sêneca

Na maioria das vezes, não temos controle sobre nossas vidas (lembre-se do carrinho de mudança ao qual estamos amarrados?).

Enchentes e incêndios poderiam ter roubado os antigos estóicos de suas casas e de sua colheita.  Hoje, tais catástrofes naturais ainda acontecem, mas na maioria das vezes temos inimigos diferentes em nossas vidas cotidianas.  Motoristas e colegas que nos deixam loucos e coisas sérias como doenças ou perda de emprego.

O ponto é, muitas coisas acontecem para nós sobre as quais não temos controle. Nós não podemos mudar essas coisas. Eles basicamente não cabem a nós. O que cabe a nós é apenas o que fazemos a partir dessas coisas.

Como diz a sábia música: “Cada um no seu quadrado”, rsrsrs 😂. Só pra descontrair. Mas, lembrar dessa frase singela pode nos ajudar bastante a saber diferenciar o que está dentro de nosso controle e o que está fora de nosso controle, para que foquemos somente naquilo que cabe a nós, ou, no que está no nosso “quadrado”. Funk também é sabedoria estóica, hehehe. 😉

 

CONCENTRE-SE NO QUE VOCÊ PODE CONTROLAR, ACEITE O QUE VOCÊ NÃO PODE.

Pense nisso, se você tentar controlar o clima, mais cedo ou mais tarde você vai surtar, porque você não pode controlar o tempo. O tempo apenas é como é.  E assim é tudo o que não está em nosso próprio controle.

Ressentir-se do que acontece é erroneamente supor que você tem uma escolha nesse assunto.  E isso levará ao sofrimento.

“Podemos ver que a nossa dor está entre o que achamos que deveria acontecer e o que realmente acontece.  Então, se removermos a demanda secreta por isso ou aquilo acontecer, a lacuna de dor desaparece. ” Vernon Howard

É exatamente isso! Precisamos perceber que a nossa dor, não importa se é o medo, a frustração ou a raiva, vem de ressentir a realidade.  Sofremos porque discutimos com o que acontece, queremos que a realidade seja diferente do que é. Isso leva à dor.

É o que encontramos no livro de Byron Katie, “Loving What Is”, logo na primeira página:

“A única vez que sofremos é quando acreditamos em um pensamento que argumenta com o que é.  Quando a mente está perfeitamente clara, o que é o que queremos. ” Byron Katie

Ela compara querer que a realidade seja diferente a tentar ensinar um gato a latir.  É impossível. A realidade é o que é. Se nossa mente está clara, o que é o que queremos.

E, no entanto, acabamos querendo que a realidade seja diferente o tempo todo.  “Meu marido deve trazer flores para casa às vezes.” “O vizinho deve cortar a grama.” “Nosso filho deve encontrar um emprego.” “O trem não deve ser atrasado.”

Esses pensamentos são todos modos de querer que a realidade seja diferente do que é.  Isso leva a muito estresse, causado por discutir com o que é (e o que não pode ser mudado).

Se lutar com a realidade nos deixa sofrendo, então só temos uma opção: não lutar contra a realidade.  Aceitação incondicional é a solução, se você gosta da realidade ou não. Amor fati – amar o que acontece.  Porque você não pode mudar isso, de qualquer maneira.

Recapitulação rápida: amar tudo o que acontece é tão poderoso porque é simplesmente a melhor opção, senão a única.  Lutar com o que é, argumentar com a realidade, vai piorar tudo. É a causa raiz do seu sofrimento. Não é o que aconteceu que é doloroso, é sua convicção de que devia ter acontecido de forma diferente que está causando toda a sua dor.  Claro, as coisas são ruins às vezes, mas você não pode mudá-las. Você só pode mudar a sua maneira de lidar com eles. As coisas não devem ser diferentes, elas devem ser exatamente como são, porque é assim que são.

“Sêneca disse que Zeus é como um general e a humanidade seu exército, devemos seguir sua liderança, gostemos ou não, mas ‘é um mau soldado quem segue seu comandante resmungando e gemendo’.” Donald Robertson

Não devemos resistir ao que acontece.  É como diz o ditado, “o que você resiste persiste”.

A ideia é simples: aproveite cada momento como ele é.  Tome a realidade como ela é. Não resista ou ela terá poder sobre você.  Se você não resistir, se você aceitar, ela não terá poder sobre você.

Conforme Marco Aurélio, assim como você toma um medicamento quando um médico lhe prescreve, devemos tomar eventos externos exatamente como eles são, porque eles são, assim como o remédio do médico, feitos para nos ajudar.

O que acontece com a gente é basicamente o tratamento da natureza para conseguirmos ser pessoas melhores.  Essas coisas acontecem para nós, não contra nós, mesmo que às vezes não pareça. Não devemos lutar, mas sim aceitar e amar essas coisas.  E veja o que elas podem fazer por nós.

Olha, eu sei, não é natural acreditar que algo que parece tão amargo é realmente bom para nós.  Mas é o melhor que podemos fazer, aceitar a vida como ela é, e achar que é boa só porque é assim.

 

ACEITE SEM JULGAR

Claro, se sua casa pega fogo e você perde tudo o que tem, parece muito irritante.  E você pode admitir que é uma droga. Mas quem sabe, talvez seja exatamente o que você precisava em sua situação de vida, por mais idiota que isso possa parecer.  Você não pode ter certeza de que isso é ruim. Fique com os fatos: sua casa foi incendiada e você perdeu tudo, menos sua vida e o que está vestindo.

Você não sabe quais oportunidades surgirão das cinzas da casa queimada.

 

PRATIQUE O DESAPEGO

As coisas são impermanentes.  Eles vêm e vão.

Aquele sorriso na pessoa que você ama não estará lá para sempre.  A dor que você sente quando você bate seu dedo do pé vai embora. O estilo de vida extravagante de que você gosta tanto passará também.

Como diz o ditado, em relação a qualquer coisa, é bom que sempre tenhamos em mente que “isso também passará”. Já que tudo realmente passa, a vida e tudo nela é impermanente. A única certeza que podemos ter na vida é da mudança, ela é certa, em todos os aspectos, inclusive a mudança final, a morte, também é certa. Essa sabedoria de que tudo muda constantemente foi utilizada pelos estóicos, mas sua origem está na filosofia do pré-socrático Heráclito. (Para quem se interessar, vale a pena pesquisar e ler sobre a filosofia de Heráclito).

O problema de se apegar a coisas, pessoas, riqueza, status, aparência e empregos é que essas coisas estão fora do seu controle.  Por quanto tempo você poderá mantê-los não está sob seu controle.

 

São esses anexos que dificultam a aceitação das mudanças.  Quando os temos, não queremos deixá-los ir. Nós nos tornamos escravos do status quo, não queremos que nada mude quando estamos num bom momento da vida. Mas, tudo sempre muda, é inevitável. Se para o melhor ou o pior, só o destino poderá responder no tempo certo.

 

“A vida está em constante mudança.  E nós também estamos. Ficar chateado com as coisas é erroneamente supor que elas vão durar.  Culpar a nós mesmos ou culpar os outros é agarrar o vento. Se ressentir com a mudança é erroneamente supor que você tem uma escolha no assunto.” Ryan Holiday

 

As coisas vêm e vão.  A única coisa que permanece é sua capacidade de decidir o que a mudança significará para você.  Você pode ficar adaptável e resiliente. E você pode decidir não se apegar demais ao que quer que seja.

 

As coisas são impermanentes. De acordo com o sábio músico Lulu Santos: “Tudo muda o tempo todo no mundo”.

 

Não se apegue às coisas.  Tudo está em constante mudança.  As coisas vêm e vão.

 

“Isso também passará.”

 

Recapitulação rápida: o que você pode fazer para amar seu destino?  (1) Não-resistência: não resista ao que acontece com você. É bom do jeito que é, mesmo que seja uma droga.  Aceite como está e faça o melhor possível. (2) Não-julgamento: Não julgue o que quer que aconteça como bom ou mau.  Porque você não sabe. Algo pode parecer ruim, mas vai se tornar bom em um instante. Talvez seja bom. Talvez seja ruim.  (3) Desapego: não se apegue às coisas. Porque nada dura. Tudo está em constante mudança. O apego causará dor quando as coisas mudarem.  “Isso também passará.”

 

E agora?

 

“Aceite – então aja.  Seja qual for o momento presente, aceitar é como se você tivesse escolhido.  Sempre trabalhe com isso, não contra isso. Torne-se seu amigo e aliado, não seu inimigo.  Isso milagrosamente transformará sua vida.” Eckhart Tolle

 

Aprenda a aceitar seu destino. E então aprenda a amá-lo.

 

Você primeiro precisa aceitar o que quer que aconteça com você.  Uma vez que você puder aceitá-lo, você poderá tentar amá-lo.

 

O que quer que aconteça acontece especificamente para você, para o seu bem (Mesmo que não pareça assim, de início.)

 

Amor fati et carpe diem!

(Ame tudo o que acontece como acontece e aproveite o dia, o momento presente, o agora!)

 

Saudações, meus amigos estóicos,

 

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

 

Marco Aurélio – Meditações;

 

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

 

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

 

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

 

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

 

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

 

Sêneca – Diálogos e Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

 

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>