Quanto custa adiar a vida?

Quanto custa adiar a vida?

Você é daquelas pessoas que ficam adiando a vida infinitamente? Daqueles que dizem: quando me formar, serei feliz. Então, se formam e adiam a sua felicidade para o próximo momento desejado, dizendo: quando me tornar diretor da empresa, serei feliz. Chegam lá e ainda não são felizes. Então, passam a vida adiando mais e mais a própria felicidade, para quando se aposentarem ou quando chegarem à uma determinada idade.

Se este é o seu caso, pare agora! Só existe um momento para se viver e ser feliz, é o presente, porque não existe nenhum outro momento além dele. O passado já se esvaiu, é só uma reminiscência, e o futuro é incerto e não sabido, ninguém pode garantir que ele ocorrerá, muito menos que ocorrerá da maneira como planejamos.

Portanto, seja feliz hoje, agora, neste exato momento! Não adie a sua felicidade, mas viva hoje como se não houvesse amanhã – afinal, quem sabe se haverá ou não um amanhã?

Esteja presente e plenamente atento ao agora. Este é o seu momento, viva-o da melhor forma possível! Esse é o presente que todos recebemos da vida e a única forma de agradecer é dando a ele todo o valor que ele merece!

Você só existe no aqui e agora. Como dizia Heráclito, tudo muda, tudo flui eternamente, por isso não podemos entrar no mesmo rio duas vezes, porque nem o rio nem você será o mesmo, já terão mudado, ainda que em um espaço de milésimos de segundo.

Além da mudança, a única coisa certa na vida é a morte. Lembre-se que você é mortal e vai morrer a qualquer momento e, então, por isso, valorize a sua vida agora, seja feliz agora, ame agora!

Esta é uma das principais lições dos filósofos estóicos. Para ilustrá-la melhor, deixo que o grande Sêneca fale por si mesmo e te leve a refletir sobre como você tem vivido a sua vida e como pode vivê-la melhor:

“Vemos que chegaste ao fim da vida, contas já cem ou mais anos. Vamos! Faz o cômputo de tua existência. Calcula quanto deste tempo credor, amante, superior ou cliente, te subtraiu e quanto ainda as querelas conjugais, as reprimendas aos escravos, as atarefadas perambulações pela cidade; acrescenta as doenças que nós próprios nos causamos e também todo o tempo perdido: verás que tens menos anos de vida do que contas. Faz um esforço de memória: quando tiveste uma resolução seguida? Quão poucas vezes um dia qualquer decorreu como planejaras! Quando empregaste teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste a aparência imperturbável, o ânimo intrépido? Quantas obras fizeste para ti próprio? Quantos não terão esbanjado tua vida, sem que percebesses o que estavas perdendo; o quanto de tua vida não subtraíram sofrimentos desnecessários, tolos contentamentos, ávidas paixões, inúteis conversações, e quão pouco não te restou do que era teu! Compreendes que morres prematuramente. Qual é pois o motivo? Vivestes como se fósseis viver para sempre, nunca vos ocorreu que sois frágeis, não notais quanto tempo já passou; vós o perdeis, como se ele fosse farto e abundante, ao passo que aquele mesmo dia que é dado ao serviço de outro homem ou outra coisa seja o último. Como mortais, vos aterrorizais de tudo, mas desejais tudo como se fôsseis imortais. Ouvirás muitos dizerem: “Aos cinqüenta anos me refugiarei no ócio, aos sessenta estarei livre de meus encargos.” E que fiador tens de uma vida tão longa? E quem garantirá que tudo irá conforme planejas? Não te envergonhas de reservar para ti apenas as sobras da vida e destinar à meditação somente a idade que já não serve mais para nada? Quão tarde começas a viver, quando já é hora de deixar de fazê-lo. Que negligência tão louca a dos mortais de adiar para o qüinquagésimo ou sexagésimo ano os prudentes juízos, e a partir deste ponto, ao qual poucos chegaram, querer começar a viver!”

Memento Mori et Carpe Diem!

(Lembre-se que você é mortal e aproveite o dia!)

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

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