Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Será a vida breve ou nós que a desperdiçamos?

Eis uma questão filosófica tão profunda e importante que, até hoje, não há para ela uma resposta definitiva.

Sobre isso trata um dos mais belos livros do estóico Sêneca, chamado de “Sobre a brevidade da vida”.

Deixo hoje, então, que ele fale por si mesmo, para que possamos refletir se estamos ou não vivendo bem as nossas vidas, vivendo o momento presente, o agora, plenamente atentos, pois nossa vida pode se esvair a qualquer momento. Quando? Não sabemos. Mas, a única certeza que temos é a de que morreremos cedo ou tarde. Portanto, Memento Mori et Carpe Diem! (Lembre-se que você é mortal e vai morrer e aproveite o dia!).

Com a palavra, Sêneca:

“1 – 1: A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: (2) “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito (3) mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou (4) por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor”.

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referência:

Sêneca – Sobre a brevidade da vida

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