O que é o Estoicismo?

O que é o Estoicismo?

O estoicismo é uma filosofia da sabedoria, ou seja, uma filosofia sobre como viver a vida e vivê-la bem.O estoicismo foi uma escola de filosofia antiga fundada em Atenas pelo comerciante fenício Zenão de Citio por volta de 301 a.C.  Originalmente chamado de zenonismo, veio a ser conhecido como estoicismo porque Zenão e seus seguidores se encontravam no Stoa Poikilê, ou Pórtico Pintado. As aulas de Zenão se davam em tal pórtico, pois, por não ser ele cidadão grego, não tinha direito de adquirir imóveis dentro da pólis, da cidade de Atenas, para que neles pudesse lecionar. Todavia, esse impedimento não foi um problema para o Estoicismo, muito pelo contrário, pois sendo lecionado no pórtico da cidade, um local público, atraia mais alunos, pessoas comuns, não apenas aristocratas, e passou a ser a filosofia mais conhecida e praticada tanto na Grécia quanto na Roma antigas. Os alunos que frequentavam a escola de Zenão no pórtico passaram a ser chamados de homens do pórtico, da stoa, ou, simplesmente, Estóicos.

A filosofia estóica se constitui progressivamente pelas contribuições sucessivas dos três primeiros mestres da escola, na sua origem grega: Zenão de Cítio (322 a.C. – 262 a.C.), que depois de ter sido discípulo de Crates, o cínico, fundou a escola em cerca de 300 a.C.; Cleanto de Assos (312-232) e Crisipo (227-204 a.C.), discípulos de Zenão. O estoicismo médio é representado essencialmente por Panécio (180-110) e Possidônio (135-51), que tiveram o grande mérito histórico de introduzir o estoicismo em Roma. O novo estoicismo se desenvolveu em Roma sob o império e está ligado a três grandes nomes: Sêneca (0-65 d.C.), Epitecto, um escravo, (50-125 d.C.) e o imperador Marco Aurélio (121-180).

Para o estóico, é preciso estar em consonância com a natureza para atingir a sabedoria. Assim, faz-se necessário entender que o único bem que existe é a retidão do caráter virtuoso e o único mal, o vício. O que não é nem virtude nem vício é indiferente. Assim, a doença, a morte, a pobreza, a escravidão, por exemplo, não são males, são indiferentes porque o sábio é, por definição, feliz, mesmo no sofrimento. O mau é sempre infeliz, uma vez que aflige a si próprio, pelo seu vício.

Assim, não estamos absolutamente entregues e sem defesa aos acidentes da vida, aos revezes da fortuna, nem à doença e à morte, mas temos, e nada nos pode tirar isso, a vontade de fazer o bem, a vontade de agir de acordo com a razão, de acordo com a natureza. E temos, principalmente, a capacidade de agir racionalmente, pois somos seres racionais, essa é a nossa natureza, a natureza humana. Assim, ao invés de reagirmos impulsivamente aos eventos externos que estão fora de nosso controle, temos o dever de pensar antes de agir, ou seja, somente tomar a decisão de agir ou não e de como agir após passada a reação emocional automática, ou seja, depois que pararmos e deixarmos a poeira baixar. Só assim teremos total controle sobre nossas ações e agiremos sempre de forma racional. E, ainda, importa lembrar que o ser humano, além de animal racional, é um animal social, portanto, devemos agir da melhor maneira não só para nós mesmos, mas para com a sociedade na qual vivemos.

Segundo o estoicismo, há uma oposição radical entre o que depende de nós e pode ser bom ou mau, porque objeto de nossa decisão, e o que não depende de nós, mas de causas exteriores, do destino, da vontade da natureza, e é indiferente.

A nobreza do seu caráter, aquilo que está dentro de você, é o que realmente importa.  Isso é o que a filosofia promete, o que a filosofia estóica ensina. O estoicismo é uma filosofia viva.  O que isso significa é que a filosofia estóica é mais do que apenas grandes pensamentos organizados em uma visão completa e coerente da realidade.  É, mais do que qualquer outra coisa, uma filosofia para viver, uma aplicação prática da sabedoria antiga, um modo de vida e um guia para as escolhas que alguém faz nesta vida.  E desde os seus primórdios, foi a única filosofia dirigida a todos os seres humanos – independentemente de gênero, etnia ou classe social.

Desde o início e por quase cinco séculos, o estoicismo foi uma das escolas de filosofia mais influentes e conceituadas na Grécia e Roma antigas.  Era uma das disciplinas filosóficas mais populares do Ocidente, praticada pelos ricos e pobres, pelos poderosos e pelos sofredores, na busca pela boa vida.  Mas, ao longo dos séculos, mais de dois milênios, o conhecimento outrora tão essencial desapareceu de vista e quase foi esquecido.

Foi somente a partir dos anos 1970 que o Estoicismo cresceu em popularidade novamente.  Principalmente porque tem sido a inspiração filosófica para a Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) e suas derivadas contemporâneas e por causa de autores como William Irvine, Donald Robertson, Massimo Pugliucci e Ryan Holiday, que escreveram best sellers sobre a filosofia Estóica.

Do Estoicismo clássico greco-romano, a grande maioria das obras do período romano chegaram até nós completas e intactas, tendo sido bem preservadas ao longo dos milênios.

Deste período romano, as obras que chegaram completas até nós são as dos três filósofos Estóicos mais famosos, o escravo Epicteto, o comerciante próspero Sêneca e o imperador romano Marco Aurélio. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles:

Marco Aurélio: O último bom imperador do Império Romano, o homem mais poderoso da Terra, sentou-se todas as noites para refletir sobre o dia e escrever em seu diário particular.  Este diário privado foi publicado como o livro Meditações e é a fonte mais significativa da Filosofia Estóica.

Epicteto: Nascido escravo, foi uma lenda.  Ele fundou sua própria escola e ensinou muitas das maiores mentes de Roma, uma das quais foi Marco Aurélio. Como Sócrates, Epicteto jamais escreveu coisa alguma. Porém, seus ensinamentos foram escritos por um de seus alunos, Arriano – os Discursos ou Diatribes e o Enchiridion, mais conhecido como o Manual de Epicteto.

Sêneca: Tutor e conselheiro de Nero (aquele imperador que incendiou Roma e que, mais tarde, forçou Sêneca a cometer suicídio) e o melhor dramaturgo e sábio comerciante de Roma.  Muitas de suas cartas pessoais sobreviveram e servem como uma grande fonte da filosofia Estóica.

Juntos, os documentos desses principais filósofos formam a base do Estoicismo (lembre-se de seus nomes, você os verá por aqui com muita frequência).

Em resumo, o estoicismo é uma filosofia de vida prática que ensina como manter uma mente calma e racional, não importa o que aconteça com você, e isso ajuda você a entender e se concentrar naquilo que você pode controlar e não se preocupar e aceitar o que você não pode controlar.

Ele está baseado em 10 princípios fundamentais, quais sejam:

1o – Viva de acordo com a natureza;

2o – Viva com virtude;

3o – Concentre-se no que você pode controlar e aceite o que você não pode controlar;

4o- Saiba distinguir entre as coisas boas, ruins e indiferentes;

5o – Aja como um verdadeiro filósofo;

6o – Pratique o infortúnio;

7o – Adicione uma cláusula de reserva às suas ações;

8o – Ame tudo o que acontece

9o – Transforme obstáculos em oportunidades; e,

10o – Seja consciente, presente e atento.

Além desses 10 princípios fundamentais, os Estóicos buscavam praticar todas as virtudes no seu dia-a-dia. Como são inúmeras e incontáveis, eles definiram 4 virtudes como essenciais, são elas: a sabedoria (ou prudência), a coragem, a justiça e a temperança (ou moderação, ou, ainda, autodisciplina).

Todos estes princípios fundamentais e estas virtudes essenciais serão minuciosamente explicados e detalhados nos próximos posts.

Por hoje, é só, pessoal!

 

Saudações, meus amigos estóicos,

Vanessa Cordeiro

 

Referências:

Marco Aurélio – Meditações;

Epicteto – Enchiridion (Manual de Epicteto);

Erick Wiegardt – The Stoic Handbook;

Ryan Holiday – The Daily Stoic; The Obstacle Is the Way;

Massimo Pigliucci – How to Be a Stoic;

Donald Robertson – Stoicism and the Art of Happiness;

Seneca – Diálogos; Cartas;

 

Fontes:

<https://www.njlifehacks.com/what-is-stoicism-overview-definition-10-stoic-principles/>

<https://www.google.com/amp/s/m.brasilescola.uol.com.br/amp/filosofia/os-estoicos.htm>

 

2 Replies to “O que é o Estoicismo?”

    1. Que maravilha, Mônica!
      Fico muito feliz de tê-la como companheira nesta caminhada estóica, dia após dia, buscando viver com virtude e de acordo com a natureza, para sermos, cada vez mais, a melhor versão de nós mesmas e vivermos a Boa Vida!
      Vamos juntas, minha amiga estóica!

      Beijos no coração,
      Vanessa Cordeiro

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